Adjetivo
bo.ni.ti.nha
1. possuidora de um sorriso tão belo ao ponto de fazer São Paulo bonita; de uma doçura impar que nos faz feliz apenas por poder estar com ela, por tê-la em sua vida; também de muita lucidez e sabedoria. Que consegue sempre lhe animar com qualquer palavra boba, lhe faz suspirar; que lhe toma os pensamentos e lhe faz fugirem as palavras. Que lhe faz querer ir mais longe; que transforma sua vida toda; que faz o resto importar menos, mesmo se importando com tanta coisa. Muita, muita coisa. Indescritível, por mais que saiba descrever bem. Muita coisa. Tudo.
2. feia arrumadinha.
sábado, 22 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Globo de Neve.
Ela pegou o mundo todo, sua vida, seus problemas, o futuro e o passado, e minimizou. Condensou numa estrofe, reduziu a um verso.
A complexidade do ser humano foi diminuída a uma rima colocada na prateleira.
O segredo da vida virou uma pequena charada, a dor do amor ela curou com Merthiolate.
Enquadrou o passado e colocou na parede para admirar bem, viu o futuro pelas lentes do binóculo e não se preocupou.
Convidou todos para brincar no playground. Ela só quer ser empurrada no balanço, mais alto, mais alto, diz ela.
O mundo é uma bola que ela joga pro alto, o mundo é uma bola que ela joga pro ar.
Ela rima e desrima, de um jeito torto como o meu sorriso ao vê-la, delicadamente, sorrateiramente, ela constrói uma armadilha, e quando diz que largou a poesia, prende-me em seus versos, prende-me em versos livres.
Sua prisão é vidro fino, mas eu não quero fugir, o mundo que ela construiu é afável, ao som do glockenspiel eu adormeço, e sonho que estou acordado, e ao acordar é como se ainda sonhasse.
Ela bate no vidro *tintintin*, ela toca o glockenspiel *tintintintin*, eu vejo suas mãos, vejo suas criações, e já a completo por mim mesmo.
Um a um, tudo vai voltando ao seu lugar, apenas em escala menor. O mundo, a vida, os problemas, o futuro e o passado estão aqui, ela também, sentada à minha frente, ou é você?
Tudo no seu lugar, dentro dessa pequena redoma.
Ela nos pega, com as duas mãos, e vira tudo de cabeça para baixo. Nos balouça bruscamente.
A neve cai e tudo faz sentido.
A complexidade do ser humano foi diminuída a uma rima colocada na prateleira.
O segredo da vida virou uma pequena charada, a dor do amor ela curou com Merthiolate.
Enquadrou o passado e colocou na parede para admirar bem, viu o futuro pelas lentes do binóculo e não se preocupou.
Convidou todos para brincar no playground. Ela só quer ser empurrada no balanço, mais alto, mais alto, diz ela.
O mundo é uma bola que ela joga pro alto, o mundo é uma bola que ela joga pro ar.
Ela rima e desrima, de um jeito torto como o meu sorriso ao vê-la, delicadamente, sorrateiramente, ela constrói uma armadilha, e quando diz que largou a poesia, prende-me em seus versos, prende-me em versos livres.
Sua prisão é vidro fino, mas eu não quero fugir, o mundo que ela construiu é afável, ao som do glockenspiel eu adormeço, e sonho que estou acordado, e ao acordar é como se ainda sonhasse.
Ela bate no vidro *tintintin*, ela toca o glockenspiel *tintintintin*, eu vejo suas mãos, vejo suas criações, e já a completo por mim mesmo.
Um a um, tudo vai voltando ao seu lugar, apenas em escala menor. O mundo, a vida, os problemas, o futuro e o passado estão aqui, ela também, sentada à minha frente, ou é você?
Tudo no seu lugar, dentro dessa pequena redoma.
Ela nos pega, com as duas mãos, e vira tudo de cabeça para baixo. Nos balouça bruscamente.
A neve cai e tudo faz sentido.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Olhar.
Meus olhos encontraram os dela e ficaram presos. Eu fiquei pregado. Meu coração deu um salto. Minha alma estremeceu. Era inacreditável, aquele par de olhos era, simplesmente.
Seu olhar continha uma história, uma vida, um mundo, um universo, tão imenso e vazio como.
É como se ela já tivesse visto tantos outros como eu, tantos outros que não lhe tiravam os olhos, perplexos, perdidos em tamanha obliquidade.
Eu a via lá, parada, do outro lado do salão, olhando para mim como se olhasse para o nada, olhando para o nada como se estivesse de olhos fechados.
Duas ônix lapidadas pela vida, com dor e alegria, num equilíbrio torpe. Seu olhar era frio, mas me queimava por dentro, seu olhar era gélido, mas acendeu meu peito.
Eu não podia fugir, eu olhava para ela a todo momento, e ela também, retribuía, ou guiava.
Eu não podia fingir, estava hipnotizado por aqueles olhos, aquele olhar.
Eu não podia piscar.
Pisquei e a perdi.
Mas sei que ela ainda olha por mim.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Sileno - uma carta azul.
sim sim, não não, admito, esteja preparada, serei hermético, não sei se terminarei isso, não sei o que é terminar e não sei o que é isso.
(sileno invejar-me-ia [talvez])
a porta do carro não abre de que adianta a chave que tenho em minhas mãos, as chaves tem apenas essa utilidade afinal, mas pelo visto é preciso colocá-las na fechadura e girar, anti-prático
mas eu estava, não queria mas estava, pensando: é repugnante pensar demais, eu poderia estar fazendo coisa melhor do meu tempo, como trabalhar ou ler o jornal
mas eu estava pensado afinal, não em coisas importantes, não em política, não nas calamidades que afligem o mundo, mas em coisa boba, coisa de quem tem tempo livre demais, por exemplo: o amor (posso ou não ter sido irônico, deixo a decisão para você)
e pensava também muito em você! muito demais! demais a beça, pensei também por consequência em nós, e percebi que nós tanto temos como somos problemas e isso não me incomodou, quem não tem problemas afinal
(mudei o título do post agora, quero ser mais hermético [talvez {é bom deixar em aberto tudo que está fechado}]
o problema é a felicidade, se ninguém fosse bom, ninguém seria mal, e isso é facto, agora me diz porque você insiste em me fazer feliz em meio a tudo, a tanta tragédia que acontece no mundo, nessa vastidão do universo nossa história não é um grão de areia numa praia simbólica que simboliza o inifinito - que pode ser simbolizado como um 8 deitado, mas meu 8 é o três e o sete (foi nando quem me disse que tudo é símbolo, até o infinito cabe nessa máxima)
ja me perdi pois quero falar de você não da galáxia, mal sei a ordem dos planetas, mas sei a tua ordem de cor(ação) e salteado: sorriso, e o resto. nada mais lógico, nada menos lógico também,
nem de nós quero falar pois não há nós apesar de que eu e você façamos uma boa dupla de dois, porfavor, dois
lembrei aonde eu ia depois do universo e da via láctea - que entrou na história agora - até eu e você somos puro símbolo, você pra mim e eu pra você, daquele jeitinho [deus que explicito que sou por favor não leia essa ultima frase]
você fodeu comigo e com minha sanidade, não estou reclamando, só constato, antes eu era normal dentro da anormalidade, hoje eu queria chorar mas eu ri muito, como alegre e temo que fosse mesmo alegria
eu nunca te dei nada além de algum punhados palavras e alguns (poucos) beijos bem dados (bem dado é subjetivo) mas ainda sim sinto que você tem algo que me pertence, e, deixe-me checar, não é meu coração porque ele está batendo aqui, não acelerado, mas desengonçado: causa mortis: parada cardíaca por paixão
uma rápida paixão demora para passar não é mesmo?
não, a verdade é que não tem nada que me pertence tudo que tens é teu, mas o sentimento que eu senti é que há um vazio aqui que sempre houve e ele é do teu tamanho, meu erro foi procurar o tamanho errado como se soubesse o que é certo
não queira ser rica que não tenho dinheiro
queira amor que seremos ricos
se me perguntarem qual era o título original, mentirei (pela arte), mas se perguntarem novamente direi a verdade a muito contragosto (a decepção será vossa)
Adieu)
(sileno invejar-me-ia [talvez])
a porta do carro não abre de que adianta a chave que tenho em minhas mãos, as chaves tem apenas essa utilidade afinal, mas pelo visto é preciso colocá-las na fechadura e girar, anti-prático
mas eu estava, não queria mas estava, pensando: é repugnante pensar demais, eu poderia estar fazendo coisa melhor do meu tempo, como trabalhar ou ler o jornal
mas eu estava pensado afinal, não em coisas importantes, não em política, não nas calamidades que afligem o mundo, mas em coisa boba, coisa de quem tem tempo livre demais, por exemplo: o amor (posso ou não ter sido irônico, deixo a decisão para você)
e pensava também muito em você! muito demais! demais a beça, pensei também por consequência em nós, e percebi que nós tanto temos como somos problemas e isso não me incomodou, quem não tem problemas afinal
(mudei o título do post agora, quero ser mais hermético [talvez {é bom deixar em aberto tudo que está fechado}]
o problema é a felicidade, se ninguém fosse bom, ninguém seria mal, e isso é facto, agora me diz porque você insiste em me fazer feliz em meio a tudo, a tanta tragédia que acontece no mundo, nessa vastidão do universo nossa história não é um grão de areia numa praia simbólica que simboliza o inifinito - que pode ser simbolizado como um 8 deitado, mas meu 8 é o três e o sete (foi nando quem me disse que tudo é símbolo, até o infinito cabe nessa máxima)
ja me perdi pois quero falar de você não da galáxia, mal sei a ordem dos planetas, mas sei a tua ordem de cor(ação) e salteado: sorriso, e o resto. nada mais lógico, nada menos lógico também,
nem de nós quero falar pois não há nós apesar de que eu e você façamos uma boa dupla de dois, porfavor, dois
lembrei aonde eu ia depois do universo e da via láctea - que entrou na história agora - até eu e você somos puro símbolo, você pra mim e eu pra você, daquele jeitinho [deus que explicito que sou por favor não leia essa ultima frase]
você fodeu comigo e com minha sanidade, não estou reclamando, só constato, antes eu era normal dentro da anormalidade, hoje eu queria chorar mas eu ri muito, como alegre e temo que fosse mesmo alegria
eu nunca te dei nada além de algum punhados palavras e alguns (poucos) beijos bem dados (bem dado é subjetivo) mas ainda sim sinto que você tem algo que me pertence, e, deixe-me checar, não é meu coração porque ele está batendo aqui, não acelerado, mas desengonçado: causa mortis: parada cardíaca por paixão
uma rápida paixão demora para passar não é mesmo?
não, a verdade é que não tem nada que me pertence tudo que tens é teu, mas o sentimento que eu senti é que há um vazio aqui que sempre houve e ele é do teu tamanho, meu erro foi procurar o tamanho errado como se soubesse o que é certo
não queira ser rica que não tenho dinheiro
queira amor que seremos ricos
se me perguntarem qual era o título original, mentirei (pela arte), mas se perguntarem novamente direi a verdade a muito contragosto (a decepção será vossa)
Adieu)
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Maria.
Maria, Maria.
Não, eu não te queria,
mas meu bem, o destino quis nos unir,
por uma amiga em comum, que só fazia rir.
Maria, Maria, és mais que isso,
quando estou contigo, sonho com os melhores poemas,
tenho em mim todo tipo de poesia,
mas é vívida e vivida, não para ser escrita.
Maria, Maria,
hoje ja não vivo sem ti, não vê?
Torço para que sempre esteja no rolê.
Mas sei que não és minha, não és de ninguém,
e sua liberdade, sua ilegalidade, faz parte do charme
Romance.
Já escrevi tantas fantasias sem você,
já fiz tanta rima, tanta imagem, tudo que pude pensar,
Mas você me deu outra ótica, outra vida,
não me preocupo, o que pensarão,
gostarão? Não, estou relaxado,
estou leve, ao seu lado.
Maria Maria.
Já escrevi sobre marinheiras,
zumbis, bailarinas e ciganas.
Camila, Mariane,
Carolina e Ana,
Mas você também merece um verso só seu
Maria
domingo, 11 de novembro de 2012
Da morte.
A única certeza é a morte. E a mim sempre bastou, mas agora, no leito da minha morte, acho aceitável pensar mais sobre. Sempre fui da opinião que não se deve discutir acerca da morte enquanto estamos vívidos e vivendo, mas a verdade é que não se vive, se morre. A morte é constante, mais constante que a vida, muitos morrem antes de nascer.
A morte, a morte não é um mistério, não há o que fazer, o que acontece depois da morte - ou da vida - vale discutir, mas não vejo muito sentido nisso, o pós-vida é tão incerto quanto o fim da vida é certo. O mistério capital é saber o que fazer entre o início e o fim da vida, viver é uma ótima opção, mas é vago. Vejo-me no direito de considerar a vida como um livro - pelo fato de escrever e também por estar morrendo -, e como um livro, tem inicio meio e fim, a intenção não é ensinar nada, passar nada a ninguém, é algo natural, os pássaros cantam porque cantam. Mas há a necessidade de ser interessante, o começo do livro muitas vezes é uma apresentação, às personagens, à trama, ao universo em que se passa. O meio é o principal, tem de mostrar a que veio tem de valer, o clímax os problemas, as melhores páginas de nossas vidas. Mas sem um final decente, o resto não vale de nada, um final bom compensa algumas falhas, um final ótimo é impossível, ou não seria o final. Então pensemos em nossas últimas palavras, pois não lugar para correções.
Infelizmente não sei se sou capaz de escrever um livro, e sei que se conseguir não será grande, mas acho que faz sentido, são os nossos tempos, é o meu tempo, e, apesar de tudo o que eu tenha feito, não deixarei de ser contemporâneo.
A morte, a morte não é um mistério, não há o que fazer, o que acontece depois da morte - ou da vida - vale discutir, mas não vejo muito sentido nisso, o pós-vida é tão incerto quanto o fim da vida é certo. O mistério capital é saber o que fazer entre o início e o fim da vida, viver é uma ótima opção, mas é vago. Vejo-me no direito de considerar a vida como um livro - pelo fato de escrever e também por estar morrendo -, e como um livro, tem inicio meio e fim, a intenção não é ensinar nada, passar nada a ninguém, é algo natural, os pássaros cantam porque cantam. Mas há a necessidade de ser interessante, o começo do livro muitas vezes é uma apresentação, às personagens, à trama, ao universo em que se passa. O meio é o principal, tem de mostrar a que veio tem de valer, o clímax os problemas, as melhores páginas de nossas vidas. Mas sem um final decente, o resto não vale de nada, um final bom compensa algumas falhas, um final ótimo é impossível, ou não seria o final. Então pensemos em nossas últimas palavras, pois não lugar para correções.
Infelizmente não sei se sou capaz de escrever um livro, e sei que se conseguir não será grande, mas acho que faz sentido, são os nossos tempos, é o meu tempo, e, apesar de tudo o que eu tenha feito, não deixarei de ser contemporâneo.
O fin.
30 de novembro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
O nome dela é Juana e não Isabela.
Montados em seus pégasocórnios, voavam por um arco-íris. Do topo do arco-íris, saltaram.
Em queda livre encontraram os mais diversos e coloridos pássaros, animais míticos e peixes que podiam ser encontrados. De mãos dadas, mergulharam numa maciça nuvem branca. A água se espalhou e molhou todo o céu. Ele foi o primeiro a sair para respirar, não consiga tirar o sorriso do rosto, logo ela surgiu, também a sorrir - é isso que eles faziam juntos: riam e sorriam. Ele pegou um pedaço de nuvem e fez um grande moustache, ela pegou um pedaço de nuvem e jogou no meio da cara dele. Iniciou-se a Iª Grande Guerra na Nuvem.
