sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Chega.

Chega.
Chega de despedidas,
chega de olhos marejados,
chega de lábios salgados,
chega de tristeza,
chega.

De aeroportos,
de decolagens e pousos melancólicos.

Chega.

Chega de distância,
de amor por conta gotas,
de abraços efêmeros,
de intimidade intercidades,
de semanas longas,
chega de ficar longe.

Lágrimas,
dor,
beijos de adeus.

Chega de passar vontade,
chega de não poder amar,
chega de não conseguir sorrir,
chega de mim sem ti.

Chega, chega logo.
Chega sorrindo.
Chega de saudade.

domingo, 21 de julho de 2013

Cena - O Atlas.

Eu olho fundo para elas, delicadas, negras. Pequenas e redondas, elas me encaram de volta. Duas jaboticabas. Envolvidas em traços compridos, quase que lânguidos, que dão às frutas - teus olhos - ar obstinado, decidido. Linhas tênues que se encompridam na beleza da tua face, quase que afogando teus olhos, sufocando o brilho do olhar que me encara, me domina. E os teus traços da terra se alongam ainda mais, se esticam como a dama que se ergue na ponta do pé para um beijo de despedida; o brilho que vem lá de dentro, do fundo do teu olhar, que me reflete minha alma; minha paixão; meu amor. Brilha nessa imensidão negra dos teus olhos, estrelas que brilham à noite; mas diferentemente delas, não me mostram o passado já morto, uma fotografia do que se foi, mostra-me, ao invés disso, um futuro vívido, um amanhã melhor. E teu olhar brilha, teus olhos se esticam. Os admiro enquanto me respondem com um só movimento.

Teus lábios, róseos ou rubros, pintados ou nus, a tremular ou firmes, teus lábios. Simplesmente teus, que tem a medida certa para os meus. Nem grandes, nem pequenos, do meu tamanho. Do nosso tamanho, quando nossa boca se torna uma, quatro lábios e um beijo. Teus lábios, pintados, teus lábios, manchados. Vermelho, como o amor, roxos, como a dor. Teus lábios, que quero que sejam apenas meus. Teus lábios.

E o brilho do teu olhar, a beleza de teus olhos, por mais que brilhe, por mais belos que sejam, são ofuscados. Sinto em lhe dizer, há algo ainda mais belo que seu olhar. Que, junto dele, junto de ti, te faz a mais bela que meus olhos já pousaram, que completa esse quebra cabeça que é teu olhar, algo tão simples, que supera a genialidade, supera os mistérios, é pura beleza.
De longe eu logo vi, antes mesmo de te conhecer, estampado em tua face, aberto para o mundo. Como um coração aberto, uma felicidade exposta. 
Como pérolas, gemas preciosas, de valor inestimável, a brilhar. Como um raio de sol, que ilumina meu dia, enche a sala de um calor afável. Como o destino, bem à minha frente. O sorriso mais belo que já vi. 

Quando eu observava teus olhos, delicados. Que se esticaram.
Teus lábios, belos, desejados. Que se abriram, revelando-me.
O sorriso mais belo que já vi.

O sorriso que mais me alegrou.

Teus olhos a se esticar, compridos, parece que me sorriam também. 
Tua boca, formada num grande sorriso, num sorriso verdadeiro, aquecendo meu peito.
Meu peito palpitava.


Abriu-me um sorriso, o brilho quase me cegou. 
Um sorriso verdadeiro, que trazia consigo o mundo inteiro.

Abriu-me um sorriso,
e o mundo se abriu.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

SP

Amanheceu frio, gélido,
a tarde toda chovia, não garoava, chovia.
A noite é longa, é triste.

A paisagem é cinzenta,
os rostos são tristes.
As pessoas são muitas mas desconhecidas.
Algumas não eram daqui,
outras sentiam que não pertenciam.

Há amor aqui, amor de sobra.
E há dor.
 Poesia, rima.
Há coragem e medo.

Tanto, de todo o mundo.
Um mundo e tanto.

Amanhece e está frio.
À tarde chove, garoa, chove.
As noites são longas.

Mas quando faz falta um sorriso,
em meio a tantas caras amarradas.
Quando o cinza suprime a arte.
Basta um dia de sol,
uma jura de amor,
um beijo apaixonado.

Meu coração é São Paulo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Barquinho.

Muitos mares cruzou,
e meu barquinho sempre aportado.
Muitas tempéries enfrentou,
e aqui o mar sempre calmo.

