domingo, 25 de março de 2012

Nariz.

A cinco passos da placa que dizia "Final", havia uma outra escrita "da", caminhando mais uns dois metros, encontramos uma terceira (ou quinta, se contarmos todas as que encontramos na ilha [ou terceira bilionésima quadragésima milionésima décima quarta milésima quinca-centésima septuagésima vigésima oitava, se contarmos todas as placas do mundo]) com os dizeres "ilha", mais a frente uma com "dos", seguindo via-se "coelhos" e, por último, "gueTROMBAros." Eu acho que a última placa, na verdade, devia estar escrito guerreiros, porém havia uma tromba na frente.

"Nariz, eu prefiro que chamem de nariz, vocês todos tem narizes diferentes - menos você," e apontou para Johnny "você tem um bico, que é diferente dos narizes, ou 'trombas', enfim, todos tem narizes diferentes, uns mais longos, outros achatados, o meu é apenas bem comprido e tem dois dedos na ponta." explicou o elefante que se encontrava atrás da placa que realmente continha a palavra guerreiros. "Eu não sabia que trombas tinh-" "NARIZES" urrou o elefante "narizes de elefantes tinham dedos... que esquisito." Disse Toby, "também quero um!" completou. "A propósito, meu nome é Dante, eu sou o responsável pela entrada da ilha dos coelhos guerreiros, você deve ser aquele que fora convocado para curar a doença do Líder, por favor, sigam-me."

Dante nos guiava pelo caminho das escadas-que-não-subiam-nem-tampouco-desciam, ele na frente, eu e Toby ansiosos, logo atrás, e quase sendo deixado para trás, com cara de quem brigou com os amigos (e não poucos amigos, pois podemos ter poucos amigos mas que são muito divertidos, o que não nos deixaria emburrados) Johnny, que aceitou com relutância nossa explicação de que todos os elefantes são gordos, portanto, ele não estaria andando com dois gordos (embora eu fosse apenas barrigudinho), e sim um gordo (fofo) e um elefante normal.

Passado o caminho das escadas, o pântano de pudim, a ponte do rio sem água e a rua completamente normal exceto pelo chão ser feito de lava, finalmente chegamos ao hall de entrada da ilha dos coelhos guerreiros.
"Lembro-me ainda da primeira vez que segui por esse caminho" começou Dante, ajeitando seus óculos redondos, "foi horrível, eu estava nervoso, estava indo para a ilha dos coelhos, procurar um emprego." "E você conseguiu? Arrasou? Se saiu super bem?" Indagou Toby. "Foi um desastre" ele disse melancolicamente. "Estava nervoso, pensando nos meus fracassos anteriores... e, bem, fracassei mais uma vez. É o que acontece sempre, nem sei por que tento, nunca consigo. Apesar de inúmeros, não esqueço de uma só grande falha de minha miserável vida."  Nós três olhávamos para ele sem saber o que dizer... "Que barra", até Johnny dizer isso. Agora nós estávamos olhando para o Johnny, parados, sem piscar. "Mas, sabe, ele tem razão, deve ser difícil não esquecer essas coisas..." Eu disse, após pensar sobre o que ele disse. Dante apenas meneou sua cabeça concordando conosco, um ar muito triste o apoderava. Toby estava inquieto, até que olhamos para ele e ele teve de dizer "Mas você não tem... momentos bons para se lembrar?" Dante parou (mais do que estávamos parados para encarar Johnny), tirou seus óculos, arregalou os pequenos olhos de jaboticaba, e olhou para o pequeno macaco. "Desculpa, não digo mais nada" ele disse, enquanto seus olhinhos amarelados se enchiam de lágrimas. "Faz sentido", disse o elefante, pensativo, "acho que eu só dava atenção às coisas ruins, pois elas poderiam me ajudar a não cometer erros futuramente, mas pensei tanto nelas que virei pessimista e ranzinza, enquanto se lembrasse das coisas boas, poderia ser mais otimista e ter boas lembranças, apesar do que me acontecesse de ruim!, muito obrigado, pequenino primata!, obrigado a vocês todos!" Agradecia o grande paquiderme, com um grande sorriso na cara, balouçando sua tromba (nariz) para os lados. "Mas... não fizemos nada" Disse Toby, mas Dante preferiu crer que o salvamos, quando só precisava mudar um pouco seu ponto de vista, ninguém reclamou pois um elefante feliz não incomoda ninguém.