Depois de toda a bagunça, pegaram carona numa girafa alada que estava a passar, estavam contando quantos pássaros azuis eles viam, mas como azul é algo muito subjetivo, preferiram se ater apenas aos pássaros com chapéus coco. Ele segurou sua mão e saltou da girafa, pulando de pássaro por pássaro, até chegarem à terra firme. Saiu correndo e ela foi atrás, para não correr a corrida. Encontraram um lago congelado e não ligaram para quem ganhou ou perdeu - não acreditavam nisso. Patinaram graciosamente, deslizavam como duas delicadas morsas à procura de peixes. Ele caía, ela ria e o ajudava, mas caía junto, e riam ambos. Seguraram-se com cautela para se levantar, mas caíram de novo, e mais duas vezes, já não riam tanto, porque certamente tinha algo de errado. Resolveram deslizar como verdadeiras morsas. Deslizaram até chegar ao pólo norte e encontraram uma manada de morsas e pinguins. Os animais os guiaram até a fábrica do Papai Noel, eles entraram lá com cookies e leite. Acordaram o Senhor Claus e deram uma grande festa do pijama, com cookies à vontade, chamaram os duendes e todas as renas, com e sem nariz vermelho. Ao final de toda a farra, pediram um favor a ele.
Primeiro não achou que seria certo, mas acabou cedendo quando eles explicaram melhor e se ajoelharam e pediram por favor continuamente até que ele aceitasse. Ele e os duendes foram à fábrica e criou o presente mais divertido, bonito, colorido, brilhante, felpudo e divertido que puderam. Ele era indescritível portanto, eu não descreverei. O velho Noel pediu apenas que eles guardassem segredo e não contassem a ninguém que ele abriu essa exceção. Concordaram e fizeram que trancavam a boca com uma chave, depois fingiram que engoliram a chave e riram. Noel ainda deu uma carona em seu trenó mágico, que voava deixando um rastro de alegria e esperança por onde passava, e, por isso, pediram que ele passasse por todo o mundo e compartilhasse a fumaça de felicidade que saía do escapamento do Trenó Natalino™ modelo 2013. Ao final do passeio, antes de voltar para sua fábrica, ele deixou a garota lá na casa dela, e o
menino do ooooutro lado, na casa dele. E foi-se, para voltar apenas no Natal.
Nesse dia, os dois dormiram muito felizes, por terem se divertido a beça, juntos, nesse dia
especial.
Ah - não! Já na cama o garoto lembrou que esqueceu de lembrar! Então digo agora mesmo, feliz aniversário, Juana.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Hino da Paixão.
Ô, você,
Todo dia vou dizer.
Clamarei pelo seu nome,
deixarei pistas bobas e óbvias,
afinal de que é feita a paixão?
Ô, você.
Digna de poemas,
de coração acelerado.
De um hino que, com a mão no peito,
dia após dia é cantado.
Afinal, o que é paixão?
Ô, você!
Fico sem jeito, sem palavras,
mas gosto de te ouvir falar,
mesmo que ouvir seja o menos importante
e me alegro que perca seu tempo comigo.
Como reservo sempre o meu para o hino.
Um hino de paixão?
Ô, VOCÊ.
Não se engana,
Paixão pode durar coisa de semana,
ou quem sabe a gente se ama.
Quem precisa de fama,
quando sei que lerá minhas palavras na sua cama.
Me diga, você.
O hino da paixão não tem rimas,
o hino da paixão não tem imagens.
É puro sentimento,
tão simples quanto pode ser,
mais fácil que eu e você.
Ô,
Você.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
A Orquídea Azul
Era um verão quente e escaldante - podia até dizer árido -, mas ainda sim você fez algo brotar, apesar de todas as adversidades e obstáculos, eis que nasce uma orquídea azul em meu peito. Aparece tímida, fraca, mas com vida, com persistência.
Os dias foram passando, e eu cuidei dela com muito, ela continuou a crescer, aos poucos, sorrindo vida, tudo isso era novo, para todos nós.
No ceifador e impiedoso outono, flôr por flôr caía, mas a nossa amiga azul perdurava exemplarmente, regada constantemente com afeto e atenção, estava mais forte do que nunca, dum cerúleo azul capaz de emocionar qualquer coração de pedra, de tornar bela qualquer paisagem, por mais triste que fosse.
O inverno, ríspido e severo, fez com que todos procurassem proteção, e a pobre flôr retraiu-se o máximo que pôde, apenas esperando por algo que lhe aquecesse, um abraço sincero que lhe daria razão para continuar, um sorriso escaldante que fizesse esquecer de todo o frio, de todo o sofrimento. Aqueceu-se o suficiente para aguentar até a próxima estação.
A doce primavera gentil chegou, e tudo que a Orquídea tanto esperou estava prestes a se realizar, ela poderia finalmente viver como nascera para ser, para ser plenamente bela, perfumar a cidade, atrair a todos com seu brilho de felicidade. Ela - ou eu? - esperou tanto tua volta, para poder continuar a crescer, para poder se reproduzir, e quando chegaste, ó, quando chegaste, estavas tão preocupado com tudo, com outras tarefas, com outras vidas, que a vida da Orquídea se esvaiu, toda a força de vontade vinha da esperança de servir, do sonho de florescer mais. Quando você se esqueceu dela, da primavera, das flores, ela murchou, murchou, murchamos.
É primavera, mas a Orquídea morreu.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Acerto de contas.
Lembro quando te paguei uma cerveja aquela noite, você quis me pagar de volta na hora, mas eu naturalmente recusei, estávamos os dois sendo apenas polidos como manda a etiqueta.
Os dias passaram e eu percebi que você era assim - ou era assim comigo. Tudo pra você precisava se balancear, equilibrar. Nas poucas oportunidades em que eu conseguia pagar algo, você sem o menor esforço pagava o equivalente.
Qualquer presente ou mimo que eu te dava, merecia uma retribuição à altura - nunca maior ou menor, apenas igual. Como se você se esforçasse ao máximo para não deixar nada para trás.
Todas as cartas escritas, palavras ditas e poemas dedicados, tinham seu correspondente, mesmo que em silêncio, um segredo seu que dizia "não nos devemos nada".
Mas eu vim acertar as contas, porque você está me devendo sim, e muito. Quero todo o amor que eu te dei, ou de volta ou que equivalha. Você não pediu mas eu lhe dei, dei meu coração, e você desequilibrou tudo, indo embora assim, levando o que eu tinha de mais valioso.
Quando eu disse que te amava, respondesse apenas "vamos rachar?"
Os dias passaram e eu percebi que você era assim - ou era assim comigo. Tudo pra você precisava se balancear, equilibrar. Nas poucas oportunidades em que eu conseguia pagar algo, você sem o menor esforço pagava o equivalente.
Qualquer presente ou mimo que eu te dava, merecia uma retribuição à altura - nunca maior ou menor, apenas igual. Como se você se esforçasse ao máximo para não deixar nada para trás.
Todas as cartas escritas, palavras ditas e poemas dedicados, tinham seu correspondente, mesmo que em silêncio, um segredo seu que dizia "não nos devemos nada".
Mas eu vim acertar as contas, porque você está me devendo sim, e muito. Quero todo o amor que eu te dei, ou de volta ou que equivalha. Você não pediu mas eu lhe dei, dei meu coração, e você desequilibrou tudo, indo embora assim, levando o que eu tinha de mais valioso.
Quando eu disse que te amava, respondesse apenas "vamos rachar?"
sábado, 22 de setembro de 2012
Os primeiros dias de primavera.
Não é o inverno que acabou, o inverno é muito pouco, é frio, é frívolo, ele não faz questão de acabar, ele simplesmente está enquanto estiver.
A primavera sempre chega, otimista, alegre, sorridente. Não liga para o tempo que faz lá fora, quer sempre que o nosso tempo seja bom. É uma esperança que enche a sala, invade o peito. Faz com que tente outra vez, ser feliz, ser alguém, sorrir.
E me dá ânimo, faz com que eu queira sair de casa, ver as tão belas flores que estão a brotar. Claro que não encontrarei outro Lírio, não tão cedo, talvez nunca encontre, mas poderei sempre apreciar a beleza e o prazer das orquídeas azuis, ou conhecer outras flores, quem sabe.
Apenas animemo-nos, a primavera ainda está nos seus primeiros dias, e logo florescerá em algo muito belo para quem acreditar.
A primavera sempre chega, otimista, alegre, sorridente. Não liga para o tempo que faz lá fora, quer sempre que o nosso tempo seja bom. É uma esperança que enche a sala, invade o peito. Faz com que tente outra vez, ser feliz, ser alguém, sorrir.
E me dá ânimo, faz com que eu queira sair de casa, ver as tão belas flores que estão a brotar. Claro que não encontrarei outro Lírio, não tão cedo, talvez nunca encontre, mas poderei sempre apreciar a beleza e o prazer das orquídeas azuis, ou conhecer outras flores, quem sabe.
Apenas animemo-nos, a primavera ainda está nos seus primeiros dias, e logo florescerá em algo muito belo para quem acreditar.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Diálogo.
É engraçado... eu não sei por onde começar,
nem sei como começou,
só sei que eu não quero que tenha um fim.
Pois que seja tarde, o mais tarde possível,
olhando nos seus olhos cansados,
vendo seu sorriso desgastado.
Tento ser apenas o melhor,
para te ter sempre comigo, para sempre
até que acabe, menos dentro de mim.
Como é gozado, nunca imaginei sentir algo assim
quem sabe como será amanhã,
se ontem não sonhei com algo tão bom quanto nós.
Seria loucura dizer que até depois serei teu?
O que sinto, sinto que supera o insuperável,
é tão, tão grande,
que não sou nem capaz de lhe dizer.
Tenho medo de tua resposta.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Independência e morte.
Serei sincero, não me lembro de nada de minhas aulas de história que tive no Ensino Médio, nada mesmo. Não sei quem foi rei e quem deixou de ser, mas pouco me importa, porque nem rei de mim sou mais.
Afinal, que lembro da escola? 2+2=4 e só, mas de que me adianta saber isso? Se não aprendi a esconder meu sorriso ao te ver? Se não tenho a menor ideia de como disfarçar a dor sem você?
Antes de p e b, m. A-E-I-O-U. Entendo as regras, mas ainda soletro amor com as letras do seu nome.
A capital da Bósnia e Herzegovina é Sarajevo, da Austrália: Camberra, não Sidney. Mas o único lugar que me importa é ao seu lado.
Como eu disse, lembro de bem pouco da escola, então realmente não posso fazer algo bem trabalhado quanto a isso, pesquisar às vezes não é uma opção. O que importa afinal é o que se aprende na vida, eu acho.
E eu aprendi a amar.
E agora preciso aprender a te esquecer.
Quem foi mesmo que gritou, às margens do rio, "independência e morte!"?
Afinal, que lembro da escola? 2+2=4 e só, mas de que me adianta saber isso? Se não aprendi a esconder meu sorriso ao te ver? Se não tenho a menor ideia de como disfarçar a dor sem você?
Antes de p e b, m. A-E-I-O-U. Entendo as regras, mas ainda soletro amor com as letras do seu nome.
A capital da Bósnia e Herzegovina é Sarajevo, da Austrália: Camberra, não Sidney. Mas o único lugar que me importa é ao seu lado.
Como eu disse, lembro de bem pouco da escola, então realmente não posso fazer algo bem trabalhado quanto a isso, pesquisar às vezes não é uma opção. O que importa afinal é o que se aprende na vida, eu acho.
E eu aprendi a amar.
E agora preciso aprender a te esquecer.
Quem foi mesmo que gritou, às margens do rio, "independência e morte!"?
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Gol. (Nascimento, Queda e Redenção.)
Já aos 18 encarava pressões enormes, que poderiam decidir toda sua carreira. Todos os olhares se voltavam para ele, para seu futuro, para quem ele ainda não era.
"Vai ser um Craque." "Não é tudo isso." "Já é um craque." "Será o melhor do mundo." "Pura enganação."
Todos decidiam o que ele era, o que seria.
"Não leva nada a sério." "Joga com alegria." "Exagerado."
Sabiam o que era melhor para ele, como devia ser e agir.
"É o novo Ciclano." "Melhor que Fulano." "Parecido com Beltrano."
Nunca foi ele mesmo, sempre tinha de se igualar a alguém, superar alguém, até conseguir ser comparável a ninguém.
Aos 20, passava a deixar de ser uma promessa e passou a ser uma realidade, cada vez mais confiavam nele, seu potencial virou valor, estava quase preparado para deixar sua marca, gravar seu nome, ser alguém.
"Craque." "Ingênuo." "Ídolo." "Gênio." "Enganação."
Rotulavam-no como se vendessem um produto, rotulavam-no como se isso fosse fazê-lo mudar.
"Autêntico." "Fica se preocupando com coisas fúteis." "Gosta de aparecer."
Queriam estereotipá-lo; queriam diminui-lo; controlá-lo.
"Esperança nacional." "Quero ver contra os melhores." "Agora precisa mostrar a que veio."
Jogavam tudo nas suas costas: os sonhos; a esperança; a responsabilidade. Tudo, todos, para um.
22. A hora da verdade, finalmente provaria ou seria reprovado; o que construiu nos últimos anos seria concretizado ou ruiria, mas não sairia como entrou.
A partida já estava nos acréscimos, a equipe de camisa amarela precisava de um tento para levá-la à prorrogação, para não perder toda a esperança, para não deixar a taça escapar, para não sofrer seu maior vexame na história.
Ele recebeu a bola na entrada da área, à frente, dois defensores com camisas azuis e brancas, bateram nele no jogo todo, jogo truncado, jogo feio, jogo emocionante. Partiu para cima do primeiro, com velocidade, gingou, jogou o corpo para um lado, a bola para o outro, saltou pela rasteira que o zagueiro aplicou e pegou a bola do outro lado. Um no chão, um a ser driblado. Invadiu a caixa de 16 metros, que pareciam quilômetros até a meta. Ergueu a cabeça, seguiu. Passou o pé por cima da pelota, de um lado para o outro, como um pêndulo que hipnotiza o voluntário da plateia, mas esse aqui não foi voluntário, estava nervoso, mais nervoso que seu adversário, afobado, deu o bote, e tão rápido quanto sua reação involuntária, viu apenas dois toques, um para a direita, outro, com a bola ainda no ar, direto entre suas pernas, antes de cair, ainda conseguiu tocar o pé do jogador que passava por ele, como um raio. Tropeçou, perdeu o equilíbrio e... levantou novamente, ao invés de cair, como normalmente faria, decidiu seguir, ir até o fim, apenas ele e o arqueiro, que crescia a cada passo que dava, inversamente proporcional às traves, que diminuíam. Com um toque sutil, apenas um, fez a bola subir, subir, ao ponto de passar pelo gigante guarda-redes e descer, descer, ele parou, o goleiro parou, o estádio parou, o Brasil parou, o mundo parou. Segurou a respiração, gravou aquele momento perfeito, de glória, de redenção, ela descia, suavemente feito pluma, descia, pouco mais de 82 238 pares de olhos não piscavam dentro do Maraca. Mais de 400 milhões de olhos, seguindo a bola, 200 milhões de corações apertados. Ela foi, foi, no travessão!
"Decepção." "Desilusão." "Vexame." "Tragédia."
Tentavam explicar o que acontecia, mas não era possível, simplesmente não era possível aquela bola não entrar.
"Não tão bom quanto o outro." "Segundo melhor." "Primeiro dos últimos."
Julgavam; comparavam; rebaixavam; nunca seria o suficiente, nunca seria indiscutivelmente o melhor.
Com 24, não rendia tanto quanto antes, desde o incidente há dois anos, não foi o mesmo. Faltava brilho, faltava gana, faltava algo mais. Os holofotes se apagaram, os olhares se cerraram, mãos amigas tornaram-se punhais. O chão desapareceu, não tinha onde se apoiar, a pressão foi maior, teve de ceder, foi esmagado.
"Fim de carreira." "Nunca mais o mesmo." "A chama queimou muito rápido."
Decretavam seu óbito; davam-lhe a data de vencimento, já passada.
Chegou trôpego aos 26, longe do ideal, de pessoa, de atleta. Perdido em vícios, perdido em más companhias, perdido.
"Podia estar no auge, se não fosse tão desleixado." "Já foi bom, hoje é peso morto." "Lamentável."
Julgavam seus próprios erros, criticavam o que criaram, deixaram-lhe para o esquecimento, lembrariam apenas ao recordar más lembranças.
Com 28 voltou a ser um anônimo, sensação que mal viveu, desde pequeno era cobrado, desde menino sofria pressão, tinha de ser alguém, tinha de ser o melhor. Mas não agora, agora tinha de ser apenas ele mesmo, apenas feliz.
"Quem mesmo?" "Já perdemos a esperança." "..."
Estava livre, estava sozinho, estava pronto para dar o troco. Dessa vez sabia como fazer, não cairia nos mesmos truques, sabia que só teria uma chance.
