Sentados no gramado do parque, gargalhavam. "Tá bom, tá bom, minha vez. Deixa eu ver... eu aposto que você não acerta aquele formigueiro ali" Ela disse lhe entregando uma pedra. Ele se ergueu sobre um joelho; fechou um olho e levantou a pedra à altura do outro; puxou o braço para trás e sem força fez o arremesso. A pedra ainda sim alcançou o pé do formigueiro, e ao atingi-lo fez com que um pedaço de terra caísse do topo. "Nada mal, poderia ser melhor, mas ainda sim conseguiu acertar. Merece um prêmio." Reclinou-se sobre o rapaz e lhe deu um beijo rápido nos lábios fechados.
Deu uma risada inocente e disse se sentando "Valendo outro beijo, aposto que não acerta aquelas pombas" E pôs outra pedra em sua mão. Ele parou por alguns segundos, olhou para sua mão cerrada, olhou para as aves, olhou para ela. A menina meneou a cabeça, incentivando-o a tomar uma atitude, "Qual a diferença entre acertar as formigas e os pombos, afinal?" Por mais que fizesse sentido, ele continuava hesitante. Ela lhe mandou um beijo, ele apertou a pedra em sua mão, virou-se para as pombas e arremessou, acertou em cheio no corpo da mais gorda. Ela tentou voar, mas sua asa fraquejou e ela caiu, ao levantar fugiu o mais rapidamente que pôde. Antes que o menino pudesse ir ajudar o pássaro, ela passou a perna sobre ele e, colando seus corpos, beijou-o. Um beijo longo e vagaroso.
Levantou-se num pulo, rindo-se, abriu os braços e falou "Aposto que não consegue derrubar aquelas pessoas" E apontou com a cabeça para um grupo de amigos que andavam de bicicleta e patins. Mas o rapaz não gostou da ideia, começou a se levantar para se afastar dela "Vamos, vai, será divertido, ganhará o melhor beijo de todos, prometo." Ela disse. O rapaz então lhe deu a mão, apesar de fechar a cara, demonstrando que não concordava com isso. Ela o puxou para perto do grupo, soltou-lhe e começou a procurar algo pelo chão, e com um gritinho de satisfação
lhe entregou algo. "É só jogar no chão quando não estiverem olhando, se passarem por cima, cairão." Disse em meio a risos contidos. Ele deu um passo em silêncio, sem chamar atenção de seus alvos e jogou o pedaço de galho seco sem que lhe notassem. A menina o puxou rapidamente para trás da árvore. Assim que ouviu o galho se quebrando o gemido de dor de uma garota, ela passou as mãos por trás dele e lhe envolveu num beijo, beijou-lhe toda a boca; a mordeu; o mordeu; as mãos dançavam pelo corpo dela; ela quase dançava colada a ele; a respiração ofegante; o coração acelerado. Ela lhe deu um beijo longo; apaixonado. Sua boca se recusava a desgrudar da dela, mas ela se afastou. Afastou-se devagar, empurrou-o para trás, beijou-lhe o pescoço, o peito sob a camiseta, o corpo, de cima a baixo. E embaixo, aproximou-se, olhou para ele, que mordia os lábios. Os dentes metálicos se afastaram. Os lábios dela se abriram.
Abriu os olhos e lhe sorriu. Ele se abaixava, deitando ao pé da árvore, se sentia um adolescente, um adolescente muito feliz e inconsequente.
Acomodou-se no colo dele, recostou-se em seu peito e, corada, lhe falou inocentemente "Aposto que não parte meu coração antes d'eu partir o teu".