terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Olhar.

Meus olhos encontraram os dela e ficaram presos. Eu fiquei pregado. Meu coração deu um salto. Minha alma estremeceu. Era inacreditável, aquele par de olhos era, simplesmente.
Seu olhar continha uma história, uma vida, um mundo, um universo, tão imenso e vazio como. 
É como se ela já tivesse visto tantos outros como eu, tantos outros que não lhe tiravam os olhos, perplexos, perdidos em tamanha obliquidade.
Eu a via lá, parada, do outro lado do salão, olhando para mim como se olhasse para o nada, olhando para o nada como se estivesse de olhos fechados.
Duas ônix lapidadas pela vida, com dor e alegria, num equilíbrio torpe. Seu olhar era frio, mas me queimava por dentro, seu olhar era gélido, mas acendeu meu peito. 
Eu não podia fugir, eu olhava para ela a todo momento, e ela também, retribuía, ou guiava.
Eu não podia fingir, estava hipnotizado por aqueles olhos, aquele olhar.
Eu não podia piscar.

Pisquei e a perdi.

Mas sei que ela ainda olha por mim.

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