30. Chegava à reta final, batalhou bastante e tinha recuperado a confiança que tinha, ou parte dela. As pessoas voltaram, mas ele soube lidar, tinha mais uma chance, provavelmente a última, de ser o melhor, pelo menos por 90 minutos. O tempo estava a seu favor, em diversos aspectos.
Aos 30 minutos, passou entre dois marcadores e deu um chute certeiro, no ângulo, a torcida foi ao delírio, ele explodiu de emoção, tirou sua camisa alvinegra, rodou-a, pulou, vibrou, recebeu uma punição.
A 1 minuto do final da primeira etapa, seu rival, que marcara há 8 anos, recebeu a bola, tirou do primeiro com um movimento plástico, de quebrar a espinha, pra lá e pra cá, o segundo veio e foi como o vento, passou pela bola sem nada encontrar, pois o cabeludo com a camisa grená e azul já estava arrematando, cruzado, sem chance para ninguém, a rede estufada, a alegria extravasada, e os dedos apontados para os céus, sabia que aos 35 esse podia ser um dos últimos que fazia.
Foi e voltou dos vestiários mudo, sem responder perguntas, sem responder provocações.
O embate foi ficando mais truncado, violento, cartões para ambos os lados, os protagonistas ficaram de lado, até que aos 85 minutos de partida o time do brasileiro recebeu uma penalidade, numa jogada confusa, empurrões para os dois lados um jogador no chão, o apito e o centro da grande área.
Ele pegou a bola no mesmo instante, pôs a bola sob o braço e seguiu para a marca da cobrança. Olhou para o goleiro, olhou para o alto. Ouviu a permissão. Inspirou, expirou. Sorriu, sorriu verdadeiramente, não era alegria, era felicidade, abriu um sorriso nada ousado. Deu dois passos, chutou, escorregou, foi para o chão, a bola para o alto, por cima da meta. Ficou lá, parado, sem saber o que fazer, relembrou o que viveu, perguntou-se se valeu a pena, se atingiu sua meta, não sabia como agir, continuou lá, deitado, com as mãos tapando o rosto. Ouvia um apito incessante, sua cabeça girava, levantou-se e percebeu que o apito não era da sua cabeça, o árbitro assinalou uma infração no momento da cobrança, o argentino invadira a área, teria outra chance.
Inspirou. Expirou. Sorriu. Correu. Chutou.
Pra fora, de novo.
Foi substituído, viu seus companheiros vencerem nas cobranças alternadas, comemorou com eles. Estava feliz, estava leve. Quando indagado por um das dezenas de repórteres presentes lá do outro lado do mundo, respondeu. "Esse sem dúvidas foi meu melhor e mais importante jogo. E o último também."
(Desceu, desceu, lentamente, e é gol! Goooooooooooooool! Do craque, do camisa 11! Do Brasil! Que golaço, por cima do goleiro, como ele sabe, vai Brasil, vamo vira!
Só pra não ficar entalado na garganta)
Fin
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
A nossa música.
Uma tarde normal de quarta-feira, quente e tediosa, bem no meio da semana. Um dia comum, sem grandes surpresas, sem grandes expectativas. Uma quarta-feira que mal se vive, entra no automático e espera o final da semana.
Uma fila imensa de carros se amontoava, carros barulhentos com motoristas furiosos. Buzinando, xingando. As luzes vermelhas, o sinal de Pare, a sirene, as buzinas. Carro atrás de carro, xingando, buzinando. Uma fila que nos irrita cada vez mais por nos fazer pensar na vida.
(o dia estava calmo demais para tudo dar certo)
Um aglomerado de curiosos, se amontoando neles mesmos, querendo ver o que aconteceu, chocados, surpresos. Dando pitacos, seus "eu-vi-o-que-aconteceu", atrapalhando tudo. Um aglomerado de espectadores da vida, frustrados por não poder mais seguir seus roteiros, tentando preencher o vazio entre uma novela e outra.
Uma ambulância e um carro de bombeiros, desesperados, abismados, incrédulos, fazendo de tudo para o salvar. Não conseguem entender o que veem, com cuidado cortam o que atrapalha, trazem curativos, trazem curas. Uma ambulância e um carro de bombeiros inúteis, que não curam a dor em seu peito.
(tudo estava indo tão errado que só poderia ser certo)
Um carro capotado, amassado, retorcido, seguido por uma marca de pneus no pavimento. Vidro espalhado, sangue esparramado. Um carro capotado, de ponta cabeça as coisas parecem fazer mais sentido.
(só parecem)
Um motorista ensanguentado, com a ferragem do carro perfurando a cavidade onde deveria estar seu coração, com os olhos para o rádio e as mãos no volante, sem prestar atenção em mais nada. Um motorista ensanguentado, sem coração, sem direção.
Uma música de amor, óbvia, utópica, sobre desencontros e enganos. Mas que traz lágrimas aos olhos de alguns, um sentimento melancólico, uma dor incalculável. Uma música de amor, afinal.
(pequei na vontade de ter um amor de verdade)
"Você está bem?" perguntou o paramédico. Esperei nossa música acabar, com o sangue escorrendo de minha testa, com uma lágrima escorrendo no meu rosto, disse-lhe "não... ainda sinto falta dela."
Uma fila imensa de carros se amontoava, carros barulhentos com motoristas furiosos. Buzinando, xingando. As luzes vermelhas, o sinal de Pare, a sirene, as buzinas. Carro atrás de carro, xingando, buzinando. Uma fila que nos irrita cada vez mais por nos fazer pensar na vida.
(o dia estava calmo demais para tudo dar certo)
Um aglomerado de curiosos, se amontoando neles mesmos, querendo ver o que aconteceu, chocados, surpresos. Dando pitacos, seus "eu-vi-o-que-aconteceu", atrapalhando tudo. Um aglomerado de espectadores da vida, frustrados por não poder mais seguir seus roteiros, tentando preencher o vazio entre uma novela e outra.
Uma ambulância e um carro de bombeiros, desesperados, abismados, incrédulos, fazendo de tudo para o salvar. Não conseguem entender o que veem, com cuidado cortam o que atrapalha, trazem curativos, trazem curas. Uma ambulância e um carro de bombeiros inúteis, que não curam a dor em seu peito.
(tudo estava indo tão errado que só poderia ser certo)
Um carro capotado, amassado, retorcido, seguido por uma marca de pneus no pavimento. Vidro espalhado, sangue esparramado. Um carro capotado, de ponta cabeça as coisas parecem fazer mais sentido.
(só parecem)
Um motorista ensanguentado, com a ferragem do carro perfurando a cavidade onde deveria estar seu coração, com os olhos para o rádio e as mãos no volante, sem prestar atenção em mais nada. Um motorista ensanguentado, sem coração, sem direção.
Uma música de amor, óbvia, utópica, sobre desencontros e enganos. Mas que traz lágrimas aos olhos de alguns, um sentimento melancólico, uma dor incalculável. Uma música de amor, afinal.
(pequei na vontade de ter um amor de verdade)
"Você está bem?" perguntou o paramédico. Esperei nossa música acabar, com o sangue escorrendo de minha testa, com uma lágrima escorrendo no meu rosto, disse-lhe "não... ainda sinto falta dela."
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O significado da vida.
É muito arriscado esperar a vida acabar pra ver se realmente há algo maior, o maior que deve haver em nossas vidas é a própria vida.
Sem carpe diem ou essas coisas já batidas, só precisamos nos dedicar ao que nos faz querer viver, algo pelo que morreríamos.
Não importa qual seja seu sonho, apenas siga-o, não importa se para os outros não seja nada de mais, quem sabe de mim sou eu. Siga em frente, olho aberto.
Quem sabe se a vida tem significado, não é uma ciência exata, só quero acreditar que perdurar é o caminho certo.
(Só quero me convencer de que escrever sobre amor não é desperdício de tinta.)
Sem carpe diem ou essas coisas já batidas, só precisamos nos dedicar ao que nos faz querer viver, algo pelo que morreríamos.
Não importa qual seja seu sonho, apenas siga-o, não importa se para os outros não seja nada de mais, quem sabe de mim sou eu. Siga em frente, olho aberto.
Quem sabe se a vida tem significado, não é uma ciência exata, só quero acreditar que perdurar é o caminho certo.
(Só quero me convencer de que escrever sobre amor não é desperdício de tinta.)
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
De tantos "estou ficando louca", fiquei louco.
"Estou ficando louca" quantas vezes você me disse isso?
5?
30?
todos os dias da nossa vida?
26280?
azul?
De tanto falar isso, acabei perdendo a sanidade. Dizia que pensava loucuras, que não sabia o que sentir, que não sabia como sentir.
Eu agora sei o que sinto e como sinto - mas isso não é bom. Sou louco por você! Meu juízo se foi quando você partiu.
Passo horas olhando para a parede, imaginando um mundo nosso, feliz, amável. Nosso.
Apenas eu e você. Criações de uma mente débil, que já não aceita a realidade, não aceita estar sem você.
Disse-me que estava louca, mas felizmente tomou razão, pensou direito, e partiu.
Levou meu coração e minha razão.
5?
30?
todos os dias da nossa vida?
26280?
azul?
De tanto falar isso, acabei perdendo a sanidade. Dizia que pensava loucuras, que não sabia o que sentir, que não sabia como sentir.
Eu agora sei o que sinto e como sinto - mas isso não é bom. Sou louco por você! Meu juízo se foi quando você partiu.
Passo horas olhando para a parede, imaginando um mundo nosso, feliz, amável. Nosso.
Apenas eu e você. Criações de uma mente débil, que já não aceita a realidade, não aceita estar sem você.
Disse-me que estava louca, mas felizmente tomou razão, pensou direito, e partiu.
Levou meu coração e minha razão.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
No fundo do poço.
- Socorro! Socorro! - Gritava o garoto de dentro do poço.
Quem passava por lá simplesmente o ignorava. Ignoravam seus pedidos de ajuda, como se não ouvissem nada, por mais alto que gritasse, por mais que implorasse por auxílio, não davam a menor atenção, não queriam se responsabilizar, não queriam fazer parte do problema.
Gritou e gritou e gritou, até que um conhecido o ouviu, e foi ajudá-lo.
- Felipe, é você? - Perguntou para o rapaz preso no fundo do poço.
- Sim, sou eu, por favor, eu estava sentado na beirada do poço e acabei caindo, a garota que estava comigo mal percebeu minha queda, e foi embora achando que eu não queria ter mais com ela.
- Bom, tente sair daí, não consegue?
- Não, não consigo, já tentei de todas as formas, preciso que me ajudem, sozinho não saio daqui. - Explicou o jovem no poço.
- Tudo bem, tudo bem, espere um pouco que vou conseguir ajuda. - Disse o outro antes de ir.
O garoto esperou, esperou, ainda tentou mais um pouco sair sozinho, mas sabia que era em vão, não havia como sair daquele poço.
- Felipe? Disseram-me que estava preso aqui, e realmente é verdade, por que não se esforça para sair daí? - Perguntou sua amiga.
- Mas eu tentei! Apenas não consigo, preciso que me ajudem. - De prontidão respondeu.
- Bom, acho é que você não quer sair daí sozinho, quer que todos se esforcem para te tirarem daí.
- Que besteira, se eu pudesse eu sairia, que ganho preso aqui? Atenção? A atenção que receberia aqui não seria boa, por favor, só quero que me ajude, não preciso de conselhos agora. - Explicou-se.
- Deixe de drama, já vi muita gente cair em poços e sair sozinho, não menospreze meus conselhos, porque quero que entenda que só você pode se ajudar. - Ela disse.
E assim foi, muitos foram lá e falaram que ele devia sair, que deveria querer, aconselharam, deram dicas, oraram e tentaram dar forças para que ele saísse, mas de nada adiantou.
Até que alguém lhe jogou uma corda e o ajudou a sair, tirou-lhe do fundo do poço, no qual pereceria se não tomassem uma atitude.
Quem passava por lá simplesmente o ignorava. Ignoravam seus pedidos de ajuda, como se não ouvissem nada, por mais alto que gritasse, por mais que implorasse por auxílio, não davam a menor atenção, não queriam se responsabilizar, não queriam fazer parte do problema.
Gritou e gritou e gritou, até que um conhecido o ouviu, e foi ajudá-lo.
- Felipe, é você? - Perguntou para o rapaz preso no fundo do poço.
- Sim, sou eu, por favor, eu estava sentado na beirada do poço e acabei caindo, a garota que estava comigo mal percebeu minha queda, e foi embora achando que eu não queria ter mais com ela.
- Bom, tente sair daí, não consegue?
- Não, não consigo, já tentei de todas as formas, preciso que me ajudem, sozinho não saio daqui. - Explicou o jovem no poço.
- Tudo bem, tudo bem, espere um pouco que vou conseguir ajuda. - Disse o outro antes de ir.
O garoto esperou, esperou, ainda tentou mais um pouco sair sozinho, mas sabia que era em vão, não havia como sair daquele poço.
- Felipe? Disseram-me que estava preso aqui, e realmente é verdade, por que não se esforça para sair daí? - Perguntou sua amiga.
- Mas eu tentei! Apenas não consigo, preciso que me ajudem. - De prontidão respondeu.
- Bom, acho é que você não quer sair daí sozinho, quer que todos se esforcem para te tirarem daí.
- Que besteira, se eu pudesse eu sairia, que ganho preso aqui? Atenção? A atenção que receberia aqui não seria boa, por favor, só quero que me ajude, não preciso de conselhos agora. - Explicou-se.
- Deixe de drama, já vi muita gente cair em poços e sair sozinho, não menospreze meus conselhos, porque quero que entenda que só você pode se ajudar. - Ela disse.
E assim foi, muitos foram lá e falaram que ele devia sair, que deveria querer, aconselharam, deram dicas, oraram e tentaram dar forças para que ele saísse, mas de nada adiantou.
Até que alguém lhe jogou uma corda e o ajudou a sair, tirou-lhe do fundo do poço, no qual pereceria se não tomassem uma atitude.
domingo, 12 de agosto de 2012
A ponta do iceberg.
O que se vê do iceberg é apenas uma pequena parcela de sua totalidade, sob o mar, escondida, está a maior parte.
(Muitos só veem o que está explícito e acham que viram tudo, estão enganados.)
(Muitos só veem o que está explícito e acham que viram tudo, estão enganados.)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
"Eu te avisei" - A viúva negra e o zumbi.
"Eu te avisei" dizia todo o ar que a cercava, sua calma, sua paz. "Eu te avisei" ressoava, por mais barulhento que estivesse em volta deles, era isso que ele ouvia.
Realmente, ela tinha avisado, mas ele não levava muita fé, encarou mais como um teste, uma provação, não como um alerta, e agora estava lá, com sua vida nas mãos dela.
Participando de seu jogo, como sempre o fez, apenas um peão num plano maior, por mais que achasse que sabia o próximo movimento ou tinha controle da situação, ela provava que estava completamente enganado.
Tinha medo, a coisa que mais temia estava para acontecer e ele não sabia como fugir disso, ela não falava nada, mas ele já sabia o que estava por vir, esse silêncio só podia significar uma coisa "Eu te avisei."
Como último recurso ele a olhou nos olhos, bem fundo, tentando encontrar um abrigo, ela o encarou de volta, mas seu olhar era doce, apaixonado, pedia pelo seu beijo, ele que estava com tanto medo, tanto medo, que não pode agir, reagir. Desviou o olhar.
Ela se aproximou, ele podia sentir sua respiração quente, aos pedaços, afobada. O olhou novamente, era como se o amor estivesse se esvaindo de seus olhos, de sua vida. Mas foi tão breve que ele não pôde notar, aproximou-se também.
Esquivou do beijo dele e sorriu.
"Eu te amo"
Disse finalmente, com seus lábios delicados.
"Eu tamb-" Foi interrompido com um beijo no pescoço. Percebeu que seu medo era injustificável, todos os avisos não passaram de mentiras, finalmente podia ficar em paz. Abraçou-a.
Com um golpe seco e rápido ela arrancou seu coração: "Nunca mais podemos nos ver, quero ficar sozinha."
Sem reação, ele não pôde fazer nada além de sangrar. Parado. Enquanto a vida se esvaia dele.
Se virou e foi embora, o rastro de sangue que ela deixava lhe dizia "Ela te avisou."
Com um rombo no peito, sem mais nada para sentir, racionalizou e concordou "Ela me avisou."
