sábado, 22 de dezembro de 2012

Bonitinha.

Adjetivo

bo.ni.ti.nha

1. possuidora de um sorriso tão belo ao ponto de fazer São Paulo bonita; de uma doçura impar que nos faz feliz apenas por poder estar com ela, por tê-la em sua vida; também de muita lucidez e sabedoria. Que consegue sempre lhe animar com qualquer palavra boba, lhe faz suspirar; que lhe toma os pensamentos e lhe faz fugirem as palavras. Que lhe faz querer ir mais longe; que transforma sua vida toda; que faz o resto importar menos, mesmo se importando com tanta coisa. Muita, muita coisa. Indescritível, por mais que saiba descrever bem. Muita coisa. Tudo.

2. feia arrumadinha.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Globo de Neve.

Ela pegou o mundo todo, sua vida, seus problemas, o futuro e o passado, e minimizou. Condensou numa estrofe, reduziu a um verso.
A complexidade do ser humano foi diminuída a uma rima colocada na prateleira.
O segredo da vida virou uma pequena charada, a dor do amor ela curou com Merthiolate.
Enquadrou o passado e colocou na parede para admirar bem, viu o futuro pelas lentes do binóculo e não se preocupou.
Convidou todos para brincar no playground. Ela só quer ser empurrada no balanço, mais alto, mais alto, diz ela.
O mundo é uma bola que ela joga pro alto, o mundo é uma bola que ela joga pro ar.
Ela rima e desrima, de um jeito torto como o meu sorriso ao vê-la, delicadamente, sorrateiramente, ela constrói uma armadilha, e quando diz que largou a poesia, prende-me em seus versos, prende-me em versos livres.
Sua prisão é vidro fino, mas eu não quero fugir, o mundo que ela construiu é afável, ao som do glockenspiel eu adormeço, e sonho que estou acordado, e ao acordar é como se ainda sonhasse.
Ela bate no vidro *tintintin*, ela toca o glockenspiel *tintintintin*, eu vejo suas mãos, vejo suas criações, e já a completo por mim mesmo.
Um a um, tudo vai voltando ao seu lugar, apenas em escala menor. O mundo, a vida, os problemas, o futuro e o passado estão aqui, ela também, sentada à minha frente, ou é você?

Tudo no seu lugar, dentro dessa pequena redoma.

Ela nos pega, com as duas mãos, e vira tudo de cabeça para baixo. Nos balouça bruscamente.
A neve cai e tudo faz sentido.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Olhar.

Meus olhos encontraram os dela e ficaram presos. Eu fiquei pregado. Meu coração deu um salto. Minha alma estremeceu. Era inacreditável, aquele par de olhos era, simplesmente.
Seu olhar continha uma história, uma vida, um mundo, um universo, tão imenso e vazio como. 
É como se ela já tivesse visto tantos outros como eu, tantos outros que não lhe tiravam os olhos, perplexos, perdidos em tamanha obliquidade.
Eu a via lá, parada, do outro lado do salão, olhando para mim como se olhasse para o nada, olhando para o nada como se estivesse de olhos fechados.
Duas ônix lapidadas pela vida, com dor e alegria, num equilíbrio torpe. Seu olhar era frio, mas me queimava por dentro, seu olhar era gélido, mas acendeu meu peito. 
Eu não podia fugir, eu olhava para ela a todo momento, e ela também, retribuía, ou guiava.
Eu não podia fingir, estava hipnotizado por aqueles olhos, aquele olhar.
Eu não podia piscar.

Pisquei e a perdi.

Mas sei que ela ainda olha por mim.