Após muita caminhada, algumas lembranças boas, algumas recaídas, muitos sorrisos e nenhum sinal de mau humor, Dante falou "vocês não foram os primeiros chamados para resolver o caso de nosso Líder, mas sinto que tem mais chance de recuperá-lo do que os outros, eles eram... sérios de mais, muito sem graça, muito normais, vocês não, vocês são muito peculiares, para não dizer bizarros."  "Obrigado, você também é bastante esquisito!" Agradeceu Toby.
Ele deu um abraço grande em nós três (de uma só vez, pois... ele é um elefante), agradeceu mais três vezes "obrigado, muito obrigado, valeu", e abriu finalmente o grande portão para a ilha dos coelhos guerreiros. "Tenho de ficar aqui" disse ele, com um tom energético, "preciso me lembrar de todas as coisas boas que esqueci, mas sem me esquecer de vocês." E com um sorriso no rosto, voltou para a sua placa, que apesar de ser a mesma de sempre, estava melhor.

Fim da Quarta Parte.

domingo, 11 de março de 2012

Final

Toby e eu abrimos a boca o quanto conseguimos, logo nossas bochechas estavam cheias de bacon. "GUE DELIFIA DE BAGON" eu disse. Toby apenas concordou com a cabeça enquanto comia ainda mais. Eu entendi que a situação era mais de fazer do que falar, e fiz como ele. "CAAAAAAAAAAARAS, QUE CÊS TÃO FAZENDO, BRÓDERS?! NÃO COMAM ESSE BACON, ELE NÃO É COMO OS OUTROS!", Johnny gritava, gesticulava, surfava. Já tínhamos comido muito bacon para não sofrer com as consequências - e mais importante, pra passar a fome -, então cuspimos o que estava em nossa boca. "O que esse bacon faz, Johnny?! Por que não nos avisou antes?" Eu perguntei muito preocupado. Ele levantou as mãos (asas) e disse, com um tom meticuloso "porque, cara, essas coisas tavam, tipo, caindo do céu, né! não achei que vocês fossem mesmo comer." eu parei por um segundo e percebi que fazia sentido, Toby não parava de pular, temendo as consequências. "tá... mas... o que acontecerá conosco? morreremos?" perguntei, lentamente, à sabia águia da água. Ele tirou os óculos escuros, revelando um par de olhos azuis duros, frios. "Sim, morrerão..." Toby parou, atônito. Eu engoli em seco e senti ainda um resquício do delicioso sabor daquele bacon, suculento e crocante. "Afinal" continuou "um dia todos morreremos, mas nesse caso, esse bacon, bom... ele te engorda 10 vezes mais rápido que um bacon normal."