E caminhou no sentido contrário, um zumbi sem vida, rondando por aí até que acabem com esse limbo, esse sofrimento eterno. Evitando encontrar a viúva negra que levou seu coração. Que o amou e lamenta muito sua morte.
Até lamentar a do próximo.
Realmente, ela tinha avisado, mas ele não levava muita fé, encarou mais como um teste, uma provação, não como um alerta, e agora estava lá, com sua vida nas mãos dela.
Participando de seu jogo, como sempre o fez, apenas um peão num plano maior, por mais que achasse que sabia o próximo movimento ou tinha controle da situação, ela provava que estava completamente enganado.
Tinha medo, a coisa que mais temia estava para acontecer e ele não sabia como fugir disso, ela não falava nada, mas ele já sabia o que estava por vir, esse silêncio só podia significar uma coisa "Eu te avisei."
Como último recurso ele a olhou nos olhos, bem fundo, tentando encontrar um abrigo, ela o encarou de volta, mas seu olhar era doce, apaixonado, pedia pelo seu beijo, ele que estava com tanto medo, tanto medo, que não pode agir, reagir. Desviou o olhar.
Ela se aproximou, ele podia sentir sua respiração quente, aos pedaços, afobada. O olhou novamente, era como se o amor estivesse se esvaindo de seus olhos, de sua vida. Mas foi tão breve que ele não pôde notar, aproximou-se também.
Esquivou do beijo dele e sorriu.
"Eu te amo"
Disse finalmente, com seus lábios delicados.
"Eu tamb-" Foi interrompido com um beijo no pescoço. Percebeu que seu medo era injustificável, todos os avisos não passaram de mentiras, finalmente podia ficar em paz. Abraçou-a.
Com um golpe seco e rápido ela arrancou seu coração: "Nunca mais podemos nos ver, quero ficar sozinha."
Sem reação, ele não pôde fazer nada além de sangrar. Parado. Enquanto a vida se esvaia dele.
Se virou e foi embora, o rastro de sangue que ela deixava lhe dizia "Ela te avisou."
Com um rombo no peito, sem mais nada para sentir, racionalizou e concordou "Ela me avisou."
E caminhou no sentido contrário, um zumbi sem vida, rondando por aí até que acabem com esse limbo, esse sofrimento eterno. Evitando encontrar a viúva negra que levou seu coração. Que o amou e lamenta muito sua morte.
Até lamentar a do próximo.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Se meu maior medo era te perder, o que eu temo agora?
Pensemos na coisa que mais tenho medo, um verdadeiro pavor, de me dar aperto no coração e gelar a espinha. Que se eu pudesse, não precisaria encarar nunca, pois apenas a ideia de confrontar esse medo já me traz lágrimas aos olhos.
Pois então digamos que esse medo é algo inevitável e que chega sem aviso, não me dá tempo para preparo, não me dá chance de contra-atacar. Cai no meu colo como uma bomba nuclear, e me deixa os destroços.
Se meu maior medo era te perder, já não tenho mais medo de nada.
Se eu precisava de toda a coragem que podia encontrar para correr o risco por você, não me restou coragem alguma.
Sem temor e sem bravura eu sigo em frente, mas não de cabeça erguida.
É preferível olhar pro chão a ver que você não está lá na frente me esperando.
Dói menos olhar para meus passos trôpegos, do que te ver lá atrás longe de mim, tão longe que já não vejo se sorri ou se chora, se está com alguém ou se ainda está vago o espaço que eu ocupei ao seu lado.
Olho para meus pés e vejo que meu cadarço está desamarrado. Mas não tenho medo de cair, só não sei se terei coragem de levantar.
Pois então digamos que esse medo é algo inevitável e que chega sem aviso, não me dá tempo para preparo, não me dá chance de contra-atacar. Cai no meu colo como uma bomba nuclear, e me deixa os destroços.
Se meu maior medo era te perder, já não tenho mais medo de nada.
Se eu precisava de toda a coragem que podia encontrar para correr o risco por você, não me restou coragem alguma.
Sem temor e sem bravura eu sigo em frente, mas não de cabeça erguida.
É preferível olhar pro chão a ver que você não está lá na frente me esperando.
Dói menos olhar para meus passos trôpegos, do que te ver lá atrás longe de mim, tão longe que já não vejo se sorri ou se chora, se está com alguém ou se ainda está vago o espaço que eu ocupei ao seu lado.
Olho para meus pés e vejo que meu cadarço está desamarrado. Mas não tenho medo de cair, só não sei se terei coragem de levantar.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
As duas piores horas do dia.
Quando coloco a cabeça no travesseiro e espero o sono chegar, sono que não tarda, mas a espera me mata. Pensar que não vou acordar para te ver, que não demorarei a dormir pois estarei planejando o amanhã, com você. A cabeça no travesseiro pesa cada vez mais, cheia de preocupações, cheia de medo. E o coração aperta, aperto, longe. De você, de nós, o sono me leva pra qualquer lugar que você não esteja, que eu me esqueça.
E no dia seguinte eu acordo, minha cabeça dói, eu realmente não queria ter acordado, não porque trabalharei, não porque dormi 5 horas, mas porque eu abro meus olhos lentamente e não vejo os seus olhando para mim, sorrindo, vejo o despertador, ouço aquele som irritante, sei que nunca mais ouvirei seu bom dia, tão doce como você.
Não me leve a mal, não é que eu não pense em você no resto do dia, mas nessas horas é inevitável, portanto religiosamente esses dois momentos eu ficarei aqui, deitado, arrasado.
Entre as duas piores horas do dia, tenho alguns momentos alegres, que tentam fazer com que a dor que eu sinto antes e depois de dormir sejam esquecidas, mas dói, dói só de lembrar.
Boa noite, meu amor. Sonhe comigo.
E no dia seguinte eu acordo, minha cabeça dói, eu realmente não queria ter acordado, não porque trabalharei, não porque dormi 5 horas, mas porque eu abro meus olhos lentamente e não vejo os seus olhando para mim, sorrindo, vejo o despertador, ouço aquele som irritante, sei que nunca mais ouvirei seu bom dia, tão doce como você.
Não me leve a mal, não é que eu não pense em você no resto do dia, mas nessas horas é inevitável, portanto religiosamente esses dois momentos eu ficarei aqui, deitado, arrasado.
Entre as duas piores horas do dia, tenho alguns momentos alegres, que tentam fazer com que a dor que eu sinto antes e depois de dormir sejam esquecidas, mas dói, dói só de lembrar.
Boa noite, meu amor. Sonhe comigo.
sábado, 4 de agosto de 2012
Mesmo após trinta e cinco anos eu continuo perdidamente apaixonado por você.
O tempo é relativo. O tempo não existe.
Lembro que quando estava para te encontrar, o tempo passava tão lentamente, de forma sádica, como se quisesse nos afastar.
Lembro que quando estava contigo, ele voava de tal forma, que o dia se esvaia em minutos, como se quisesse que eu sentisse sua falta.
O tempo não existe. Há quanto tempo não te vejo? Há quanto tempo não digo que te amo...
O tempo passa mas você não, nós não. Se cada segundo sem você é uma vida, quanto tempo dura uma vida sozinho? Se uma vida contigo não seria suficiente, o para sempre duraria uma semana.
Mesmo após trinta e cinco anos eu continuo perdidamente apaixonado por você.
E tenho de admitir, esses anos foram difíceis de aguentar desde que você terminou tudo ontem.
Lembro que quando estava para te encontrar, o tempo passava tão lentamente, de forma sádica, como se quisesse nos afastar.
Lembro que quando estava contigo, ele voava de tal forma, que o dia se esvaia em minutos, como se quisesse que eu sentisse sua falta.
O tempo não existe. Há quanto tempo não te vejo? Há quanto tempo não digo que te amo...
O tempo passa mas você não, nós não. Se cada segundo sem você é uma vida, quanto tempo dura uma vida sozinho? Se uma vida contigo não seria suficiente, o para sempre duraria uma semana.
Mesmo após trinta e cinco anos eu continuo perdidamente apaixonado por você.
E tenho de admitir, esses anos foram difíceis de aguentar desde que você terminou tudo ontem.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Eu te odeio.
Afinal, é isso que você quer ouvir, não é? E o que eu não faço por ti?
Pois bem, eu te odeio. Odeio como seu abraço afasta todos os meus medos, odeio como meu coração bate rápido quando penso em nós. Pois bem, eu te odeio.
É muito mais fácil falar isso, sempre ouvi que falar de amor é uma coisa complexa, há quem diga que nunca amou, mas cada um de vocês, de nós, odeia. E eu, nesse caso, odeio você. Já ouvi os motivos mais idiotas e rasos para odiar. Então eu te odeio por te amar. É muito mais fácil falar isso.
Fique feliz, eu te odeio. E agora não temos nenhum motivo para sofrer com a distância, não há porque essa separação ser dolorosa, afinal, eu te odeio. Fique feliz.
Odeio sim, odeio seu sorriso, que me acalenta. Odeio seu beijo, que me esquenta. Odeio sim.
Quantas vezes preciso repetir que te odeio para que acredite? Quantas vezes?
Eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te amo. Opa.
Pois bem, eu te odeio. Odeio como seu abraço afasta todos os meus medos, odeio como meu coração bate rápido quando penso em nós. Pois bem, eu te odeio.
É muito mais fácil falar isso, sempre ouvi que falar de amor é uma coisa complexa, há quem diga que nunca amou, mas cada um de vocês, de nós, odeia. E eu, nesse caso, odeio você. Já ouvi os motivos mais idiotas e rasos para odiar. Então eu te odeio por te amar. É muito mais fácil falar isso.
Fique feliz, eu te odeio. E agora não temos nenhum motivo para sofrer com a distância, não há porque essa separação ser dolorosa, afinal, eu te odeio. Fique feliz.
Odeio sim, odeio seu sorriso, que me acalenta. Odeio seu beijo, que me esquenta. Odeio sim.
Quantas vezes preciso repetir que te odeio para que acredite? Quantas vezes?
Eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te odeio eu te amo. Opa.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Vômito.
Eu estava chegando ao encontro e senti um pouco de fome, então parei numa padaria qualquer e pedi um salgado, sabia que era melhor comer algo agora, a noite seria longa e eu sentia que não seria das melhores.
Enquanto comia aquela coxinha, senti que havia mandioca na massa, o que parece irrelevante, mas ultimamente eu vinha sentindo coisas demais para meu gosto, o que é um problema. Senti que estava atrasado e ao checar o relógio de parede tive certeza. Engoli o que restava do salgado e apressei o passo.
Todos estavam lá, senti uma faísca de alegria, mas não me preocupei pois sabia que logo passaria.
Senti que todos me esperavam, como se realmente me quisessem por perto, mas a primeira coisa que disseram ao me ver foi "vamos beber!", e assim foi, fomos a um mercadinho qualquer e compramos vodka barata, afinal, só queríamos ficar bêbados, e não um jantar gourmet. Senti que seria deveras fácil.
O primeiro gole queimou-me a garganta e senti aquele gosto ruim que já me traz más lembranças. Ia virando os copos e sentia cada vez menos, menos frio, menos medo, menos dor. Já não sentia nada, nem minha língua, nem meus dentes. Peguei um cigarro e não pude sentir seu odioso sabor, como já não sentia muito bem o chão em que pisava, tropecei e acabei queimando minha mão, sorte que nada senti. Enquanto andávamos derrubei o copo de meu amigo umas 3 vezes, mas só soube quando ele me disse, não senti que trombamos.
Cada vez sentia menos, menos e menos. Quando me passaram o beque, traguei com vontade mas nada senti, nem a menor brisa. Quando aquela garota beijou-me inteiro, não senti sua língua, quando pegou no meu pau, não senti o menor tesão.
Não, não sentia nada.
Bebi mais um pouco, fumei, nem sei mais o que fiz, só sei que não sentia.
Já na sarjeta, com o joelho sangrando depois de um tombo em que não senti merda nenhuma. Eu me virei, me inclinei, e me preparei para vomitar tudo. Vomitei, a vodka, o energético, alguma coisa laranja - provavelmente fanta -, a fumaça. E só, aé, a coxinha também, mas achei estranho não ter mais nada lá dentro, eu não estava de estômago vazio antes de chegar.
Mas a verdade é que eu estava vazio sim.
E fiz isso tudo porque sentia, sentia sua falta.
Enquanto comia aquela coxinha, senti que havia mandioca na massa, o que parece irrelevante, mas ultimamente eu vinha sentindo coisas demais para meu gosto, o que é um problema. Senti que estava atrasado e ao checar o relógio de parede tive certeza. Engoli o que restava do salgado e apressei o passo.
Todos estavam lá, senti uma faísca de alegria, mas não me preocupei pois sabia que logo passaria.
Senti que todos me esperavam, como se realmente me quisessem por perto, mas a primeira coisa que disseram ao me ver foi "vamos beber!", e assim foi, fomos a um mercadinho qualquer e compramos vodka barata, afinal, só queríamos ficar bêbados, e não um jantar gourmet. Senti que seria deveras fácil.
O primeiro gole queimou-me a garganta e senti aquele gosto ruim que já me traz más lembranças. Ia virando os copos e sentia cada vez menos, menos frio, menos medo, menos dor. Já não sentia nada, nem minha língua, nem meus dentes. Peguei um cigarro e não pude sentir seu odioso sabor, como já não sentia muito bem o chão em que pisava, tropecei e acabei queimando minha mão, sorte que nada senti. Enquanto andávamos derrubei o copo de meu amigo umas 3 vezes, mas só soube quando ele me disse, não senti que trombamos.
Cada vez sentia menos, menos e menos. Quando me passaram o beque, traguei com vontade mas nada senti, nem a menor brisa. Quando aquela garota beijou-me inteiro, não senti sua língua, quando pegou no meu pau, não senti o menor tesão.
Não, não sentia nada.
Bebi mais um pouco, fumei, nem sei mais o que fiz, só sei que não sentia.
Já na sarjeta, com o joelho sangrando depois de um tombo em que não senti merda nenhuma. Eu me virei, me inclinei, e me preparei para vomitar tudo. Vomitei, a vodka, o energético, alguma coisa laranja - provavelmente fanta -, a fumaça. E só, aé, a coxinha também, mas achei estranho não ter mais nada lá dentro, eu não estava de estômago vazio antes de chegar.
Mas a verdade é que eu estava vazio sim.
E fiz isso tudo porque sentia, sentia sua falta.
sábado, 23 de junho de 2012
Ravena.
Minha vida sempre foi bem pacata, não que eu reclame, sempre fiz o tipo observador, analítico. Observo e apenas observo, não sou fã de ações, não de minha parte. Pois bem, chega de mim, não sou a personagem principal de nenhum conto e nem desejo.
Sem mais rodeios, agora lhes contarei sobre algo que me aconteceu há algum tempo, quando estava num período de observação de aves, e conheci alguém realmente interessante, espero que gostem.
Sem mais rodeios, agora lhes contarei sobre algo que me aconteceu há algum tempo, quando estava num período de observação de aves, e conheci alguém realmente interessante, espero que gostem.
Ravena
A tarde era irritantemente ensolarada, como um asqueroso dia veranil, uma tarde sorridente e alegre. Para evitar contrair essa felicidade, fugi para o campo onde eu passara as últimas semanas a observar a natureza, simples e complexa.
Apesar de apreciar tudo que podia lá, desde as pedras, plantas, até animais maiores, como vacas - que passavam de vez em quando para beber água -, admito que tinha uma preferência pelas aves, talvez por aquela velha ideia do homem que sonha em voar, talvez porque algumas coisas não tem explicação nenhuma, e eu apenas gostava delas.
Corrigindo: gostava até perceber um padrão - odiosos padrões, lógicas repulsivas - no comportamento delas, ou pior, perceber que seu comportamento era vazio, que estavam lá porque tinham de estar, sem questionar nada, sem voar para longe, sem bater as asas que tinham. Raramente as via voando, e quando voavam, era apenas de um grupo para outro, o mundo era tão grande, e elas mal sabiam, pois seu mundo era esse campo, que não era pouca coisa - pois tinha tudo que elas precisavam, água, frutas, árvores -, mas comparado ao resto, era nada.
Os flamingos, irritantes flamingos, andando em grupos, quase como se desfilando, com suas pernas longas e bela côr - bela até enjoar, o que leva menos de cinco minutos -, e um rei na barriga, sempre a se exibir para todos os outros, querendo se sentir superiores, embora somente eles achem isso.
