segunda-feira, 28 de março de 2011

Inferno.

Aqui dentro é o inferno. O inferno não tem fogo. Não tem pecadores. Pecados não existem, não fora daqui. O inferno não tem dono. Não tem escravos. Além de mim. O inferno não tem sofrimento. Não tem dor. O inferno não tem lava. Não tem ácido. Os céus não estão em chamas. Não há chuva de meteoros. Não há um abismo sem fundo. Não temos enxofre aqui. Nem demônios. Não há calor. Não há frio. Não há tristeza. Não há felicidade.
Aqui dentro é o inferno. E o inferno sou eu mesmo - e não os outros. Aqui dentro é o inferno, não há nada aqui. Nem paz, nem caos. Nem luz, nem escuridão. Nem anjos, nem demônios. Não há Deus algum. Não há salvação. Não há redenção. Não há julgamento. Não há punição. Não há amor. Ódio. Sonhos. Pesadelos. Realidade. Imaginação. Nada disso faz sentido aqui dentro. E tudo isso faz mais do que sentido. Tudo está, sem precisar ser. Tudo é, sem estar.
Aqui dentro é o inferno. O passado já passou, e continua passando. Repetidas vezes. O presente. Não é um presente. O futuro se mistura com o passado. Nada disso existe. Nada disso é real. O tempo não existe.
Aqui dentro é o inferno. E no inferno, somente eu existo. Se é que existo.

domingo, 27 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Chuva.

Eu sou a chuva.
Posso chegar sem aviso, ou fazer todo um ritual para dar uma visita.
Eu sou a chuva.
Eu sou a chuva.
Às vezes, vou embora rapidamente, às vezes, instalo-me aqui e só vou embora quando cansar.
Eu sou a chuva. Eu sou a chuva. Chuva.
Há quem reze para que eu venha, e festeje minha chegada.
Há quem torce para que eu fique longe, e pragueje minha passada.
Chuva. Chuva. Chuva.
Chuva. Chuva.
Chuva.
Alguns precisam de mim. Outros são prejudicados por mim.
Chhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuva.
Existem aqueles que simplesmente gostam da minha presença, que me acham uma boa companhia.
Existem aqueles que simplesmente não vão com a minha cara, mesmo que mal eu não os faça.
ChChChChChChChChChChChChChChChuva
ChChChChuvaChChChChChChChCh
ChChChChChChChChuvaChChCh
ChChChCh
A verdade é:
Por onde eu passe, deixo marca. Boas, ruins. Saberão que eu estive lá, lembrarão que eu estive lá. E eu sempre passarei.
chhhhhh

segunda-feira, 21 de março de 2011

02:02

Eu não quero mais saber de você, por favor, desapareça. Por favor, saia de minha vida. Por favor, vá embora. Você não merece tudo que eu fiz. Eu não mereço tudo que sofri. Então, por favor, eu não quero mais chorar.

domingo, 20 de março de 2011

Vendo aquele conhecido rosto desconhecido, tudo voltou. Eu lembrei de quando visitara aqui com você, só estava te acompanhando, não era nada importante, eu não fui importante. Mas por menor que o tempo tenha sido, tudo é diferente para mim. Eu procuro sempre aproveitar, procuro me entregar e, no final, eu sempre sofrerei muito.
Vendo o conhecido rosto desconhecido, tudo voltou. Meus olhos fugiram daquela pessoa que certamente não me reconheceria, mas eu o reconheci, reconheci esse lugar, reconheci os meus sentimentos. Não, o rosto dele não mudou; o lugar continua igual; e meus sentimentos intactos.
Vendo aquele rosto que fez tudo voltar, eu conheci o desconhecido. Talvez nem mesmo eu soubesse o que eu sentia, mas pensando agora eu vejo o quanto fui cativado, vejo que poderia até ter amado. E eu não podia mais ficar naquele lugar, eu tinha de sair o quanto antes, fugir de mim, de você, de nós. Sorte a minha que o nós já se foi, você já está bem longe, mas quem poderá me salvar de mim mesmo?

Fugi, fugi sem olhar pra trás, mas olhando pra frente eu podia me ver, me ver refletido nas poças da chuva, nos carros, nas vitrinas. Eu não me dava trégua, até ver através de mim, eu reconheço essa vidraça. É um restaurante que eu já passara várias vezes, mas só entrei uma, com ela. A primeira e última, com ela. Sentei numa cadeira do lado de fora do restaurante. Eu precisava descansar, precisava me recompor. Não posso fazer mais nada. O que posso fazer? Aceitar. Só posso aceitar. Nem entender é uma opção válida mais.
"O senhor deseja algo?"
"Não, perdão, eu só estava um pouco cansado, já vou embora."

Levanto-me e parto de novo. Sigo, por lugares conhecidos, com rumos desconhecidos. Continuo em frente, caminho lentamente, não tenho pressa, ninguém me espera em lugar nenhum. E agora eu ainda caminho, cada vez mais devagar, não tenho mais vontade - ou forças - de continuar. Quando a noite chegar, eu não terei você. Quando a noite chegar, eu não poderei sorrir sabendo que você terá a mim.

Eu não quero mudar as coisas, o passado é imutável - ou será? -, o presente é triste, o futuro é incerto. Eu não quero entender as coisas, algumas coisas são incompreensíveis, outras preferimos não entender, o resto a gente supõe entender. Eu não quero mais nada. Eu só estou um pouco cansado. Já vou embora.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Se você quer sair, saia logo.
Se você hesita, ainda sente algo.
Se odeia, me esqueça.
Se chora, é humano.
Se grita, não tem razão.
Se chora, não temos razão.
Se cala.
Se para.
Se paramos.
Se ama, diga.
Se quer pense em mim.
Se paro.
Se paramos.

Se vive, levante-se e diga.
Se quer viver, sofra.
Se quer sorrir, volte.