"Nariz, eu prefiro que chamem de nariz, vocês todos tem narizes diferentes - menos você," e apontou para Johnny "você tem um bico, que é diferente dos narizes, ou 'trombas', enfim, todos tem narizes diferentes, uns mais longos, outros achatados, o meu é apenas bem comprido e tem dois dedos na ponta." explicou o elefante que se encontrava atrás da placa que realmente continha a palavra guerreiros. "Eu não sabia que trombas tinh-" "NARIZES" urrou o elefante "narizes de elefantes tinham dedos... que esquisito." Disse Toby, "também quero um!" completou. "A propósito, meu nome é Dante, eu sou o responsável pela entrada da ilha dos coelhos guerreiros, você deve ser aquele que fora convocado para curar a doença do Líder, por favor, sigam-me."
Dante nos guiava pelo caminho das escadas-que-não-subiam-nem-tampouco-desciam, ele na frente, eu e Toby ansiosos, logo atrás, e quase sendo deixado para trás, com cara de quem brigou com os amigos (e não poucos amigos, pois podemos ter poucos amigos mas que são muito divertidos, o que não nos deixaria emburrados) Johnny, que aceitou com relutância nossa explicação de que todos os elefantes são gordos, portanto, ele não estaria andando com dois gordos (embora eu fosse apenas barrigudinho), e sim um gordo (fofo) e um elefante normal.
Passado o caminho das escadas, o pântano de pudim, a ponte do rio sem água e a rua completamente normal exceto pelo chão ser feito de lava, finalmente chegamos ao hall de entrada da ilha dos coelhos guerreiros.
"Lembro-me ainda da primeira vez que segui por esse caminho" começou Dante, ajeitando seus óculos redondos, "foi horrível, eu estava nervoso, estava indo para a ilha dos coelhos, procurar um emprego." "E você conseguiu? Arrasou? Se saiu super bem?" Indagou Toby. "Foi um desastre" ele disse melancolicamente. "Estava nervoso, pensando nos meus fracassos anteriores... e, bem, fracassei mais uma vez. É o que acontece sempre, nem sei por que tento, nunca consigo. Apesar de inúmeros, não esqueço de uma só grande falha de minha miserável vida." Nós três olhávamos para ele sem saber o que dizer... "Que barra", até Johnny dizer isso. Agora nós estávamos olhando para o Johnny, parados, sem piscar. "Mas, sabe, ele tem razão, deve ser difícil não esquecer essas coisas..." Eu disse, após pensar sobre o que ele disse. Dante apenas meneou sua cabeça concordando conosco, um ar muito triste o apoderava. Toby estava inquieto, até que olhamos para ele e ele teve de dizer "Mas você não tem... momentos bons para se lembrar?" Dante parou (mais do que estávamos parados para encarar Johnny), tirou seus óculos, arregalou os pequenos olhos de jaboticaba, e olhou para o pequeno macaco. "Desculpa, não digo mais nada" ele disse, enquanto seus olhinhos amarelados se enchiam de lágrimas. "Faz sentido", disse o elefante, pensativo, "acho que eu só dava atenção às coisas ruins, pois elas poderiam me ajudar a não cometer erros futuramente, mas pensei tanto nelas que virei pessimista e ranzinza, enquanto se lembrasse das coisas boas, poderia ser mais otimista e ter boas lembranças, apesar do que me acontecesse de ruim!, muito obrigado, pequenino primata!, obrigado a vocês todos!" Agradecia o grande paquiderme, com um grande sorriso na cara, balouçando sua tromba (nariz) para os lados. "Mas... não fizemos nada" Disse Toby, mas Dante preferiu crer que o salvamos, quando só precisava mudar um pouco seu ponto de vista, ninguém reclamou pois um elefante feliz não incomoda ninguém.
Após muita caminhada, algumas lembranças boas, algumas recaídas, muitos sorrisos e nenhum sinal de mau humor, Dante falou "vocês não foram os primeiros chamados para resolver o caso de nosso Líder, mas sinto que tem mais chance de recuperá-lo do que os outros, eles eram... sérios de mais, muito sem graça, muito normais, vocês não, vocês são muito peculiares, para não dizer bizarros." "Obrigado, você também é bastante esquisito!" Agradeceu Toby.
Ele deu um abraço grande em nós três (de uma só vez, pois... ele é um elefante), agradeceu mais três vezes "obrigado, muito obrigado, valeu", e abriu finalmente o grande portão para a ilha dos coelhos guerreiros. "Tenho de ficar aqui" disse ele, com um tom energético, "preciso me lembrar de todas as coisas boas que esqueci, mas sem me esquecer de vocês." E com um sorriso no rosto, voltou para a sua placa, que apesar de ser a mesma de sempre, estava melhor.
Fim da Quarta Parte.