Pavões, entediantes pavões, tentando provar quem é o melhor, o mais belo, com caudas ornamentadas e cores extravagantes, num concurso de beleza sem fim, sempre com novos enfeites, novas combinações, novas maneiras de parecer ridículos.
Águias, tão altivas, tão imponentes, tão irrelevantes. Sempre a sobrevoar o campo, tentando voar mais alto que as outras. Só isso que fazem, voam, sem objetivo, sem necessidade, só querem voar alto, mas não ligam para nenhum tipo de adrenalina, de prazer, querem apenas ser a mais alta. E aqui de baixo, estão tão alto que são todas iguais, não podemos discernir, e de nada adianta, pois, no fim, são as mesmas imbecis águias idênticas.
E o resto não foge disso, algos pelicanos tontos, umas andorinhas chatas, gaivotas dramáticas e toda espécie de pássaros que todos estamos acostumados a ver por aí.
Nessa tarde, entretanto, havia algo diferente. Algo no ar, um leve odor nauseante, pútrido, que invadiu minhas narinas e quase me fez vomitar. Enquanto engolia a bílis que subiu por minha garganta, olhei para onde vinha o fedor e vi uma vaca morta, em estado de decomposição. Já não vinha para cá há algumas semanas, que devia ser o tempo que ela estava lá. Todos os outros animais evitavam de se aproximar dela, fugindo do fedor intragável.
Fiquei alguns momentos a observar a carcaça, os vermes que se deliciavam com as entranhas do animal, os ratos que arrancavam pedaços apodrecidos dos seus ossos, as moscas sobrevoavam os detritos. E aí, fui pego de surpresa, quando um vulto negro se aproximou daquela cena, voando rapidamente, e uma das ratazanas tombou de lado, com as tripas saindo por um corte em suas costas. O vulto passou novamente e um olho de outra ratazana caiu de sua cabeça, envolta numa poça do sangue que começou a jorrar ininterruptamente do animal.
Ainda surpreso, vendo os animais em seu grito de agonia, sofrendo com a dor, irracionais, sem saber o que fazer, correndo desordenados, zonzos, perdidos. Um terceiro roedor deu um guincho ensurdecedor, sobre ele, atacando-o ferozmente, vi um corvo, sedento por sangue, ávido por carne. O corvo, belo, sujo, fúnebre, com um olhar doentio, e uma calma sepulcral, calculista. Apenas um vulto sombrio, que com bicadas compactas perfurava o animal indefeso, cada vez que lhe acertava, o grito era mais abafado, mais dolorido. O corvo, gélido, sem o menor pudor, sem qualquer empatia, abriu um buraco na cabeça do rato - que a essa altura já parara de reagir, com os olhos revirados e a boca espumando -, e comeu seus miolos lentamente, apreciando a refeição, como se estivesse sozinho em seu ninho.
As outras aves observavam a tudo estarrecidas, algumas se ouriçavam a cada ataque predatório do agouro negro, outras se enojavam e não aguentavam assistir a mais nenhum segundo daquela cena.
Quando saciou a sede pelo sangue do pequeno animal, o corvo pulou, com a graça de um ceifador, na carcaça putrefata. Revirou as tripas da vaca, e encontrou seu intestino, e rasgou-o abruptamente. A carne se desfazia no seu bico, e os pequenos pedaços caíam sobre os vermes que apreciavam cada segundo da carnificina.
Espremeu, rasgou, perfurou, mutilou. Banhou-se nos restos do animal, saboreou a podridão do morto. Enquanto algumas aves partiram, outras sentiam-se tentadas a fazer como o corvo, essa ave que nós nunca viramos antes, esse vulto negro que passou rapidamente por nós. E o Corvo, que ao contrário dos outros, não buscava exibir-se, voar alto, ou ser o mais belo, simplesmente levantou voo e partiu, solitário como apareceu para nós. Eu pude apenas acompanhar até onde meus olhos alcançaram, porém sei que essa experiência mudou muita coisa para todos nós. As aves que sempre comeram frutas e sementes, passaram a comer alguns peixes ou outros animais, mas nada tão grotesco quanto aquela vaca, ainda.
E quanto a mim, parei de observar pássaros, pois tenho certeza de que encontrei um dos mais belos exemplares de ave.
E o resto não foge disso, algos pelicanos tontos, umas andorinhas chatas, gaivotas dramáticas e toda espécie de pássaros que todos estamos acostumados a ver por aí.
Nessa tarde, entretanto, havia algo diferente. Algo no ar, um leve odor nauseante, pútrido, que invadiu minhas narinas e quase me fez vomitar. Enquanto engolia a bílis que subiu por minha garganta, olhei para onde vinha o fedor e vi uma vaca morta, em estado de decomposição. Já não vinha para cá há algumas semanas, que devia ser o tempo que ela estava lá. Todos os outros animais evitavam de se aproximar dela, fugindo do fedor intragável.
Fiquei alguns momentos a observar a carcaça, os vermes que se deliciavam com as entranhas do animal, os ratos que arrancavam pedaços apodrecidos dos seus ossos, as moscas sobrevoavam os detritos. E aí, fui pego de surpresa, quando um vulto negro se aproximou daquela cena, voando rapidamente, e uma das ratazanas tombou de lado, com as tripas saindo por um corte em suas costas. O vulto passou novamente e um olho de outra ratazana caiu de sua cabeça, envolta numa poça do sangue que começou a jorrar ininterruptamente do animal.
Ainda surpreso, vendo os animais em seu grito de agonia, sofrendo com a dor, irracionais, sem saber o que fazer, correndo desordenados, zonzos, perdidos. Um terceiro roedor deu um guincho ensurdecedor, sobre ele, atacando-o ferozmente, vi um corvo, sedento por sangue, ávido por carne. O corvo, belo, sujo, fúnebre, com um olhar doentio, e uma calma sepulcral, calculista. Apenas um vulto sombrio, que com bicadas compactas perfurava o animal indefeso, cada vez que lhe acertava, o grito era mais abafado, mais dolorido. O corvo, gélido, sem o menor pudor, sem qualquer empatia, abriu um buraco na cabeça do rato - que a essa altura já parara de reagir, com os olhos revirados e a boca espumando -, e comeu seus miolos lentamente, apreciando a refeição, como se estivesse sozinho em seu ninho.
As outras aves observavam a tudo estarrecidas, algumas se ouriçavam a cada ataque predatório do agouro negro, outras se enojavam e não aguentavam assistir a mais nenhum segundo daquela cena.
Quando saciou a sede pelo sangue do pequeno animal, o corvo pulou, com a graça de um ceifador, na carcaça putrefata. Revirou as tripas da vaca, e encontrou seu intestino, e rasgou-o abruptamente. A carne se desfazia no seu bico, e os pequenos pedaços caíam sobre os vermes que apreciavam cada segundo da carnificina.
Espremeu, rasgou, perfurou, mutilou. Banhou-se nos restos do animal, saboreou a podridão do morto. Enquanto algumas aves partiram, outras sentiam-se tentadas a fazer como o corvo, essa ave que nós nunca viramos antes, esse vulto negro que passou rapidamente por nós. E o Corvo, que ao contrário dos outros, não buscava exibir-se, voar alto, ou ser o mais belo, simplesmente levantou voo e partiu, solitário como apareceu para nós. Eu pude apenas acompanhar até onde meus olhos alcançaram, porém sei que essa experiência mudou muita coisa para todos nós. As aves que sempre comeram frutas e sementes, passaram a comer alguns peixes ou outros animais, mas nada tão grotesco quanto aquela vaca, ainda.
E quanto a mim, parei de observar pássaros, pois tenho certeza de que encontrei um dos mais belos exemplares de ave.
terça-feira, 19 de junho de 2012
O trem.
Em meio a tanta gente impaciente a aguardar na estação, os dois esperavam que ele nunca chegasse.
Por mais que tentassem aproveitar ao máximo um ao outro, não podiam evitar de pensar que o trem logo chegaria, e teriam de se despedir um do outro.
Um segundo que passava era um segundo que passaram, um sorriso a mais era um a menos para o último.
(A felicidade corria sorridente num dia ensolarado de verão, e a tristeza era sua sombra, que nunca saía de seu pé.)
O trilho inanimado trazia para perto deles o fim. Maldito trilho.
Um minuto que passava era um suspiro de alívio mas uma gota de suor frio.
Em meio a tanta gente impaciente a aguardar o trem, os dois - abraçados - o queriam cada vez mais longe.
Mais perto o trem se fez ver ao longe. E para evitar a visão, a dor e a solidão, beijaram-se até que ele chegasse.
De portas abertas fazia a última chamada para que os passageiros entrassem, e ela o olhou com tristes olhos.
Olhando para o trilho que trouxera o agouro de ferro deu sua sentença
"Pelo visto o trem não vai chegar tão cedo, vamos esperá-lo lá em casa."
Por mais que tentassem aproveitar ao máximo um ao outro, não podiam evitar de pensar que o trem logo chegaria, e teriam de se despedir um do outro.
Um segundo que passava era um segundo que passaram, um sorriso a mais era um a menos para o último.
(A felicidade corria sorridente num dia ensolarado de verão, e a tristeza era sua sombra, que nunca saía de seu pé.)
O trilho inanimado trazia para perto deles o fim. Maldito trilho.
Um minuto que passava era um suspiro de alívio mas uma gota de suor frio.
Em meio a tanta gente impaciente a aguardar o trem, os dois - abraçados - o queriam cada vez mais longe.
Mais perto o trem se fez ver ao longe. E para evitar a visão, a dor e a solidão, beijaram-se até que ele chegasse.
De portas abertas fazia a última chamada para que os passageiros entrassem, e ela o olhou com tristes olhos.
Olhando para o trilho que trouxera o agouro de ferro deu sua sentença
"Pelo visto o trem não vai chegar tão cedo, vamos esperá-lo lá em casa."
terça-feira, 12 de junho de 2012
Minha flôr.
Conhecemo-nos e disseram-me "Ela é forte." Você era forte, até onde eu sabia...Nós conversávamos e você sorria, destemida, forte e altaneira.
Ao passar dos dias, continuava daquela maneira, distante e guerreira. Mas, por um segundo, deixou-me me aproximar.
Ria com um belo sorriso, inocente porém seguro. Queria fazê-la sorrir mais, estar mais próximo, mais próximo, e deu-me uma abertura, uma óbvia e utópica.
O tempo passou e tudo mudou, conheceu um lado meu que era só meu, e passou a ser nosso, pois mais que meu desejo de compartilhá-lo, sua vontade de acolhê-lo fez com que tudo desse certo, até então.
Logo, estávamos cada vez mais unidos, pela palavra e pelo ato, pela letra e pelo ler. mostrava-me suas fraquezas, mesmo de longe, via silhuetas do desconhecido, do oculto.
Intruso, era assim que me sentia, como se tivesse entrado em sua casa sem ser convidado. Assegurou-me que não, que era mais que benvindo, que podia me deitar e me acomodar. Tirei meus sapatos.
Tudo era tão diferente, tão novo, mas faltava algo, uma parte de você que eu não conseguia entender. Então confidenciou-me "Dizem que sou forte, mas sou delicada e sensível, como um Lírio, em toda sua essência." E quando as peças se encaixaram, não podia me referir de outra maneira, que não
Amor.
Ao passar dos dias, continuava daquela maneira, distante e guerreira. Mas, por um segundo, deixou-me me aproximar.
Ria com um belo sorriso, inocente porém seguro. Queria fazê-la sorrir mais, estar mais próximo, mais próximo, e deu-me uma abertura, uma óbvia e utópica.
O tempo passou e tudo mudou, conheceu um lado meu que era só meu, e passou a ser nosso, pois mais que meu desejo de compartilhá-lo, sua vontade de acolhê-lo fez com que tudo desse certo, até então.
Logo, estávamos cada vez mais unidos, pela palavra e pelo ato, pela letra e pelo ler. mostrava-me suas fraquezas, mesmo de longe, via silhuetas do desconhecido, do oculto.
Intruso, era assim que me sentia, como se tivesse entrado em sua casa sem ser convidado. Assegurou-me que não, que era mais que benvindo, que podia me deitar e me acomodar. Tirei meus sapatos.
Tudo era tão diferente, tão novo, mas faltava algo, uma parte de você que eu não conseguia entender. Então confidenciou-me "Dizem que sou forte, mas sou delicada e sensível, como um Lírio, em toda sua essência." E quando as peças se encaixaram, não podia me referir de outra maneira, que não
Amor.
Gosto de você.
Gosto de sair com você.
Gosto de ir para lugares diferentes.
Gosto de ir para lugares iguais.
Gosto de fazer coisas divertidas.
Gosto de fazer coisas chatas.
Gosto de almoçar.
Gosto de jantar.
Gosto de passar fome.
Gosto de passar frio.
Gosto de passar a tarde.
Gosto de matar tempo.
Gosto de matar saudades.
Gosto de matar vontade.
Gosto de viver.
Gosto de te ver.
Gosto de você.
Gosto muito.
Se gosto.
Escrever pra quê?
Pediste-me, mesmo sem pedir,
que lhe escrevesse qualquer coisa boba,
qualquer coisa de amor.
E, é claro, fiquei a pensar nisso,
pensar em que escrever,
para que se sentisse querida, minha querida.
Pensei, pensei.
Pensei em ti.
Em nós.
Pensei, pensei.
E desisti,
não de ti, tampouco de nós,
Mas do papel e de todas as palavras.
Escrever pra quê?
Escrever pra quê?
Prefiro viver,
não escreverei de como adoro o seu beijo,
seu beijo doce, seus delicados lábios,
sua respiração, sincronizada com a minha.
Ó, não escreverei sobre seu beijo,
beijá-la-ei.
E olharei fundo nos seus olhos,
que me sorriem,
ao invés de dizer como são belos,
e compará-los a seja lá a coisa bela que me vier,
pois são mais que isso, são incomparáveis,
quando olham para mim.
E que se dane como descrevo seu abraço,
seu corpo,
seu amor.
Quem liga para tantas palavras,
tantas descrições.
Quando se tem a realidade,
quando se tem você.
Escrever pra quê?
Prefiro você.
Inverno.
Fico aqui a ver jovens apaixonados, com musas tão diferentes, mas tão semelhantes. Gosto particularmente daquelas que trazem sempre consigo uma estação, que tem o dom de mudar tudo a seu redor, simplesmente com sua presença.
Ouvi dizer de uma garota que, por onde passasse, o verão estava com ela, um dia ensolarado e quente. Aquele que se apaixonou por ela sempre sentia o calor do amor dela, saíam juntos sempre, faziam de tudo, tudo mesmo, numa noite que chega a esquentar ainda mais que o dia veranil.
E existe também uma mais meiga e afável, e junto dela vinha a primavera. Sempre a saltitar, por entre flores e pássaros, num clima primaveril, de alegria e inocência.
Há também aquela, um pouco menos amorosa, menos colorida, como o Outono. Calma, sóbria e serena, quase melancólica, mas ainda sim vívida. Pode não ser a melhor das amantes, mas é uma companhia bem agradável e adorável, como um entardecer outonal.
Mas a minha, não, é tão única e singular, não farei surpresa porque nem possível isso seria, é claro que com ela vem o inverno! E, não mentirei, quando estou com ela, é frio e chuvoso, mas não é algo ruim, pelo contrário, amigos. Podemos ficar abraçados o dia todo, a noite toda, a vida toda. Todos nossos beijos são beijos na chuva, e não há nada que podem fazer sobre isso.
Longe de mim falar que ela é a melhor - mesmo ela sendo -, ou falar mal das outras, mas ficar abraçado no verão é ficar suado, e não dá pra se amar todo grudento. E na primavera, às vezes, podemos nos sentir obrigados a ir colher flores e fazer piqueniques, ao invés de ficar em casa, sem fazer nada tão útil assim, só ter um ao outro. E, bem, o Outono, depois do belo entardecer cinematográfico, estão recolhendo as folhas secas no quintal, então não comentarei.
Por mim, que o frio nunca vá embora, que a chuva ainda caia sobre nós, pois, estando contigo, o tempo sempre será o melhor de todos.
Sofro.
Nem tudo na alegria é sorriso, querida. Tudo tem dois lados, e por mais feliz que eu esteja, admito, sofro.
Mas, minha flôr, não leve a mal, é natural. Pois aposto que também deve sentir isso, hora ou outra, são pequenos sofrimentos, que vem junto com esse sentimento.
