quinta-feira, 28 de abril de 2011

Salomé.

Salomé, Salomé, dama da tentação.
Nem garota, nem mulher.
Apenas uma criança sem coração.
Salomé, Salomé, continue a dançar.

Filha de Herodíade, não se esqueça
Do pedido que fez para sua felicidade,
De João Batista demandara a cabeça.
E para voltar atrás já é tarde.

Salomé, escrava de sua dôr.
Matara seu amor, um homem de fé.
E agora não tem nada,
além de um troféu manchado de rubro numa bandeja de prata
E as lágrimas que escorrem pelo véu.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Retrato-Falado.

- Bom... como ela é? Ela... ela sempre tem uma resposta pra tudo. Ela sempre me contraria. Faz isso só pra me provocar. Bom, ela também sempre se preocupa comigo, sempre procura me fazer feliz. Tem o melhor abraço do mundo, isso que posso te dizer, ele é quente, confortante. O sorriso também é perfeito, não por como ele é, mas por como ela sorri, primeiro ela esconde o sorriso, mas depois fecha os olhos e ri, é perfeito. Mas ela também gosta de me bater, sem motivos, ela sempre faz isso, não machuca, claro, não faz pra machucar, mas me bate sempre. Ela sorri, ri, me bate e diz "para, besta!" de um jeito que é impossível não amar, ela não está brava, não quer que eu pare, gosta do que faço, mas nunca admite. Isso porque é orgulhosa, como é orgulhosa, nunca pede desculpas quando realmente precisa, sempre espera que eu vá falar com ela, me retratar por erros que eu nem cometi. Mas tudo bem, porque mesmo sendo orgulhosa, ela sempre me desculpa quando eu faço besteira, e eu faço isso bastante. Ela também anda de um jeito engraçado, fala de um jeito engraçado, ela é diferente, toda diferente,  é completamente única. Não há como descrevê-la, ela foge das definições possíveis. Ela é fantástica!
- Certo... mas, como ela é... digo, fisicamente?
- Ah... isso eu não lembro bem, sabe, não é tão importante.
- Ok, ok. O que ela te roubou mesmo, senhor?
- oh, meu coração, policial.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os meus olhos doem, ardem. Eu os pressiono com as palmas de minhas mãos. Não consigo pensar em nada, talvez sómente nesse texto, talvez. Passo meus dedos pelos meus cabelos, frustrado, olhos fechados e cabeça baixa. Paro. Sentado. De frente para o computador. Sinto o frio na minha pele. Minha cabeça dói. Minha garganta ainda arranha. Respiro fundo. Apoio-me com minhas mãos no rosto. Respiro fundo. Olho longe, olho pela janela. "Eu nunca achei que minha alma fosse pequena.".

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sonhos.

Existia um garoto muito feliz, que sempre andava sorrindo. Ele não tinha muitos amigos, mas sempre que o viam ele estava com uma cara alegre. Muitos não entendiam o porquê, já que quase não o viam com ninguém.

"Ele fica sonhando acordado... é praticamente uma criança" diziam os que já o conheciam, a fim de explicar a alegria do rapaz. "Falaram-me que até a dormir ele fica com esse sorriso infantil, deve continuar os sonhos que começa acordado." Emendavam.

E os dias passavam, o rapaz cada vez menos precisava dos outros, claro que tinha amigos, grandes e verdadeiros amigos, mas ele sorria sozinho, conseguia ser feliz por si mesmo.

E os dias passavam, e o rapaz passou a ter mais responsabilidades, precisava se preocupar com a faculdade, o trabalho, a família, os amigos. Não tinha tempo a perder, não tinha tempo p'ra sonhar. Já não sorria tanto. A alegria fugira-lhe pouco a pouco. Deixou de ser feliz. Andava cabisbaixo, pensando em tudo que precisava, nem dormir bem conseguia mais, pois precisava ficar acordado até tarde para resolver seus problemas.

E os outros diziam "finalmente deixou de sonhos tolos, finalmente ele cresceu e se tornou alguém normal."

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Eu não presto."