Me avistou, lá longe:
Terra à vista!
E uma mensagem me mandou,
mas nunca fui o melhor
nos códigos dos mares.

Se aproximou com calma,
com uma bandeira branca içada.
Não era uma ilha,
apenas um barquinho, calmo,
ao invés de canhões,
armado de carinho.

Resolvi me arriscar, 
navegar contigo no rasinho.
E o vento que estufou minha vela,
esse vento encheu meu peito.
Esse vento foi você quem soprou.

Mas você se foi, se foi desse mar sem praia,
foi para algum rio, que eu só ouvira falar.
Atrás de ti eu fui,
fui atrás de ti.
Ajudado pelo vento que soprou,
guiado pela bússola de meu coração.

E agora estamos no mesmo barco, meu bem.
Se naufragar, naufrago também.

Iça essa vela,
me dá o leme.
Vou contigo cruzar os sete mares,
encontrar os maiores tesouros dessa vida.
E enfrentaremos, juntos, todo e qualquer tempo ruim,
maré de azar, tempestade inesperada.
Nem mesmo Netuno seria capaz de nos parar,
pois temos Vênus ao nosso lado.
E vamos, só eu e você nesse barquinho.

Eu, você
o Barquinho.

Cruzaremos o mar,
alcançaremos a felicidade.
Se faltar vento,
do amor eu faço remo.
E chegamos lá,
o tempo que levar,
o tempo que fizer,
chegamos lá.

Eu, você, nesse Barquinho.
Juntos, navegando.
Eu, você, nesse Barquinho.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Haurir.

Essa dor cravada no teu peito
bem lá no fundo
profunda no teu coração
me deixe haurir.

Agora que você e eu somos nós
divide comigo
a tristeza 
a incerteza
hauri. 

E o meu sorriso alegre
o meu amor
minha felicidade 
que já transborda
haure.

Todos os problemas
não tem problema 
hauro.

A gente junta os fragmentos do que ainda é bom
o resto deixamos no quintal,
até que varram.

Os medos, haurir
A tristeza, haurir
A saudade, a vergonha
Haurir, haurir.

Meu coração é grande
e o ruim se dilui.

Pra te ver sorrir,
Amor, poesia, alegria,
Pra te ver sorrir,
haurir, haurir

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pena

Minha pena movia-se para lá e para cá,
minha pena fazia coisas belas e agradáveis,
mas nada de excepcional, até você aparecer.

Foi graças à minha pena, que me viu de outra maneira,
e foi graças à ti, que minha pena criou
maravilhas, graciosas criações,
versinhos e poemas, saídos de minha pena.

E minha pena passou a trabalhar em função de ti,
para ti, por ti.

E minha pena ficou pequena para tudo que sentia,
para tudo que queria dizer,
na falta da pena, vivi o poema.

Fui praí te ver, fui praí te amar.
O hino eu recitei, e fiz dos meus versos,
pequenas amostras de amor.
E fiz do meu amor,
pequenos versos
em grandes poemas,
saídos de minha pena.

E o teu beijo, que ficou na minha boca,
foi pra minha pena.
E o teu toque, que faz parte de mim,
foi pra minha pena.
E o teu sorriso, símbolo do amor.
foi pra minha pena.
E tu,
meu amor.
Jamais poderia ser replicada,
por pena qualquer.

Me dá dó da minha pena,
que jamais alcançará tamanha beleza
tão natural,
que emana de ti,
de um sorriso aberto,
de uma palavra jogada ao vento.

Me dá dó da minha pena,
que é deixada de lado,
para que eu possa alcançar
o romance puro,
a poesia vivida,
num beijo na chuva,
uma viagem inesperada.

Me dá dó da minha pena,

eu dava tudo ah,
minha pena eu largava,
eu dava tudo,
pra visitar teu coração.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Alcides.