Depois de discutirmos muito acerca do problema do bacon, chegamos numa ilha que parecia estar abandonada, cheia de poeira sobre os móveis, com cocô de cachorro no chão e várias cartas na caixa de correio. "Bom, vamos?" Eu disse para os dois, sem confiança na voz. "Não, eu não vou" disse Johnny, decidido. "tá com medinho, é?" perguntou Toby pulando, "não, não é nada dis-" "medroso! medroso! medroso, medroso" Toby repetira mais umas trinta e sete vezes pulando cada vez mais alto, em volta de Johnny, mas seria cansativo repeti-las para vocês. Johnny segurou Toby pela cauda e disse, irritado "não, cara, eu não to com medo, beleza? não tenho caô não, o problema é que eu não quero ser visto com dois gordos, cara.". De fato, depois de comer aqueles bacons surgiu uma pequena protuberância nos nossos abdômens, mas não acho que éramos, gordos, apenas... cheinhos. Pois bem, mesmo assim, Johnny não iria entrar na ilha conosco e, tirando ele, ninguém conhecia aquela região. E eu não sabia o que fazer para convencê-lo. "Não quer andar com gordos? qual o problema?" indagou, Toby, nervoso. "Pare de ligar para o que as pessoas pensam" disse ainda mais bravo, "agora vamos logo!" Urrou. "vamos, vamos vamos vamos vamos vamos vamos" e mais uma dúzia de vezes, sempre pulando a cada palavra. "Ok ok, eu vou!" disse por fim, Toby riu, com ar triunfante, colocando as pequenas mãos em sua pequena cintura. "Mais uma vez a insistência vence!", mas Johnny chacoalhou a cabeça negativamente e disse, "só quero esclarecer, cara, que eu vou com vocês porque você pulou tanto que emagreceu, e eu consigo andar com um gordo só." Por mais que eu discordasse e achasse que eu fosse no máximo fofo, não reclamei.

Adentrando a ilha, encontramos uma placa que dizia "COMEÇO DA ILHA PARA A ILHA DOS COELHOS GUERREIROS" motivados por estarmos perto, seguimos em frente com energia redobrada, a ilha parecia estar mesmo abandonada, apenas víamos poeira, bolas de sujeira e aquários que precisavam urgentemente ser limpos, uns 50 metros depois da primeira placa, encontramos outra com os dizeres "METADE DA ILHA PARA A ILHA DOS GUERREIROS" intrigados porém animados continuamos a andar, um pouco mais à frente, constatamos que a ilha estava de fato abandonada, pois encontramos uma TV ligada no canal de compras, e sabemos que se tivesse alguém a assistindo, não deixaria naquele canal por mais de 5 segundos. Depois do televisor e mais alguns eletrodomésticos ligados sem utilidade e gastando uma tremenda eletricidade, chegamos à terceira placa. Nessa estava escrito apenas "Final"

Fim da Terceira Parte.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Esse capítulo terminará com uma chuva de bacon.

"AAAAAAAAAAAAH" gritávamos em coro, prestes a nos esborrachar naquele muro voador. Até que... até que... nada. Paramos. Eu olhei para ele, mais curioso que aliviado "a gente morreu?", ele riu e se apoiou no cotovelo como se tivesse planejado tudo "eu disse que ficaríamos bem", eu não pude conter minha surpresa "o que você fez?!", ele riu de novo, com um tom meio nervoso "na verdade... nada, é outro defeito do foguete, às vezes ele para de funcionar.". Como saímos no lucro, não o questionei quanto a isso. "Como saímos daqui agora?" Ele apertou um parafuso aqui, uma porca ali, meio que às cegas, quando eu ia perguntar se ele realmente sabia o que fazia, o motor voltou a funcionar com um ronco. Ele olhou para mim e sorriu, daí começamos a cair.

"AAAAAAAAAAAAAAAH" gritávamos novamente, caíamos violentamente e tudo não passava de um borrão azul, ao nos aproximarmos da água, fechei os olhos, e pousamos suavemente. Acho que a solução aqui é simplesmente não se preocupar. Antes que eu perguntasse, Toby explicou-me "acho que consegui fazer funcionar o motor do bote, não do foguete, hehe, será uma viagem agradável, não concorda?" Fiz que sim com a cabeça, pensando onde havia me metido com esse macaquito que não percebia o perigo que corrêramos. "Pois bem" eu disse então, olhando para a bússola que não parava de girar, até que a mão da seta apontou para nossa direita, "estibordo, marujo!", Toby olhou para mim, sem dizer nada, e o encarei de volta, esperando uma reacção. "Estibordo é pra..." ele disse em voz baixa, olhando para seus dedos que se tocavam, "direita, Toby... estibordo é para a direita... você não é muito pirata, né?", "Um dia eu serei o maior" ele disse com tom decidido, cerrando os punhos e olhando para o horizonte. (e virando o barco para a direita quando parou com a atuação)

