Como as folhas arrancadas do calendário, eles se livraram da timidez, da insegurança, do estranhamento. Com as mãos entrelaçadas observavam o céu sem estrelas, calados, ouvindo seus corações que batiam em uníssono.
Ele a olhou com ternura, ela retribuiu, os olhos dela, tão decididos, quase predadores, o fitavam carinhosamente. Lhe abriu um semi-sorriso, pequeno, tímido.
Os lábios dele se dobraram, beijou-a na testa brilhante. Abriu-os lentamente, com cuidado "Que bom que o mundo não acabou."
Lhe abriu um todo-sorriso, grande, alegre. Balançou a cabeça concordando.
As mãos inquietas, entrelaçadas, como se tivessem sido criadas uma para a outra, preenchendo-se perfeitamente. Entrelaçadas, inquietas, nunca soltas.
Os olhos dela se acalmavam, semi-cerravam-se, alegres, sempre a observá-lo, fugindo dos seus. Seus olhos, a admirá-la a cada fração de segundo, cada fragmento do seu ser, tão atento, não deixando nada lhe fugir, nem mesmo seus olhos.
Sua boca, ferida pelo amor incontrolável dele, manchada pelo amor impaciente dos dois, arqueada num sorriso constante, permaneceu quieta essa noite, movia-se apenas quando precisavam, quando precisava colocar para fora todo o sentimento.
A dele permanecia fechada para não deixar escapar tudo que estava lá dentro, um mundo inteiro de pensamentos que era melhor não pensar, um universo de sentimentos impossíveis de negar. O peito dele ardia, uma supernova incandescente prestes a explodir.
O Sol começava a raiar no horizonte, mas sua beleza não era páreo para a dela, ele não desviou o olhar por um segundo sequer, as mãos não paravam, se reconheciam, se conheciam, conheciam o outro por inteiro. Sem culpa, sem vergonha.
O amanhecer se aproxima mas eles não se importam, ainda é noite, sua noite, tão esperada noite. Sorriem, fecham os olhos, perdem-se num abraço, aproximam-se. Um universo dentro de cada um prestes a colidirem. Tudo, nada.
O Sol aparece, rubro, com uma camada de calor, de amor. O fim do mundo enfim chegou, apenas esperou pelos dois.
O mundo acabou, naquele beijo o mundo acabou.
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