Sofro, quando preciso te deixar, preciso dar um último beijo e sofrer a angústia da despedida.
Sofro, como sofro, de saudades, pensando em ti o dia todo, sonhando contigo a noite inteira.
Sofro, e muito, com medo de perder, medo bobo, mas aceitável.
Eu sofro, algumas vezes, mesmo sem razão. Eu sofro e é tudo culpa do meu coração.
Sofro mas aceito, sofro mas você vale.
Mas, minha flôr, não leve a mal, é natural. Pois aposto que também deve sentir isso, hora ou outra, são pequenos sofrimentos, que vem junto com esse sentimento.
Sofro, quando preciso te deixar, preciso dar um último beijo e sofrer a angústia da despedida.
Sofro, como sofro, de saudades, pensando em ti o dia todo, sonhando contigo a noite inteira.
Sofro, e muito, com medo de perder, medo bobo, mas aceitável.
Eu sofro, algumas vezes, mesmo sem razão. Eu sofro e é tudo culpa do meu coração.
Sofro mas aceito, sofro mas você vale.
domingo, 3 de junho de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Caprinae. (ou O telefonema. - parte 2)
"Vocês. Não. Sabem. Bater?!" Perguntou o coelho cinzento velho e rabugento que se encontrava atrás de uma mesa chata de escritório, contando moedas. "cê vai ver o que é bater quando eu for quebrar sua cara, velhote!" Eu respondi erguendo meu punho. "Ei, calma, ele é meu avô querido, apesar de tudo, não faça isso com ele, poxa..." Shorty disse, com uma pitada de tristeza, mas demonstrando indiferença. "Sim, não bata no avô de Shorty, sim." Mecanicamente disse Toby. (estávamos começando a nos preocupar com ele). "mó onda..." Completou Johnny, pra não ser o único a ficar quieto e para não esquecermos dele.
"Vocês! Vocês crianças pensam que podem entrar no meu escritório e começarem a zonear?! Quem vocês pensam que são? Precisam de uma boa dose de realidade, isso sim. Para saírem desse mundo de sonhos em que vivem e encararem o mundo como ele realmente é, cru e nu." Esbaforiu o Marechal por entre o bigode branco e espesso de Marechal. "Cara, cara, cê quer saber quem somos nós? nós somos... bom, ainda não bolamos um nome pra nossa trupe, mas quando bolarmos será um nome tão maneiro que você vai querer fazer parte e nós te recusaremos só de maldade!" Eu respondi demonstrando imponência. Tirei meu chapéu côco e procurei algo bem lá no fundo, aha!, olhei para o Coelho Líder enquanto puxava algo de lá de dentro "e mais uma coisa, acho que você que tá precisando encarar a realidade!" e tirei um animal quadrúpede; com chifres em fase de crescimento; uma barbinha e pêlos amarronzados, de lá de dentro. "Uma cabra?" Perguntou o coelho, sem entender nada. "Pense de novo, mané! Um cabrito!".
O cabrito então abriu seus olhos.
Todos prenderam a respiração, atentos, ansiosos. Mas ele ficou imóvel. Ninguém ousava se mexer, sequer questionar o cabrito. Quando um deles foi dizer algo, o cabrito começou a crescer, inflar, aumentava de tamanho gradativamente, era como uma bola amarronzada e com chifres. Começou a lacrimejar devagar. As lágrimas se tornaram mais densas, até que uma corrente de água saia de seus olhos. Olhos que ele fechou novamente. "béééé!" Soltou um balido e !KABUM! explodiu.
Um riacho saiu de dentro dele, cheio de peixes, tartarugas e aranhas. Pedaços de troncos com duendes pendurados neles boiavam na água. A corrente foi de encontro com as paredes do casebre, que ruíram. Mas o teto não caiu, continuou lá em cima, protegendo a todos. A água logo encheu a colina à nossa volta e fez com que a casa se tornasse uma ilha, um helicóptero se aproximou da ilha e soltou uma escada na direção do teto, seres esponjosos desceram pela escada e pularam na água, absorvendo-a toda. Os peixes que estavam no mar, sem ter para onde ir, criaram pernas e braços, e pegaram o primeiro táxi que os levasse a um lugar bem húmido e calmo. As esponjas, vendo que seu serviço tinha sido concluído, pegaram latas de gasolina, embeberam-se do combustível e atearam fogo em si mesmas. Um incêndio incontrolável tomou conta da região, destruindo tudo em seu caminho - inclusive os pobres duendes e as tartarugas, que não tiveram nem tempo, nem vontade de fugir - com línguas de chamas e labaredas violentas. Até que encontraram um tronco de árvore, que cansado de tanto descaso e um histórico de florestas inteiras serem dizimadas por conta desses incêndios estúpidos que não olham por onde andam, resolveu tomar uma atitude.
O tronco colocou suas raízes no chão e começou a crescer, pediu ajuda ao Sol que brilhava lá no céu azul daquele dia (ou noite, já não sei mais e não tem importância) e começou a fazer seja lá o que as plantas fazem para crescer, cresceu, cresceu, cresceu, multiplicou-se, eram dois, quatro, oito, uma vastidão de árvores, de todos os tamanhos e cores, uma floresta inteira que batalhava com aquele incêndio bestial. A força de vida que emanava daquele embate foi tanta, que fez com que os duendes renascessem, num estado de semi-morte. A floresta crescia mais e mais, com copas que podiam tapar o sol completamente e troncos que poderiam atravessar o planeta inteiro, uma delas, cresceu tanto que acabou batendo em outro planeta. O incêndio estava se esvaindo cada vez mais, pois, apesar das árvores produzirem oxigênio, elas estavam segurando a respiração, e o fogo não podia se propagar sem o ar delas. As chamas foram se reduzindo, diminuindo, até que restou apenas um pequeno fogo. As árvores então diminuíram, descansaram, restando apenas algumas para cobrir o último fogo. Mas antes que elas chegassem à chama que dava seus suspiros finais, foram atacadas. Pararam e viraram-se para reagir, mas não viram nada. Mais um chute, alguns socos, estavam sendo agredidas por seres invisíveis, parando para observar, podiam perceber algo se movimentando, mas não sabiam o que era. E um direito, um cruzado, as árvores estavam perdendo e nada podiam fazer, até que uma cabeça apareceu. Uma cabeça comprida e escura, sem igual nesse planeta, o duende a segurava e, logo depois, a devorou. Era um duende zumbi, afinal, os outros duendes atacaram o que restou dos aliens invisíveis que haviam invadido o planeta num descuido da árvore que cresceu demais. Quando não restava mais nenhum alien à vista(?). Deixaram as árvores terminar o que faziam.
Esse era o funeral do fogo que estava pegando árvore (uma sutil e honrada ironia pelas árvores que pegam fogo), enquanto os duendes zumbis assistiam a tudo, com o que restava dos aliens invisíveis no chão. Até que apareceram mais alguns cabritos, todos olharam para eles "béééé".
Eles baliram.
Tudo voltou ao normal, as paredes reconstruídas, os cabritos sumiram, o funeral acabou. "O que foi isso?", disse uma voz grossa, quase que rugindo, assustados viramos e vimos um gorila de mais de 2 metros, com um tapa olho e um chapéu de pirata. "Q-quem, é você?!" Johnny perguntou, apavorado. Ele colocou as mãos pra frente e as observou, uma das mãos era um gancho de ferro, que ele usou para ver seu reflexo. Com um tom de incerteza, nos disse "Sou eu... poxa, sou o Toby, o que aconteceu comigo!" "Ah, cara... pelo que parece, você é um piratão, tá ligado?" Explicou Johnny "cê acabou de ver várias bizarrices, mermão, isso né nada" completou. "Verdade... mas por quê?" Insistiu Toby "ah, sei lá, bróder, olha do seu lado, também apareceu uma coelha de repente, também é esquisito" Finalizou Johnny, e de fato havia uma coelha ao lado de Toby, ficamos tão surpresos com o gorila que mal vimos a coelha, "E o Johnny tá com uma prancha de skate ao invés de surf, não me julguem" a coelha disse. "uou, cara! como assim" ele falou, "Bom, na verdade, é tudo culpa do Cabrito", eu comecei, "ele fez com que nossos sonhos se realizassem, sabe." "Ahhh, faz sentido, então eu sou um destemido e famoso pirata do mar!" Disse Toby alegre, "M-mas, eu não quero andar de skate, eu sou um surfista! caras! um surfista..." exclamou Johnny, até que caiu sobre os joelhos e começou a chorar "tá bom, eu sempre quis andar de skate, mas sou uma águia do mar, não tinha como, o surf é ótimo, mas não é como o skate, foi mal, caras, não devia ter mentido para vocês..." Então nós três o abraçamos. "Vai lá andar de skate, carinha" Eu disse, e ele pegou o skate, pulou na janela mais próxima e disse "não me esquecerei de vocês, mas o mundo é minha casa, adeus", quando foi saltar, virou para nós "E afinal, quem é essa coelha aí? e cadê o Shorty? e por que o marechal tá vestido de astronauta? falô", fez um sinal de hangloose e foi embora.
"Eu sou a Shorty" disse a coelha, depois de amargurarmos a partida de Johnny, "A Shorty? Shorty era uma menina?" Perguntou Toby, atônito, "Claro que eu era uma menina, bobo, e ainda sou, mas meu sonho sempre foi ser uma grande mulher, sabe, pois eu sempre fui tão pequenina... ninguém nunca gostou de mim assim." Ela disse, com ar de tristeza. "Eu gostei" disse Toby, tímido "pequenina... e agora também está linda", Shorty, que agora era uma coelha grande e bela, com cabelos compridos e brilhantes, corou como uma garotinha, "mesmo?" perguntou, com a voz trêmula, "você também chamou minha atenção" Toby não tinha um sorriso bobo no rosto como das outras vezes, pelo contrário, estava sério, com um olhar decidido, olhou para Shorty, pegou-a nos braços e pulou na janela que Johnny deixara aberta. Virou-se para mim e disse "não queria ter de ir, mas preciso seguir meu coração, sabe..." "Vá, Toby, sejam felizes, tchau Shorty". Shorty acenou e Toby estava com um sorriso bobo no rosto, "e por que o almirante tá com uma roupa de astronauta?" Ele perguntou, antes de ir.
"Meu sonho... sempre foi ser um astronauta. Papai e mamãe achavam bobeira, mas eu não, queria ir à lua, em um foguete. E agora eu sou um astronauta de verdade, e admito que estou feliz. É bem melhor que ficar no escritório o dia inteiro me preocupando com o dinheiro. Acho que finalmente entendi, meu jovem, obrigado por tudo." Quando estendeu a mão para me cumprimentar, a casa começou a tremer abruptamente. "O que é isso?" Ele perguntou, apavorado. "Óbvio, não seria tão fácil assim", eu disse, resiliente. O teto então foi retirado de nossas cabeças, lá fora estava o palhaço que Shorty nos contara, mas ele era gigante, acho que ela esqueceu dessa parte. Gigante ou não, teríamos de derrotar o palhaço para finalmente acabar com essa história toda. Apontei para ele e gritei "Palhaço!". Ele então bateu os braços nos peitos como se fosse um gorila gigante, e começou a jogar batatas nas nossas cabeças, e depois tomates, por mais que nos machucasse ou sujasse, não seria o bastante para nos matar, porém também não sabíamos o que fazer para derrotá-lo, foi aí que o coelho astronauta teve uma ideia. Em meio a uma chuva de batatas, tomates, alfaces e picles, dirigiu-se à sua mesa e pegou uma maleta e a abriu. Notas e mais notas de dinheiros recheavam a mala. "É isso que importa pra você, não é?! Dinheiro!" Ele disse, raivoso, "então toma." Pegou uma nota, fez uma bolinha, e arremessou no palhaço, que rugia de ira. Batatas, tomates, alfaces, picles, queijo. Ele jogava tudo que via pela frente. O marechal pegou mais uma nota, fez um aviãozinho e o jogou em mim, finalmente entendi o seu plano. Mais rápido que o último capítulo dessa história - o que não precisa ser tão veloz, pois ele é longo - cheguei do lado do almirante e comecei a pegar algumas notas também. Fiz um origami, aviões, bolinhas de papel, comi alguns dos picles, comi e usei o dinheiro como guardanapo, sob a chuva de batata, tomate, alface, picles, queijo, cebola e molho especial, o dinheiro era apenas papel, e não tinha valor nenhum. Apenas papel.
O palhaço então, desesperançoso, viu que nada mais conseguiria e foi embora com seu circo, sabe-se lá para onde. Saímos da casa, e vimos que todos os coelhos guerreiros estavam nos aguardando, o almirante tirou seu capacete e acenou para todos. Todos aplaudiram, gritaram seu nome, jogavam flores. Ele pediu para que fizessem silêncio e disse "façam o que sempre fazemos, homens!". Mais e mais palmas, ovações. O almirante me cumprimentou e disse. "Fico feliz deles terem ligado para você, André, sem você não teríamos conseguido." "mas" Eu parei de sorrir e disse "Meu nome é felipo e não André." Surpreso, o astronauta voltou correndo para o escritório, pegou o telefone e teclou redial, pegou uma lista de contatos e disse-me "hahaha acho que foi engano!". Rimos mais um pouco, pensando na ironia disso tudo, até que ele me perguntou "mas, por que você não mudou, afinal? você não tem nenhum sonho?" Eu olhei para o alto e disse "eu já estou vivendo o sonho."'
Disse o rapaz, para o casal para à sua frente.
- Entenderam? - ele perguntou.
- Não, cara, não entendemos, a gente só queria saber como chegar na Avenida Marc C. e você não ajudou em nada. - Respondeu o rapaz, furioso.
- Ah, desculpa, achei que você tinha perguntado como eu faço pra ser tão maneiro... essa avenida eu não conheço, foi mal. - Então ele deu meia volta e foi embora, cantarolando, sorrindo e sonhando.
"Vocês! Vocês crianças pensam que podem entrar no meu escritório e começarem a zonear?! Quem vocês pensam que são? Precisam de uma boa dose de realidade, isso sim. Para saírem desse mundo de sonhos em que vivem e encararem o mundo como ele realmente é, cru e nu." Esbaforiu o Marechal por entre o bigode branco e espesso de Marechal. "Cara, cara, cê quer saber quem somos nós? nós somos... bom, ainda não bolamos um nome pra nossa trupe, mas quando bolarmos será um nome tão maneiro que você vai querer fazer parte e nós te recusaremos só de maldade!" Eu respondi demonstrando imponência. Tirei meu chapéu côco e procurei algo bem lá no fundo, aha!, olhei para o Coelho Líder enquanto puxava algo de lá de dentro "e mais uma coisa, acho que você que tá precisando encarar a realidade!" e tirei um animal quadrúpede; com chifres em fase de crescimento; uma barbinha e pêlos amarronzados, de lá de dentro. "Uma cabra?" Perguntou o coelho, sem entender nada. "Pense de novo, mané! Um cabrito!".
O cabrito então abriu seus olhos.
Todos prenderam a respiração, atentos, ansiosos. Mas ele ficou imóvel. Ninguém ousava se mexer, sequer questionar o cabrito. Quando um deles foi dizer algo, o cabrito começou a crescer, inflar, aumentava de tamanho gradativamente, era como uma bola amarronzada e com chifres. Começou a lacrimejar devagar. As lágrimas se tornaram mais densas, até que uma corrente de água saia de seus olhos. Olhos que ele fechou novamente. "béééé!" Soltou um balido e !KABUM! explodiu.
Um riacho saiu de dentro dele, cheio de peixes, tartarugas e aranhas. Pedaços de troncos com duendes pendurados neles boiavam na água. A corrente foi de encontro com as paredes do casebre, que ruíram. Mas o teto não caiu, continuou lá em cima, protegendo a todos. A água logo encheu a colina à nossa volta e fez com que a casa se tornasse uma ilha, um helicóptero se aproximou da ilha e soltou uma escada na direção do teto, seres esponjosos desceram pela escada e pularam na água, absorvendo-a toda. Os peixes que estavam no mar, sem ter para onde ir, criaram pernas e braços, e pegaram o primeiro táxi que os levasse a um lugar bem húmido e calmo. As esponjas, vendo que seu serviço tinha sido concluído, pegaram latas de gasolina, embeberam-se do combustível e atearam fogo em si mesmas. Um incêndio incontrolável tomou conta da região, destruindo tudo em seu caminho - inclusive os pobres duendes e as tartarugas, que não tiveram nem tempo, nem vontade de fugir - com línguas de chamas e labaredas violentas. Até que encontraram um tronco de árvore, que cansado de tanto descaso e um histórico de florestas inteiras serem dizimadas por conta desses incêndios estúpidos que não olham por onde andam, resolveu tomar uma atitude.
