Seu olhar continha uma história, uma vida, um mundo, um universo, tão imenso e vazio como.
É como se ela já tivesse visto tantos outros como eu, tantos outros que não lhe tiravam os olhos, perplexos, perdidos em tamanha obliquidade.
Eu a via lá, parada, do outro lado do salão, olhando para mim como se olhasse para o nada, olhando para o nada como se estivesse de olhos fechados.
Duas ônix lapidadas pela vida, com dor e alegria, num equilíbrio torpe. Seu olhar era frio, mas me queimava por dentro, seu olhar era gélido, mas acendeu meu peito.
Eu não podia fugir, eu olhava para ela a todo momento, e ela também, retribuía, ou guiava.
Eu não podia fingir, estava hipnotizado por aqueles olhos, aquele olhar.
Eu não podia piscar.
Pisquei e a perdi.
Mas sei que ela ainda olha por mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário