sábado, 15 de fevereiro de 2014

13 de Maio de 1999 (Cobranças)‏.


Ele colocou o telefone no gancho e levou as mãos ao rosto, cansado. Deu um longo suspiro, cansado. Era o pessoal da editora, estão me cobrando, ele disse quando ela entrava na sala, Cobrando o quê? você tem escrito sempre, não larga esse bloquinho, distrai-se a pensar sobre seus poemas, sobre seu livro, respondeu-lhe sentando-se ao seu lado, ele jogou seu corpo para trás no sofá, Mas quantas vezes já me viu escrevendo? de que me adiantam tantas ideias... eu preciso me cobrar mais, Acalme-se... se cobrar não levará a nada, você tem outras coisas com que se preocupar, nós, por exemplo... ele a olhou com um ar de descrença, uma sobrancelha levantada, Aline, nós estamos juntos o tempo todo, você praticamente mora aqui, já se passaram seis meses e eu sequer comecei meu livro, eu tô arruinado.
Pois é bom que você não me troque por nada, Tiago, porque saiba que não lhe darei nenhum prazo, nem seis meses sequer seis segundos. Eu não simplesmente cobro, eu faço você pagar.

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