Alcides é um peixinho dourado. Alcides tem um aquário redondo, um aquário moderno, sempre limpo, com uma paisagem artificial, um ótimo aquário. Alcides é alimentado nos horários corretos. Alcides tinha um dono, um dono que cuidava dele, que se preocupava com ele.
"Alcides, faz alguma coisa, cara."
Ele disse, observando o peixe parado no meio do aquário. Se perguntava se o peixe dourado sabia que estava preso, por isso não fazia nada o dia inteiro. Esticava o indicador e dava leves batidas no vidro, o peixe mal reagia, continuava imóvel. A única coisa que delatava que ainda estava vivo eram as bolhas constantes que ele soltava.
*tap* *tap*
Batia com um pouco mais de força, mas Alcides não reagia. Resolveu jogar ração, mas ele não fazia nada, os pedacinhos que passavam perto do seu rosto, ele alcançava e comia, caso contrário, ficariam no fundo do seu lar de vidro até limparem. Ele parou em frente do aquário e se curvou para olhar nos olhos do peixe. Aqueles olhos esbugalhados; mórbidos; vazios, como ele odiava aqueles olhos.
"Alcides, por que você não faz nada!?"
Gritou irritado. Tentava entender de que adiantava viver, se alimentar, soltar bolhas, se era só isso que ele fazia. Não nadava para lá e pra cá, não batia no vidro para tentar fugir, não pulava do copo que servia de casa provisória quando o aquário era limpado, não fazia absolutamente nada. E aquele olhar, aquele olhar perdido, frio, esbugalhado.
*TAP* *TAP*
Bateu no aquário, irado, furioso. O peixe parou por um segundo de soltar bolhas, o garoto segurou a respiração. Sabia que ele ia fazer algo agora, estava incomodado, precisava reagir, fazer algo para que ele parasse. Alcides se virou - tinha certeza de que virou, muito pouco, quase nada, mas virou -, para seu dono, e soltou uma bolha maior que todas as outras e então... continuou com as bolhas normais, nada mais, nada menos. Continuou com aqueles olhos, aquele olhar bobo, cara de mané.
*TAP* *CRACK*
Acabou rachando o aquário. Olhou novamente no fundo dos olhos do peixe, olhos esbugalhados, indiferentes, conformados, frios, sórdidos, vazios, mórbidos. Apontou para o peixe, irritado.
"Alcides!"
Parou, viu que o aquário estava vazando, resolveu ir pegar um band-aid para arrumá-lo.
Enquanto caminhava para o banheiro pensava que não devia perder tempo com um peixe idiota, devia fazer algo mais útil.
Entrou no banheiro e já abriu rapidamente o armário de remédios, pegou o band-aid que estava na prateleira de cima e fechou o armário novamente. Olhou para o espelho do armário, olhou seu rosto, e viu: viu seus olhos, esbugalhados, vazios.
*TAP*  *TAP* *CRACK*

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Pirata.


Nunca vira o mar,
a água salgada que conhecia era outra.
Jamais chegara perto de ouro e pedras preciosas,
os tesouros que roubava eram diferentes.

Num olho marejado,
que se afogava em tristeza,
lá estava ele.
Cruzava esse oceano de amargura com maestria.
A maestria de quem já fizera isso
muitas e muitas vezes.

Furtava o brilho tão precioso, 
a alegria, o sorriso, saqueava e deixava um baú vazio.
Inútil. Sem valor.

Pilhava todos os sentimentos bons,
e deixava lá o que lhe era vão,
a dor que já tinha demais
o rancor que lhe sobrava no navio.

Mais de sete mares conquistou,
nunca parou para contar,
nem as glórias, nem os tesouros.
Nunca parou, precisava continuar,
içava vela e partia para a próxima
próxima ilha, cidade
qualquer lugar que lhe fizesse sentido.

Tinha dois tapa-olhos,
para evitar olhar nos olhos de qualquer um.
Tilha dois ganchos nas mãos,
o que fazia que machucasse a todos,
por mais tenro que fosse.

Era um lobo do mar,
um solitário lobo do mar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Contra-Luz

De longe, vi sua silhueta, e era apenas isso que eu enxergava, os contornos de algo difuso, confuso. Não era certo o que eu via, mas sabia que não podia ser errado.
Era apenas isso que eu enxergava, e isso bastou para chamar minha atenção, ela se aproximou e eu apertei meus olhos para vê-la, para ver seus detalhes, para observá-la por inteiro.
Um vulto, uma indecisão, uma incerteza.
Cada passo que ela dava, a luz aumentava, contra-luz, eu não pude diferenciar se ela me sorria ou zombava, contra-luz, eu não pude olhar em seus olhos.
Por medo da indefinição, nada fiz, por medo de errar, não acertei.

Ela passou e a escuridão me tomou, o brilho era ela.
Era ela todo o brilho.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sinal (de que te quero tanto e tanto)

Minha vida já foi completamente marcada pela tua,
e agora sempre que eu ouvir teu nome,
vou me lembrar de tudo que temos, ainda temos.
E sempre que eu vir algum belo sorriso,
compará-lo-ei ao teu, e serei tão severo,
tão sincero,
que não há de haver um mais belo.
Meu sorriso, ele também, foi marcado por ti.
Pelo teu.

