quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Globo de Neve.

Ela pegou o mundo todo, sua vida, seus problemas, o futuro e o passado, e minimizou. Condensou numa estrofe, reduziu a um verso.
A complexidade do ser humano foi diminuída a uma rima colocada na prateleira.
O segredo da vida virou uma pequena charada, a dor do amor ela curou com Merthiolate.
Enquadrou o passado e colocou na parede para admirar bem, viu o futuro pelas lentes do binóculo e não se preocupou.
Convidou todos para brincar no playground. Ela só quer ser empurrada no balanço, mais alto, mais alto, diz ela.
O mundo é uma bola que ela joga pro alto, o mundo é uma bola que ela joga pro ar.
Ela rima e desrima, de um jeito torto como o meu sorriso ao vê-la, delicadamente, sorrateiramente, ela constrói uma armadilha, e quando diz que largou a poesia, prende-me em seus versos, prende-me em versos livres.
Sua prisão é vidro fino, mas eu não quero fugir, o mundo que ela construiu é afável, ao som do glockenspiel eu adormeço, e sonho que estou acordado, e ao acordar é como se ainda sonhasse.
Ela bate no vidro *tintintin*, ela toca o glockenspiel *tintintintin*, eu vejo suas mãos, vejo suas criações, e já a completo por mim mesmo.
Um a um, tudo vai voltando ao seu lugar, apenas em escala menor. O mundo, a vida, os problemas, o futuro e o passado estão aqui, ela também, sentada à minha frente, ou é você?

Tudo no seu lugar, dentro dessa pequena redoma.

Ela nos pega, com as duas mãos, e vira tudo de cabeça para baixo. Nos balouça bruscamente.
A neve cai e tudo faz sentido.


Nenhum comentário:

Postar um comentário