"Eu não presto, não sou uma boa pessoa."
Você é um bom garoto. Tem um sorriso cativante, ele é belo, é delicado. Seus movimentos são calmos. Seus olhos são confortáveis. Sua voz é doce e me faz bem, mesmo quando você me diz "eu não sou tão bom quanto pareço, tenho medo de te machucar". É impossível acreditar numa coisa dessas. É impossível imaginar que você possa me fazer algum mal.
Seu abraço me aquece. Suas mãos me protegem. Seus beijos me derretem. Cada vez mais eu vejo que você é magnífico. Com os dedos entrelaçados eu repouso minha cabeça no seu peito, seu coração palpitava, e eu sabia que nele não podia haver maldade.
"Eu não sou uma boa pessoa." Você me dizia. Mas eu olhava fundo nos seus olhos. Seus olhos castanhos, iguais a quaisquer outro. E via algo que não achava em mais nenhum, um brilho, um brilho quase infantil. Era a inocência. "Não diga besteiras", eu replicava.
O tempo passou, e cada vez mais eu via como você era bom. Nada em você dizia o contrário. Era tenro, era doce. Você não era uma boa pessoa, era uma ótima. Talvez eu não te merecesse, talvez ninguém te merecesse. "Eu não te mereço" foi você quem disse isso, antes que eu pudesse fazê-lo. "Você é incrível" e é verdade, só pude dizer isso, a verdade.

Um dia, por algum motivo, não estávamos mais juntos. Você foi pra lá, eu fui pra cá. Talvez você me odeie, talvez eu não sinta mais nada. Você me disse que ficaria bem, e a serenidade na sua voz me machucou, não porque eu quero te ver mal, pelo contrário. Mas o que me incomodou foi que seu tom foi o mesmo quando me dizia que não era alguém bom... então eu espero que você realmente seja uma pessoa desprezível.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Medo.

Medo.
É isso o que eu tenho.
Medo.
É isso o que eu temo.

Medo.
Medo.
Medo de quê.
De te perder.
Talvez.
Medo.
De quê.
Medo.
De não ter coragem.
Bobagem.
Bobagem.

Se ter medo é ser fraco. Então eu sou um dos mais fracos do mundo. Eu tenho medo de mim mesmo. De você, de perder você. Do meu passado. Da responsabilidade do presente. Da escuridão do futuro. Tenho medo de viver. Mais medo ainda de morrer. Medo de desperdiçar mais chances. Medo de não ter mais chance alguma. Medo do dia que passa e eu não percebo. Medo de acordar de novo nesse mundo que me amedronta. Medo de nunca acordar de um pesadelo repleto de medos.
Medos.
Eu não quero te perder.
Não quero que você se vá.
Não quero ir.
Não quero me perder.
Não quero temer.
Mas tenho medo disso tudo.
Tenho medo... de não ter mais medo.




Medo.

domingo, 3 de abril de 2011

MonoDiálogo.

"- Você já pensou que algumas pessoas podem ter nascido para serem infelizes? Já parou para pensar nisso?
- Você já parou de pensar nisso?
- Eu tô falando sério, eu tava pensando nisso esses dias... sei lá, vai ver algumas pessoas simplesmente não consigam ser felizes.
- Esse é o seu problema.
- Não conseguir ser feliz?
- Não, pensar.
- Mas todo mundo pensa.
- Não tanto quanto você. Você pensa muito, em tudo, sempre. Isso não pode fazer bem a ninguém.
- Não dá pra pensar mais ou menos... a gente tá pensando sempre, não dá pra você ficar, sabe, com a mente vazia.
- Acho que você entendeu, você pensa demais nas coisas, esse é o seu problema. As pessoas só vivem a vida delas, tentam não pensar muito nos problemas, ou pensar em coisas que ninguém pensa, em coisas inúteis, em coisas redundantes, não pensam tanto no "e se", não tanto quanto você, pode acreditar em mim.
- Eu sei, eu já pensei nisso, mas não consigo evitar... se eu tentar parar de pensar, eu vou acabar pensando, porque eu sempre penso, em tudo.
- O tudo é muito inútil. Pense mais no nada. Pense em nada. Não pense nas consequências, viva mais, pense menos.
- Faria sentido isso que você diz... se você não fosse fruto do meu pensamento."

Pensara o rapaz confuso.