E a alegria, caso um dia eu a perca,
te perca,
a alegria, quando vier, ecoará teu nome.
Trará de volta todos aqueles momentos,
todos os doze, os doces, e muito mais.
Se bem que alegria não rima com teu nome, querida,
mas, por obra do acaso, nunca preferiu as rimas.
Minha alegria também, foi marcada pela que me deu
pela que aprendi a sentir contigo.

Paremos de pensar tanto, 
pensar no futuro, 
pensar no pior, no melhor.
Que pensei em tudo que podia acontecer,
e não previ algo tão bom quanto eu e você.
E agora lhe reservo todo meu pensamento,
e meu sentimento.
Sentimento, é melhor sentir afinal, e como sinto,
sinto algo tão bom aqui, sinto a cada pulsação no meu peito.
Cada vez mais.
Sinto saudade, sinto vontade, sinto tanto.
Tudo que sinto, já está marcado pelo que sentimos,
um pelo outro.

E quando te tenho em meus braços,
raros momentos que não podem, e não são,
desperdiçados.
E quando te tenho bem na minha frente,
respiro fundo, fico em silêncio, e multiplico tudo que sinto.
Aproveito cada segundo, cada momento, cada beijo,
consciente de que pode ser o último,
com a esperança de que seja um em meio a milhões.
E meu beijo, até meu beijo está marcado, pelos seus gostos
pelo teu gosto.
E meu toque, quando te toco,
quando te tenho, 
quando temos.

Um momento a sós, um dia só nosso,
uma vida paralela num quarto distante.

Quando és minha e sou teu.

Fica a marca do amor tamanho, tão grande,
tanto, que transborda, tenta sair por qualquer ato,
impensado
de coragem.
Fica a marca do amor, tão puro, tão límpido.

Fica a marca do amor.
Na nossa pele,
é só a marca do amor.
Sinal.

Sinal de que te quero tanto e tanto.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

No nosso quarto, durante a guerra.


Bombardeiros sobrevoavam prédios, despejando bombas. Metralhadoras disparavam para todos os lados, projéteis perfuravam a carne- a fraca, a forte. Explosivos detonavam grupos, despedaçavam vidas, corações. As explosões e tiros deixavam todos surdos.
O quarto estava repleto do nosso silêncio, algumas estrelas sobrevoavam nossas cabeças, disparávamos palavras tolas ao acaso, sempre atingindo em cheio no peito. Beijos detonavam nossos corpos, nossa razão.
Alguns gritavam que a rainha estava morta, alguns rugiam que não queriam morrer. Sem causa, sem nação, atacavam uns aos outros, sem causa, sem razão, morriam pelas próprias mãos.
Falava baixo em meu ouvido que estava viva, confidenciava-me como queria viver. Eu era teu, tu era minha, nos atracávamos, com um motivo, a emoção, vivíamos em nossos braços.
Trincheiras eram feitas, estrategistas analisavam o terreno, tropas avançavam.
Desfazíamos defesas, descobríamos um ao outro, avançávamos.

Só ouvia tua respiração, os estalos de nossos beijos. Só sentia o prazer do teu corpo, a vida pulsando dentro de nós.
Só se ouviam gritos, perdiam a respiração, as explosões de minas. Só sentiam medo,  a vida saindo de seus corpos.
Te tinha toda em meus braços, tinha meu coração em seus lábios.
Perdiam membros no campo de batalha, até que o coração parasse.

Pude te amar verdadeiramente, de forma terna, de forma eterna.
Odiaram-se sinceramente, de maneira cruel, para sempre.

O mundo poderia acabar lá fora, pudesse morrer o presidente do mundo, cá dentro em nosso quarto, cá dentro, eu tinha toda a paz que precisava.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Apague as luzes.

Apague as luzes, ela disse se deitando na cama calmamente. Não por vergonha, não para deixar de ver, pelo contrário, queria enxergar tudo, queria lembrar de cada detalhe, Apague as luzes.

Desnudando todo o mistério, o segredo, o proibido. Arrancando a timidez, a vergonha, o medo.

Pôde vê-la por inteiro, de olhos fechados, senti-la, cada palmo de seu corpo, senti-la, a respiração que acelera, senti-la, o coração dispara, senti-la.

Reconhecê-lo, conhecê-lo, senti-lo, sentir.

