sábado, 27 de outubro de 2012
O nome dela é Juana e não Isabela.
Montados em seus pégasocórnios, voavam por um arco-íris. Do topo do arco-íris, saltaram.
Em queda livre encontraram os mais diversos e coloridos pássaros, animais míticos e peixes que podiam ser encontrados. De mãos dadas, mergulharam numa maciça nuvem branca. A água se espalhou e molhou todo o céu. Ele foi o primeiro a sair para respirar, não consiga tirar o sorriso do rosto, logo ela surgiu, também a sorrir - é isso que eles faziam juntos: riam e sorriam. Ele pegou um pedaço de nuvem e fez um grande moustache, ela pegou um pedaço de nuvem e jogou no meio da cara dele. Iniciou-se a Iª Grande Guerra na Nuvem.
Depois de toda a bagunça, pegaram carona numa girafa alada que estava a passar, estavam contando quantos pássaros azuis eles viam, mas como azul é algo muito subjetivo, preferiram se ater apenas aos pássaros com chapéus coco. Ele segurou sua mão e saltou da girafa, pulando de pássaro por pássaro, até chegarem à terra firme. Saiu correndo e ela foi atrás, para não correr a corrida. Encontraram um lago congelado e não ligaram para quem ganhou ou perdeu - não acreditavam nisso. Patinaram graciosamente, deslizavam como duas delicadas morsas à procura de peixes. Ele caía, ela ria e o ajudava, mas caía junto, e riam ambos. Seguraram-se com cautela para se levantar, mas caíram de novo, e mais duas vezes, já não riam tanto, porque certamente tinha algo de errado. Resolveram deslizar como verdadeiras morsas. Deslizaram até chegar ao pólo norte e encontraram uma manada de morsas e pinguins. Os animais os guiaram até a fábrica do Papai Noel, eles entraram lá com cookies e leite. Acordaram o Senhor Claus e deram uma grande festa do pijama, com cookies à vontade, chamaram os duendes e todas as renas, com e sem nariz vermelho. Ao final de toda a farra, pediram um favor a ele.
Primeiro não achou que seria certo, mas acabou cedendo quando eles explicaram melhor e se ajoelharam e pediram por favor continuamente até que ele aceitasse. Ele e os duendes foram à fábrica e criou o presente mais divertido, bonito, colorido, brilhante, felpudo e divertido que puderam. Ele era indescritível portanto, eu não descreverei. O velho Noel pediu apenas que eles guardassem segredo e não contassem a ninguém que ele abriu essa exceção. Concordaram e fizeram que trancavam a boca com uma chave, depois fingiram que engoliram a chave e riram. Noel ainda deu uma carona em seu trenó mágico, que voava deixando um rastro de alegria e esperança por onde passava, e, por isso, pediram que ele passasse por todo o mundo e compartilhasse a fumaça de felicidade que saía do escapamento do Trenó Natalino™ modelo 2013. Ao final do passeio, antes de voltar para sua fábrica, ele deixou a garota lá na casa dela, e o
menino do ooooutro lado, na casa dele. E foi-se, para voltar apenas no Natal.
Nesse dia, os dois dormiram muito felizes, por terem se divertido a beça, juntos, nesse dia
especial.
Ah - não! Já na cama o garoto lembrou que esqueceu de lembrar! Então digo agora mesmo, feliz aniversário, Juana.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Hino da Paixão.
Ô, você,
Todo dia vou dizer.
Clamarei pelo seu nome,
deixarei pistas bobas e óbvias,
afinal de que é feita a paixão?
Ô, você.
Digna de poemas,
de coração acelerado.
De um hino que, com a mão no peito,
dia após dia é cantado.
Afinal, o que é paixão?
Ô, você!
Fico sem jeito, sem palavras,
mas gosto de te ouvir falar,
mesmo que ouvir seja o menos importante
e me alegro que perca seu tempo comigo.
Como reservo sempre o meu para o hino.
Um hino de paixão?
Ô, VOCÊ.
Não se engana,
Paixão pode durar coisa de semana,
ou quem sabe a gente se ama.
Quem precisa de fama,
quando sei que lerá minhas palavras na sua cama.
Me diga, você.
O hino da paixão não tem rimas,
o hino da paixão não tem imagens.
É puro sentimento,
tão simples quanto pode ser,
mais fácil que eu e você.
Ô,
Você.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
A Orquídea Azul
Era um verão quente e escaldante - podia até dizer árido -, mas ainda sim você fez algo brotar, apesar de todas as adversidades e obstáculos, eis que nasce uma orquídea azul em meu peito. Aparece tímida, fraca, mas com vida, com persistência.
Os dias foram passando, e eu cuidei dela com muito, ela continuou a crescer, aos poucos, sorrindo vida, tudo isso era novo, para todos nós.
No ceifador e impiedoso outono, flôr por flôr caía, mas a nossa amiga azul perdurava exemplarmente, regada constantemente com afeto e atenção, estava mais forte do que nunca, dum cerúleo azul capaz de emocionar qualquer coração de pedra, de tornar bela qualquer paisagem, por mais triste que fosse.
O inverno, ríspido e severo, fez com que todos procurassem proteção, e a pobre flôr retraiu-se o máximo que pôde, apenas esperando por algo que lhe aquecesse, um abraço sincero que lhe daria razão para continuar, um sorriso escaldante que fizesse esquecer de todo o frio, de todo o sofrimento. Aqueceu-se o suficiente para aguentar até a próxima estação.
A doce primavera gentil chegou, e tudo que a Orquídea tanto esperou estava prestes a se realizar, ela poderia finalmente viver como nascera para ser, para ser plenamente bela, perfumar a cidade, atrair a todos com seu brilho de felicidade. Ela - ou eu? - esperou tanto tua volta, para poder continuar a crescer, para poder se reproduzir, e quando chegaste, ó, quando chegaste, estavas tão preocupado com tudo, com outras tarefas, com outras vidas, que a vida da Orquídea se esvaiu, toda a força de vontade vinha da esperança de servir, do sonho de florescer mais. Quando você se esqueceu dela, da primavera, das flores, ela murchou, murchou, murchamos.
É primavera, mas a Orquídea morreu.
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