- Bons dias, disse.
- Bons dias, polido respondi.
T. Chegou o ascensor. Entramos, apertei o 5º andar, ele o 12º, provavelmente era da presidência, vestia-se bem e tinha classe, enquanto eu me vestia com a primeira coisa que encontrava e andava como se fosse um sacrífico trabalhar aquela hora - e era.
- Dia quente, não? Ele me perguntou.
- Realmente... quente demais para um dia de inverno. Respondi surpreso.
Então notei que ele disse aquilo sem perceber e sequer prestou atenção em minha resposta. Como se estivesse programado para falar algo quando encontrasse com alguém. Obrigado a ser simpático.
Na saída, o elevador estava cheio, entrei e apertei o T, mesmo sabendo que todos também iam para lá.
- Puxa, como o dia foi cansativo, disse um rapaz um pouco mais velho.
- Realmente, que bom que já estamos indo embora, respondeu uma garota quiçá mais nova que eu.
Eu não disse nada, não faria diferença. Todos diziam algo pré-fabricado. Ninguém se importava com aquela conversa no ascensor, só queriam chegar ao térreo, ao seu andar.
- Até.
- Até.
- Até.
Nos dias que se seguiram cada vez mais via a plasticidade de todos os sorriso de elevador. O como vai não se importava com como vinhamos. Como foi seu dia não dava a mínima para uma resposta positiva ou negativa. Bons dias, boas tardes e boas noites apenas para mim, pois eu realmente não ligo para você.
Você precisava responder, uma resposta óbvia e falsa. Uma resposta curta e seca. No elevador ninguém tem tempo para discursos, argumentos, filosofias ou ideias. Mas não é rápido o bastante para que possamos ficar quietos. Você precisa responder.
Hoje eu peguei a escada.