Sentiram, um ao outro. Sentiram, uma noite deles. Sentiram, uma, duas, três vezes. Sentiram.

Ele podia vê-la, viu um sorriso de canto, viu o coração descontrolado, viu um sentimento confuso, viu. Sob luzes apagadas ele viu.

Prometia a si mesma que tudo isso não passaria de uma coisa única, prometia que não cairia nessa, prometia  não se apaixonar. Prometia promessas vazias.

Apague as luzes. Ele apagou. Apague as luzes. Ele acendeu, acendeu a brasa em seu peito. Ela queimava de paixão, suada, cada vez mais quente, ele a fazia arder. Tentava apagá-la, com beijos molhados, lábios húmidos na pele calorosa, em cada canto, minúcia. Apague-me.

Apagaram.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Te ver.

Pus minha cabeça no travesseiro
e fiquei incomodado,
seu colo é muito mais confortável.
Nenhum perfume me agrada mais,
prefiro aquele cheiro que fica em mim
quando passamos a tarde abraçados.

Me estranha cerrar a mão e não encontrar a tua
feita sob medida para mim.

Olhei para o céu e vi que hoje estava tão lindo,
com o sol brilhando lá no alto, e as nuvens caminhando
vagarosamente, vagarosamente.
A água refletia e duplicava toda essa beleza.
Mas eu trocava tudo por mais um sorriso teu.
Só um sorriso, pra mim.

Os pássaros estão cantando,
minha banda predileta toca no rádio,
E nada soa tão bem quanto tua voz a dizer qualquer besteira,
que nos faça rir, que nos faça pensar.

Penso e penso e penso e
deveria parar.
Pois tenho pensado em ti a cada segundo,

Vejo como essa cidade é cinzenta,
sem você aqui.
Vejo como essa cidade é solitária,
sem você aqui.

Você foi embora,
e eu fiquei, fiquei em casa.
Já não existe mais amor por essas bandas.

Se lar é onde o coração está,
eu faço minha trouxinha.
Deixo o medo por aqui, para os prédios e as ruas,
levo meu sorriso, meu coração,

e vou praí te ver.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Apocalipse

Como as folhas arrancadas do calendário, eles se livraram da timidez, da insegurança, do estranhamento. Com as mãos entrelaçadas observavam o céu sem estrelas, calados, ouvindo seus corações que batiam em uníssono.
Ele a olhou com ternura, ela retribuiu, os olhos dela, tão decididos, quase predadores, o fitavam carinhosamente. Lhe abriu um semi-sorriso, pequeno, tímido.
Os lábios dele se dobraram, beijou-a na testa brilhante. Abriu-os lentamente, com cuidado "Que bom que o mundo não acabou."
Lhe abriu um todo-sorriso, grande, alegre. Balançou a cabeça concordando.
As mãos inquietas, entrelaçadas, como se tivessem sido criadas uma para a outra, preenchendo-se perfeitamente. Entrelaçadas, inquietas, nunca soltas.
Os olhos dela se acalmavam, semi-cerravam-se, alegres, sempre a observá-lo, fugindo dos seus. Seus olhos, a admirá-la a cada fração de segundo, cada fragmento do seu ser, tão atento, não deixando nada lhe fugir, nem mesmo seus olhos.
Sua boca, ferida pelo amor incontrolável dele, manchada pelo amor impaciente dos dois, arqueada num sorriso constante, permaneceu quieta essa noite, movia-se apenas quando precisavam, quando precisava colocar para fora todo o sentimento.
A dele permanecia fechada para não deixar escapar tudo que estava lá dentro, um mundo inteiro de pensamentos que era melhor não pensar, um universo de sentimentos impossíveis de negar. O peito dele ardia, uma supernova incandescente prestes a explodir.
O Sol começava a raiar no horizonte, mas sua beleza não era páreo para a dela, ele não desviou o olhar por um segundo sequer, as mãos não paravam, se reconheciam, se conheciam, conheciam o outro por inteiro. Sem culpa, sem vergonha.
O amanhecer se aproxima mas eles não se importam, ainda é noite, sua noite, tão esperada noite. Sorriem, fecham os olhos, perdem-se num abraço, aproximam-se. Um universo dentro de cada um prestes a colidirem. Tudo, nada.


O Sol aparece, rubro, com uma camada de calor, de amor. O fim do mundo enfim chegou, apenas esperou pelos dois.
O mundo acabou, naquele beijo o mundo acabou.