O sol começava a raiar, e a noite (dia) clareava (escurecia), já se passara um certo tempo desde que os coelhos guerreiros pediram minha ajuda, e eu apenas consegui um macaquito otimista e um bote defeituoso, realmente muito irresponsável, imagino que eles ficariam satisfeitos com isso. Navegávamos tranquilamente como o calmo mar que começava a refletir os primeiros raios laranja do sol. Eu não parava de pensar em quão grave deveria ser o problema dos coelhos, para pedirem ajuda a alguém de fora, ainda mais de mim. E pensava também em como ficaria o sabor de um chiclete de carne. Distraído notei o semblante de Toby, apesar de todo aquele otimismo, percebia que sua boca tinha traços de tristeza, gostaria de saber mais dele, o que o tornara tão otimista e por que parecia triste apesar da aventura. Grrrrrrr. Ou ele poderia apenas estar com fome.

Levantei-me "Que tal pescarmos um pouco?" falei enquanto tirava minha camiseta roxa. Toby, animado, disse "leu minha mente!, estou com tanta fome que poderia comer uma nuvem inteira!", e foi procurar por algo que pudéssemos usar como vara ou arpão ou rede de pesca ou seja lá o utensílio para pesca de sua preferência. Encontrou um imã gigante, um balaústre gótico e uma bola de praia, mas nada que pudéssemos fazer proveito, jogou o balaústre fora - o que nos fez ir mais rápido - e jogou a bola de praia em mim - o que nos fez pensar menos na fome e no tempo.

O Sol brilhava forte no céu, e depois de brincar com a bola por 3 horas consecutivas Toby perguntou "O que é aquilo?" apontando para frente (minha trás), virei e vi uma nuvem negra sobre uma região aleatória do mar "bom, Toby... é só chuva, sabe? as nuvens fazem isso, às vezes, eu acho" disse, mesmo tendo tanta certeza quanto ele. Coincidentemente ou não, a bússola apontava para lá, mais cedo ou mais tarde saberíamos o que era aquilo. Mais cedo foi. "É uma nuvem de carne.", disse alguém, estávamos tão encucados com a nuvem que mal notamos a aproximação dele. Era um pássaro, grande, magro, pardo e, aparentemente, surfista. Usava uma bermuda florida e um óculos escuro. "e aííí, tão perdidos bróders?" o pássaro falava lentamente, como se as próprias palavras surfassem em sua língua. Acenamos que sim com a cabeça, ainda sem entender muita coisa. "Você disse que é uma nuvem de carne? o que é isso? e quem é você?", eu falei atropelando as palavras. "Caaaalma, cara, um de cada vez: sim, uma nuvem de carne, oras, sabe, quando a carne evapora, vai pro céu, forma uma nuvem e depois chove bacon, tá ligado? Eu sou Johnny, a águia e vocês?", enquanto explicava ele fazia algumas manobras em sua prancha comprida e amarela. "Estamos perdidos..." eu disse desanimado "Mas que bom que você está aqui, Johnny, você é um surfista, deve conhecer esse mar, ajude-nos!" disse Toby animado. "éééé, pode ser, mas com uma condição:" e ergueu o dedo lá no alto antes de dizer "ajudarei, se não rirem de minha... careca" praticamente balbuciou a última palavra. Eu mal tinha reparado em sua calvície, mas tive de me segurar para não rir quando vi. Na verdade ele ainda tinha muito cabelo (penas), mas, de fato estavam meio ralas, porém o que mais me fez rir foi o fato de Johnny ser uma águia careca, o que não precisa de muita explicação... todos concordamos em não rir e prometemos entrelaçando os dedos menores.

Quando vimos, a nuvem já pairava sobre nossas cabeças, e, como prometido no título do capítulo, começou a chover bacon.

Fim da Segunda Parte.