O tronco colocou suas raízes no chão e começou a crescer, pediu ajuda ao Sol que brilhava lá no céu azul daquele dia (ou noite, já não sei mais e não tem importância) e começou a fazer seja lá o que as plantas fazem para crescer, cresceu, cresceu, cresceu, multiplicou-se, eram dois, quatro, oito, uma vastidão de árvores, de todos os tamanhos e cores, uma floresta inteira que batalhava com aquele incêndio bestial. A força de vida que emanava daquele embate foi tanta, que fez com que os duendes renascessem, num estado de semi-morte. A floresta crescia mais e mais, com copas que podiam tapar o sol completamente e troncos que poderiam atravessar o planeta inteiro, uma delas, cresceu tanto que acabou batendo em outro planeta. O incêndio estava se esvaindo cada vez mais, pois, apesar das árvores produzirem oxigênio, elas estavam segurando a respiração, e o fogo não podia se propagar sem o ar delas. As chamas foram se reduzindo, diminuindo, até que restou apenas um pequeno fogo. As árvores então diminuíram, descansaram, restando apenas algumas para cobrir o último fogo. Mas antes que elas chegassem à chama que dava seus suspiros finais, foram atacadas. Pararam e viraram-se para reagir, mas não viram nada. Mais um chute, alguns socos, estavam sendo agredidas por seres invisíveis, parando para observar, podiam perceber algo se movimentando, mas não sabiam o que era. E um direito, um cruzado, as árvores estavam perdendo e nada podiam fazer, até que uma cabeça apareceu. Uma cabeça comprida e escura, sem igual nesse planeta, o duende a segurava e, logo depois, a devorou. Era um duende zumbi, afinal, os outros duendes atacaram o que restou dos aliens invisíveis que haviam invadido o planeta num descuido da árvore que cresceu demais. Quando não restava mais nenhum alien à vista(?). Deixaram as árvores terminar o que faziam.
Esse era o funeral do fogo que estava pegando árvore (uma sutil e honrada ironia pelas árvores que pegam fogo), enquanto os duendes zumbis assistiam a tudo, com o que restava dos aliens invisíveis no chão. Até que apareceram mais alguns cabritos, todos olharam para eles "béééé".
Eles baliram.
Tudo voltou ao normal, as paredes reconstruídas, os cabritos sumiram, o funeral acabou. "O que foi isso?", disse uma voz grossa, quase que rugindo, assustados viramos e vimos um gorila de mais de 2 metros, com um tapa olho e um chapéu de pirata. "Q-quem, é você?!" Johnny perguntou, apavorado. Ele colocou as mãos pra frente e as observou, uma das mãos era um gancho de ferro, que ele usou para ver seu reflexo. Com um tom de incerteza, nos disse "Sou eu... poxa, sou o Toby, o que aconteceu comigo!" "Ah, cara... pelo que parece, você é um piratão, tá ligado?" Explicou Johnny "cê acabou de ver várias bizarrices, mermão, isso né nada" completou. "Verdade... mas por quê?" Insistiu Toby "ah, sei lá, bróder, olha do seu lado, também apareceu uma coelha de repente, também é esquisito" Finalizou Johnny, e de fato havia uma coelha ao lado de Toby, ficamos tão surpresos com o gorila que mal vimos a coelha, "E o Johnny tá com uma prancha de skate ao invés de surf, não me julguem" a coelha disse. "uou, cara! como assim" ele falou, "Bom, na verdade, é tudo culpa do Cabrito", eu comecei, "ele fez com que nossos sonhos se realizassem, sabe." "Ahhh, faz sentido, então eu sou um destemido e famoso pirata do mar!" Disse Toby alegre, "M-mas, eu não quero andar de skate, eu sou um surfista! caras! um surfista..." exclamou Johnny, até que caiu sobre os joelhos e começou a chorar "tá bom, eu sempre quis andar de skate, mas sou uma águia do mar, não tinha como, o surf é ótimo, mas não é como o skate, foi mal, caras, não devia ter mentido para vocês..." Então nós três o abraçamos. "Vai lá andar de skate, carinha" Eu disse, e ele pegou o skate, pulou na janela mais próxima e disse "não me esquecerei de vocês, mas o mundo é minha casa, adeus", quando foi saltar, virou para nós "E afinal, quem é essa coelha aí? e cadê o Shorty? e por que o marechal tá vestido de astronauta? falô", fez um sinal de hangloose e foi embora.
"Eu sou a Shorty" disse a coelha, depois de amargurarmos a partida de Johnny, "A Shorty? Shorty era uma menina?" Perguntou Toby, atônito, "Claro que eu era uma menina, bobo, e ainda sou, mas meu sonho sempre foi ser uma grande mulher, sabe, pois eu sempre fui tão pequenina... ninguém nunca gostou de mim assim." Ela disse, com ar de tristeza. "Eu gostei" disse Toby, tímido "pequenina... e agora também está linda", Shorty, que agora era uma coelha grande e bela, com cabelos compridos e brilhantes, corou como uma garotinha, "mesmo?" perguntou, com a voz trêmula, "você também chamou minha atenção" Toby não tinha um sorriso bobo no rosto como das outras vezes, pelo contrário, estava sério, com um olhar decidido, olhou para Shorty, pegou-a nos braços e pulou na janela que Johnny deixara aberta. Virou-se para mim e disse "não queria ter de ir, mas preciso seguir meu coração, sabe..." "Vá, Toby, sejam felizes, tchau Shorty". Shorty acenou e Toby estava com um sorriso bobo no rosto, "e por que o almirante tá com uma roupa de astronauta?" Ele perguntou, antes de ir.
"Meu sonho... sempre foi ser um astronauta. Papai e mamãe achavam bobeira, mas eu não, queria ir à lua, em um foguete. E agora eu sou um astronauta de verdade, e admito que estou feliz. É bem melhor que ficar no escritório o dia inteiro me preocupando com o dinheiro. Acho que finalmente entendi, meu jovem, obrigado por tudo." Quando estendeu a mão para me cumprimentar, a casa começou a tremer abruptamente. "O que é isso?" Ele perguntou, apavorado. "Óbvio, não seria tão fácil assim", eu disse, resiliente. O teto então foi retirado de nossas cabeças, lá fora estava o palhaço que Shorty nos contara, mas ele era gigante, acho que ela esqueceu dessa parte. Gigante ou não, teríamos de derrotar o palhaço para finalmente acabar com essa história toda. Apontei para ele e gritei "Palhaço!". Ele então bateu os braços nos peitos como se fosse um gorila gigante, e começou a jogar batatas nas nossas cabeças, e depois tomates, por mais que nos machucasse ou sujasse, não seria o bastante para nos matar, porém também não sabíamos o que fazer para derrotá-lo, foi aí que o coelho astronauta teve uma ideia. Em meio a uma chuva de batatas, tomates, alfaces e picles, dirigiu-se à sua mesa e pegou uma maleta e a abriu. Notas e mais notas de dinheiros recheavam a mala. "É isso que importa pra você, não é?! Dinheiro!" Ele disse, raivoso, "então toma." Pegou uma nota, fez uma bolinha, e arremessou no palhaço, que rugia de ira. Batatas, tomates, alfaces, picles, queijo. Ele jogava tudo que via pela frente. O marechal pegou mais uma nota, fez um aviãozinho e o jogou em mim, finalmente entendi o seu plano. Mais rápido que o último capítulo dessa história - o que não precisa ser tão veloz, pois ele é longo - cheguei do lado do almirante e comecei a pegar algumas notas também. Fiz um origami, aviões, bolinhas de papel, comi alguns dos picles, comi e usei o dinheiro como guardanapo, sob a chuva de batata, tomate, alface, picles, queijo, cebola e molho especial, o dinheiro era apenas papel, e não tinha valor nenhum. Apenas papel.
O palhaço então, desesperançoso, viu que nada mais conseguiria e foi embora com seu circo, sabe-se lá para onde. Saímos da casa, e vimos que todos os coelhos guerreiros estavam nos aguardando, o almirante tirou seu capacete e acenou para todos. Todos aplaudiram, gritaram seu nome, jogavam flores. Ele pediu para que fizessem silêncio e disse "façam o que sempre fazemos, homens!". Mais e mais palmas, ovações. O almirante me cumprimentou e disse. "Fico feliz deles terem ligado para você, André, sem você não teríamos conseguido." "mas" Eu parei de sorrir e disse "Meu nome é felipo e não André." Surpreso, o astronauta voltou correndo para o escritório, pegou o telefone e teclou redial, pegou uma lista de contatos e disse-me "hahaha acho que foi engano!". Rimos mais um pouco, pensando na ironia disso tudo, até que ele me perguntou "mas, por que você não mudou, afinal? você não tem nenhum sonho?" Eu olhei para o alto e disse "eu já estou vivendo o sonho."'
Disse o rapaz, para o casal para à sua frente.
- Entenderam? - ele perguntou.
- Não, cara, não entendemos, a gente só queria saber como chegar na Avenida Marc C. e você não ajudou em nada. - Respondeu o rapaz, furioso.
- Ah, desculpa, achei que você tinha perguntado como eu faço pra ser tão maneiro... essa avenida eu não conheço, foi mal. - Então ele deu meia volta e foi embora, cantarolando, sorrindo e sonhando.
Fim.
sábado, 28 de abril de 2012
O telefonema.
O portão para a ilha dos coelhos era enorme, gigante, colossal, imane, grande pacas. Devia ter uns 3 metros, o que é alto a beça, já que eu era o maior do trio e media 1,81m, e como eles eram um macaco e um pato, eles eram bem pequenos. Passando por aquele imponente portão dourado com insígnias por toda sua extensão, chegamos a um longo corredor com retratos de generais, comandantes, brigadeiros e outras patentes que não eram nome de doces de festa. Seu piso era gelado, ou pelo menos foi o que disse Toby pois eu não andava descalço por medo de pisar em pregos; a iluminação era precária, com lâmpadas fracas que vacilavam, apagando por instantes. E só. Nada mais havia naquele corredor misterioso, seguimos por sua extensão prestando atenção nos retratos e sempre chamando os outros quando víssemos algum bigode engraçado ou nome esquisito, o que quis dizer que parávamos a todo momento pois aqueles coelhos guerreiros certamente tinham nomes fora do comum e bigodes espetaculares. No final do corredor encontramos uma pequena porta. Mas bem pequena mesma, minúscula, nem mesmo Toby que era o menor de nós três conseguia entrar nela, olhamos um para os outros e não sabíamos o que fazer. Até que a coisa mais estranha aconteceu, um coelho apareceu correndo no início do corredor em nossa direção, e sim, eu sei que não é estranho vermos um coelho na ilha dos coelhos guerreiros, mas ele não tinha nada de guerreiro: usava um paletó vermelho e um colete amarelo, um pequeno par de óculos redondos e ao se aproximar de nós pegou um relógio do seu bolso e nos disse "Ai, ai ai, Vocês vão chegar atrasados demais!" e pulou numa toca que até então não tínhamos visto, talvez por sempre olharmos para frente ou para cima, ou não vimos simplesmente porque essa ilha era mais estranha do que parecia. De uma forma ou de outra, fomos atrás dele pois, de fato, estávamos tremendamente atrasados.
Ao sair do outro lado da toca encontramos um campo de batalha, literalmente, era um campo para batalhar, o lugar era até arrumadinho, não tava uma desordem com um monte de gente brigando, mas havia alguns sacos de areia espalhados, alvos, armas e outras coisas agressivas e violentas. Nas áreas de treinamento, encontramos diversos coelhos, grandes e sarados, todos eles vestiam uniformes de exército e tinham uma cara de que não gostavam de brincadeiras. Nenhum deles era parecido com aquele que seguimos. Exceto por um pequenino, que veio pulando em nossa direção, "Olá, vocês são o grupo mandado para salvar nosso líder?" Ele disse, com uma voz doce e meiga, capaz de derreter o coração mais gelado. "Sim, somos nós mesmo, prazer em te conhecer." Eu respondi, agachando-me para olhar o coelhito nos pequeninos olhos verdes e vívidos. "O prazer é todo meu, podem me chamar de Shorty", ele respondeu enquanto abria um sorriso brilhante e alegre, apesar da desgraça de seu povo. "Pois bem, Shorty, o que aconteceu exatamente?" eu questionei curioso, "Bom, isso tudo começou quando um circo veio para a ilha, ninguém quis ir vê-lo, mas também não pediram para que partisse imediatamente, pois não incomodava. Uma semana depois, e ainda sem visitantes, eu tive vontade de ir vê-lo, e forcei meu avô a me acompanhar, chegando lá tivemos de pagar um valor altíssimo para ver o show, mas não reclamamos. Assistimos ao espetáculo todo mas não me diverti... as pessoas que faziam os números pareciam infelizes e os animais mal-tratados, antes de ir embora meu avô foi conversar com o dono do circo sobre isso e o valo da entrada. O dono era um palhaço esquisito com nariz e cabelos vermelhos e uma roupa côr de sol, que apesar de palhaço tinha um ar muito sério, a princípio vovô estava irritado pelo que presenciáramos, porém, aos poucos, ele foi se acalmando, até que o palhaço tirou um bolo de dinheiro do bolso de seu macacão e deu a meu avô! Ele saiu sorrindo da sala do palhaço feio e me levou embora, desde então ele não quer saber de outra coisa que não dinheiro, e por isso passa o dia fazendo contas em sua sala." Explicou bem o coelho que falava rapidamente. Ficamos quietos por alguns segundos até que eu perguntei "e o que isso tem a ver com o vosso líder?" O coelho olhou para mim e riu. Uma risada infantil e tímida, todos rimos com ele, até que eu parei e disse "sério". O coelho olhou para mim e falou "O marechal é meu avô", então eu, Toby e Johnny soltamos um "ahhhhhhh". "Enfim, vou levar vocês até ele."
O coelho cinzento de rabo felpudo começou a nos guiar e fomos atrás dele, uns 5 metros à frente, vimos que Toby estava pregado no chão. Voltamos para lá e tentamos falar com ele, ele respirava pesado, com o olhar fixo para o horizonte. Cutucamos, batemos, chacoalhamos, e ele não reagia. Até que Shorty se aproximou um pouco mais dele e "TOBY!" Toby gritou seu próprio nome, e todos ficamos confusos, "Toby" ele repetiu. "Shorty" disse Shorty, tentando entendê-lo, "Toby... meu nome" o macaco falou, "Shorty, o meu nome" o coelho respondeu. "Prazer em conhecê-lo, Shorty, resolveremos seu problema com perfeição, não se preocupe." E saiu andando roboticamente.
Depois de aceitarmos a esquisitice de Toby, seguimos Shorty para a sala do Marechal. Passamos por mais campos de treinamento, semi-abandonados, pois na verdade estavam cheios de guerreiros mas eles não faziam nada, apenas olhavam para os equipamentos, com um olhar vazio, vagando pelo nada. Shorty nos disse que eles precisavam do Marechal para dizer o que deviam fazer, o engraçado é que eles faziam a mesma coisa de segunda a sexta, sem mudanças, mas ficavam sem norte na ausência de alguém para mandar neles. Dizer 'façam o que sempre fazemos, homens'. Estavam desamparados, mas não por muito tempo. Subindo uma colina, chegamos a uma casa pequena e simples, com uma escrita NÃO PERTURBE na frente da porta. Fomos perturbá-lo.
Continua.
domingo, 25 de março de 2012
Nariz.
A cinco passos da placa que dizia "Final", havia uma outra escrita "da", caminhando mais uns dois metros, encontramos uma terceira (ou quinta, se contarmos todas as que encontramos na ilha [ou terceira bilionésima quadragésima milionésima décima quarta milésima quinca-centésima septuagésima vigésima oitava, se contarmos todas as placas do mundo]) com os dizeres "ilha", mais a frente uma com "dos", seguindo via-se "coelhos" e, por último, "gueTROMBAros." Eu acho que a última placa, na verdade, devia estar escrito guerreiros, porém havia uma tromba na frente.
"Nariz, eu prefiro que chamem de nariz, vocês todos tem narizes diferentes - menos você," e apontou para Johnny "você tem um bico, que é diferente dos narizes, ou 'trombas', enfim, todos tem narizes diferentes, uns mais longos, outros achatados, o meu é apenas bem comprido e tem dois dedos na ponta." explicou o elefante que se encontrava atrás da placa que realmente continha a palavra guerreiros. "Eu não sabia que trombas tinh-" "NARIZES" urrou o elefante "narizes de elefantes tinham dedos... que esquisito." Disse Toby, "também quero um!" completou. "A propósito, meu nome é Dante, eu sou o responsável pela entrada da ilha dos coelhos guerreiros, você deve ser aquele que fora convocado para curar a doença do Líder, por favor, sigam-me."
Dante nos guiava pelo caminho das escadas-que-não-subiam-nem-tampouco-desciam, ele na frente, eu e Toby ansiosos, logo atrás, e quase sendo deixado para trás, com cara de quem brigou com os amigos (e não poucos amigos, pois podemos ter poucos amigos mas que são muito divertidos, o que não nos deixaria emburrados) Johnny, que aceitou com relutância nossa explicação de que todos os elefantes são gordos, portanto, ele não estaria andando com dois gordos (embora eu fosse apenas barrigudinho), e sim um gordo (fofo) e um elefante normal.
Passado o caminho das escadas, o pântano de pudim, a ponte do rio sem água e a rua completamente normal exceto pelo chão ser feito de lava, finalmente chegamos ao hall de entrada da ilha dos coelhos guerreiros.
"Lembro-me ainda da primeira vez que segui por esse caminho" começou Dante, ajeitando seus óculos redondos, "foi horrível, eu estava nervoso, estava indo para a ilha dos coelhos, procurar um emprego." "E você conseguiu? Arrasou? Se saiu super bem?" Indagou Toby. "Foi um desastre" ele disse melancolicamente. "Estava nervoso, pensando nos meus fracassos anteriores... e, bem, fracassei mais uma vez. É o que acontece sempre, nem sei por que tento, nunca consigo. Apesar de inúmeros, não esqueço de uma só grande falha de minha miserável vida." Nós três olhávamos para ele sem saber o que dizer... "Que barra", até Johnny dizer isso. Agora nós estávamos olhando para o Johnny, parados, sem piscar. "Mas, sabe, ele tem razão, deve ser difícil não esquecer essas coisas..." Eu disse, após pensar sobre o que ele disse. Dante apenas meneou sua cabeça concordando conosco, um ar muito triste o apoderava. Toby estava inquieto, até que olhamos para ele e ele teve de dizer "Mas você não tem... momentos bons para se lembrar?" Dante parou (mais do que estávamos parados para encarar Johnny), tirou seus óculos, arregalou os pequenos olhos de jaboticaba, e olhou para o pequeno macaco. "Desculpa, não digo mais nada" ele disse, enquanto seus olhinhos amarelados se enchiam de lágrimas. "Faz sentido", disse o elefante, pensativo, "acho que eu só dava atenção às coisas ruins, pois elas poderiam me ajudar a não cometer erros futuramente, mas pensei tanto nelas que virei pessimista e ranzinza, enquanto se lembrasse das coisas boas, poderia ser mais otimista e ter boas lembranças, apesar do que me acontecesse de ruim!, muito obrigado, pequenino primata!, obrigado a vocês todos!" Agradecia o grande paquiderme, com um grande sorriso na cara, balouçando sua tromba (nariz) para os lados. "Mas... não fizemos nada" Disse Toby, mas Dante preferiu crer que o salvamos, quando só precisava mudar um pouco seu ponto de vista, ninguém reclamou pois um elefante feliz não incomoda ninguém.
Após muita caminhada, algumas lembranças boas, algumas recaídas, muitos sorrisos e nenhum sinal de mau humor, Dante falou "vocês não foram os primeiros chamados para resolver o caso de nosso Líder, mas sinto que tem mais chance de recuperá-lo do que os outros, eles eram... sérios de mais, muito sem graça, muito normais, vocês não, vocês são muito peculiares, para não dizer bizarros." "Obrigado, você também é bastante esquisito!" Agradeceu Toby.
Ele deu um abraço grande em nós três (de uma só vez, pois... ele é um elefante), agradeceu mais três vezes "obrigado, muito obrigado, valeu", e abriu finalmente o grande portão para a ilha dos coelhos guerreiros. "Tenho de ficar aqui" disse ele, com um tom energético, "preciso me lembrar de todas as coisas boas que esqueci, mas sem me esquecer de vocês." E com um sorriso no rosto, voltou para a sua placa, que apesar de ser a mesma de sempre, estava melhor.
"Nariz, eu prefiro que chamem de nariz, vocês todos tem narizes diferentes - menos você," e apontou para Johnny "você tem um bico, que é diferente dos narizes, ou 'trombas', enfim, todos tem narizes diferentes, uns mais longos, outros achatados, o meu é apenas bem comprido e tem dois dedos na ponta." explicou o elefante que se encontrava atrás da placa que realmente continha a palavra guerreiros. "Eu não sabia que trombas tinh-" "NARIZES" urrou o elefante "narizes de elefantes tinham dedos... que esquisito." Disse Toby, "também quero um!" completou. "A propósito, meu nome é Dante, eu sou o responsável pela entrada da ilha dos coelhos guerreiros, você deve ser aquele que fora convocado para curar a doença do Líder, por favor, sigam-me."
Dante nos guiava pelo caminho das escadas-que-não-subiam-nem-tampouco-desciam, ele na frente, eu e Toby ansiosos, logo atrás, e quase sendo deixado para trás, com cara de quem brigou com os amigos (e não poucos amigos, pois podemos ter poucos amigos mas que são muito divertidos, o que não nos deixaria emburrados) Johnny, que aceitou com relutância nossa explicação de que todos os elefantes são gordos, portanto, ele não estaria andando com dois gordos (embora eu fosse apenas barrigudinho), e sim um gordo (fofo) e um elefante normal.
Passado o caminho das escadas, o pântano de pudim, a ponte do rio sem água e a rua completamente normal exceto pelo chão ser feito de lava, finalmente chegamos ao hall de entrada da ilha dos coelhos guerreiros.
"Lembro-me ainda da primeira vez que segui por esse caminho" começou Dante, ajeitando seus óculos redondos, "foi horrível, eu estava nervoso, estava indo para a ilha dos coelhos, procurar um emprego." "E você conseguiu? Arrasou? Se saiu super bem?" Indagou Toby. "Foi um desastre" ele disse melancolicamente. "Estava nervoso, pensando nos meus fracassos anteriores... e, bem, fracassei mais uma vez. É o que acontece sempre, nem sei por que tento, nunca consigo. Apesar de inúmeros, não esqueço de uma só grande falha de minha miserável vida." Nós três olhávamos para ele sem saber o que dizer... "Que barra", até Johnny dizer isso. Agora nós estávamos olhando para o Johnny, parados, sem piscar. "Mas, sabe, ele tem razão, deve ser difícil não esquecer essas coisas..." Eu disse, após pensar sobre o que ele disse. Dante apenas meneou sua cabeça concordando conosco, um ar muito triste o apoderava. Toby estava inquieto, até que olhamos para ele e ele teve de dizer "Mas você não tem... momentos bons para se lembrar?" Dante parou (mais do que estávamos parados para encarar Johnny), tirou seus óculos, arregalou os pequenos olhos de jaboticaba, e olhou para o pequeno macaco. "Desculpa, não digo mais nada" ele disse, enquanto seus olhinhos amarelados se enchiam de lágrimas. "Faz sentido", disse o elefante, pensativo, "acho que eu só dava atenção às coisas ruins, pois elas poderiam me ajudar a não cometer erros futuramente, mas pensei tanto nelas que virei pessimista e ranzinza, enquanto se lembrasse das coisas boas, poderia ser mais otimista e ter boas lembranças, apesar do que me acontecesse de ruim!, muito obrigado, pequenino primata!, obrigado a vocês todos!" Agradecia o grande paquiderme, com um grande sorriso na cara, balouçando sua tromba (nariz) para os lados. "Mas... não fizemos nada" Disse Toby, mas Dante preferiu crer que o salvamos, quando só precisava mudar um pouco seu ponto de vista, ninguém reclamou pois um elefante feliz não incomoda ninguém.
Após muita caminhada, algumas lembranças boas, algumas recaídas, muitos sorrisos e nenhum sinal de mau humor, Dante falou "vocês não foram os primeiros chamados para resolver o caso de nosso Líder, mas sinto que tem mais chance de recuperá-lo do que os outros, eles eram... sérios de mais, muito sem graça, muito normais, vocês não, vocês são muito peculiares, para não dizer bizarros." "Obrigado, você também é bastante esquisito!" Agradeceu Toby.
Ele deu um abraço grande em nós três (de uma só vez, pois... ele é um elefante), agradeceu mais três vezes "obrigado, muito obrigado, valeu", e abriu finalmente o grande portão para a ilha dos coelhos guerreiros. "Tenho de ficar aqui" disse ele, com um tom energético, "preciso me lembrar de todas as coisas boas que esqueci, mas sem me esquecer de vocês." E com um sorriso no rosto, voltou para a sua placa, que apesar de ser a mesma de sempre, estava melhor.
Fim da Quarta Parte.
domingo, 11 de março de 2012
Final
Toby e eu abrimos a boca o quanto conseguimos, logo nossas bochechas estavam cheias de bacon. "GUE DELIFIA DE BAGON" eu disse. Toby apenas concordou com a cabeça enquanto comia ainda mais. Eu entendi que a situação era mais de fazer do que falar, e fiz como ele. "CAAAAAAAAAAARAS, QUE CÊS TÃO FAZENDO, BRÓDERS?! NÃO COMAM ESSE BACON, ELE NÃO É COMO OS OUTROS!", Johnny gritava, gesticulava, surfava. Já tínhamos comido muito bacon para não sofrer com as consequências - e mais importante, pra passar a fome -, então cuspimos o que estava em nossa boca. "O que esse bacon faz, Johnny?! Por que não nos avisou antes?" Eu perguntei muito preocupado. Ele levantou as mãos (asas) e disse, com um tom meticuloso "porque, cara, essas coisas tavam, tipo, caindo do céu, né! não achei que vocês fossem mesmo comer." eu parei por um segundo e percebi que fazia sentido, Toby não parava de pular, temendo as consequências. "tá... mas... o que acontecerá conosco? morreremos?" perguntei, lentamente, à sabia águia da água. Ele tirou os óculos escuros, revelando um par de olhos azuis duros, frios. "Sim, morrerão..." Toby parou, atônito. Eu engoli em seco e senti ainda um resquício do delicioso sabor daquele bacon, suculento e crocante. "Afinal" continuou "um dia todos morreremos, mas nesse caso, esse bacon, bom... ele te engorda 10 vezes mais rápido que um bacon normal."
Depois de discutirmos muito acerca do problema do bacon, chegamos numa ilha que parecia estar abandonada, cheia de poeira sobre os móveis, com cocô de cachorro no chão e várias cartas na caixa de correio. "Bom, vamos?" Eu disse para os dois, sem confiança na voz. "Não, eu não vou" disse Johnny, decidido. "tá com medinho, é?" perguntou Toby pulando, "não, não é nada dis-" "medroso! medroso! medroso, medroso" Toby repetira mais umas trinta e sete vezes pulando cada vez mais alto, em volta de Johnny, mas seria cansativo repeti-las para vocês. Johnny segurou Toby pela cauda e disse, irritado "não, cara, eu não to com medo, beleza? não tenho caô não, o problema é que eu não quero ser visto com dois gordos, cara.". De fato, depois de comer aqueles bacons surgiu uma pequena protuberância nos nossos abdômens, mas não acho que éramos, gordos, apenas... cheinhos. Pois bem, mesmo assim, Johnny não iria entrar na ilha conosco e, tirando ele, ninguém conhecia aquela região. E eu não sabia o que fazer para convencê-lo. "Não quer andar com gordos? qual o problema?" indagou, Toby, nervoso. "Pare de ligar para o que as pessoas pensam" disse ainda mais bravo, "agora vamos logo!" Urrou. "vamos, vamos vamos vamos vamos vamos vamos" e mais uma dúzia de vezes, sempre pulando a cada palavra. "Ok ok, eu vou!" disse por fim, Toby riu, com ar triunfante, colocando as pequenas mãos em sua pequena cintura. "Mais uma vez a insistência vence!", mas Johnny chacoalhou a cabeça negativamente e disse, "só quero esclarecer, cara, que eu vou com vocês porque você pulou tanto que emagreceu, e eu consigo andar com um gordo só." Por mais que eu discordasse e achasse que eu fosse no máximo fofo, não reclamei.
Adentrando a ilha, encontramos uma placa que dizia "COMEÇO DA ILHA PARA A ILHA DOS COELHOS GUERREIROS" motivados por estarmos perto, seguimos em frente com energia redobrada, a ilha parecia estar mesmo abandonada, apenas víamos poeira, bolas de sujeira e aquários que precisavam urgentemente ser limpos, uns 50 metros depois da primeira placa, encontramos outra com os dizeres "METADE DA ILHA PARA A ILHA DOS GUERREIROS" intrigados porém animados continuamos a andar, um pouco mais à frente, constatamos que a ilha estava de fato abandonada, pois encontramos uma TV ligada no canal de compras, e sabemos que se tivesse alguém a assistindo, não deixaria naquele canal por mais de 5 segundos. Depois do televisor e mais alguns eletrodomésticos ligados sem utilidade e gastando uma tremenda eletricidade, chegamos à terceira placa. Nessa estava escrito apenas "Final"
Depois de discutirmos muito acerca do problema do bacon, chegamos numa ilha que parecia estar abandonada, cheia de poeira sobre os móveis, com cocô de cachorro no chão e várias cartas na caixa de correio. "Bom, vamos?" Eu disse para os dois, sem confiança na voz. "Não, eu não vou" disse Johnny, decidido. "tá com medinho, é?" perguntou Toby pulando, "não, não é nada dis-" "medroso! medroso! medroso, medroso" Toby repetira mais umas trinta e sete vezes pulando cada vez mais alto, em volta de Johnny, mas seria cansativo repeti-las para vocês. Johnny segurou Toby pela cauda e disse, irritado "não, cara, eu não to com medo, beleza? não tenho caô não, o problema é que eu não quero ser visto com dois gordos, cara.". De fato, depois de comer aqueles bacons surgiu uma pequena protuberância nos nossos abdômens, mas não acho que éramos, gordos, apenas... cheinhos. Pois bem, mesmo assim, Johnny não iria entrar na ilha conosco e, tirando ele, ninguém conhecia aquela região. E eu não sabia o que fazer para convencê-lo. "Não quer andar com gordos? qual o problema?" indagou, Toby, nervoso. "Pare de ligar para o que as pessoas pensam" disse ainda mais bravo, "agora vamos logo!" Urrou. "vamos, vamos vamos vamos vamos vamos vamos" e mais uma dúzia de vezes, sempre pulando a cada palavra. "Ok ok, eu vou!" disse por fim, Toby riu, com ar triunfante, colocando as pequenas mãos em sua pequena cintura. "Mais uma vez a insistência vence!", mas Johnny chacoalhou a cabeça negativamente e disse, "só quero esclarecer, cara, que eu vou com vocês porque você pulou tanto que emagreceu, e eu consigo andar com um gordo só." Por mais que eu discordasse e achasse que eu fosse no máximo fofo, não reclamei.
Adentrando a ilha, encontramos uma placa que dizia "COMEÇO DA ILHA PARA A ILHA DOS COELHOS GUERREIROS" motivados por estarmos perto, seguimos em frente com energia redobrada, a ilha parecia estar mesmo abandonada, apenas víamos poeira, bolas de sujeira e aquários que precisavam urgentemente ser limpos, uns 50 metros depois da primeira placa, encontramos outra com os dizeres "METADE DA ILHA PARA A ILHA DOS GUERREIROS" intrigados porém animados continuamos a andar, um pouco mais à frente, constatamos que a ilha estava de fato abandonada, pois encontramos uma TV ligada no canal de compras, e sabemos que se tivesse alguém a assistindo, não deixaria naquele canal por mais de 5 segundos. Depois do televisor e mais alguns eletrodomésticos ligados sem utilidade e gastando uma tremenda eletricidade, chegamos à terceira placa. Nessa estava escrito apenas "Final"
Fim da Terceira Parte.
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