segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sinal (de que te quero tanto e tanto)

Minha vida já foi completamente marcada pela tua,
e agora sempre que eu ouvir teu nome,
vou me lembrar de tudo que temos, ainda temos.
E sempre que eu vir algum belo sorriso,
compará-lo-ei ao teu, e serei tão severo,
tão sincero,
que não há de haver um mais belo.
Meu sorriso, ele também, foi marcado por ti.
Pelo teu.

E a alegria, caso um dia eu a perca,
te perca,
a alegria, quando vier, ecoará teu nome.
Trará de volta todos aqueles momentos,
todos os doze, os doces, e muito mais.
Se bem que alegria não rima com teu nome, querida,
mas, por obra do acaso, nunca preferiu as rimas.
Minha alegria também, foi marcada pela que me deu
pela que aprendi a sentir contigo.

Paremos de pensar tanto, 
pensar no futuro, 
pensar no pior, no melhor.
Que pensei em tudo que podia acontecer,
e não previ algo tão bom quanto eu e você.
E agora lhe reservo todo meu pensamento,
e meu sentimento.
Sentimento, é melhor sentir afinal, e como sinto,
sinto algo tão bom aqui, sinto a cada pulsação no meu peito.
Cada vez mais.
Sinto saudade, sinto vontade, sinto tanto.
Tudo que sinto, já está marcado pelo que sentimos,
um pelo outro.

E quando te tenho em meus braços,
raros momentos que não podem, e não são,
desperdiçados.
E quando te tenho bem na minha frente,
respiro fundo, fico em silêncio, e multiplico tudo que sinto.
Aproveito cada segundo, cada momento, cada beijo,
consciente de que pode ser o último,
com a esperança de que seja um em meio a milhões.
E meu beijo, até meu beijo está marcado, pelos seus gostos
pelo teu gosto.
E meu toque, quando te toco,
quando te tenho, 
quando temos.

Um momento a sós, um dia só nosso,
uma vida paralela num quarto distante.

Quando és minha e sou teu.

Fica a marca do amor tamanho, tão grande,
tanto, que transborda, tenta sair por qualquer ato,
impensado
de coragem.
Fica a marca do amor, tão puro, tão límpido.

Fica a marca do amor.
Na nossa pele,
é só a marca do amor.
Sinal.

Sinal de que te quero tanto e tanto.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

No nosso quarto, durante a guerra.


Bombardeiros sobrevoavam prédios, despejando bombas. Metralhadoras disparavam para todos os lados, projéteis perfuravam a carne- a fraca, a forte. Explosivos detonavam grupos, despedaçavam vidas, corações. As explosões e tiros deixavam todos surdos.
O quarto estava repleto do nosso silêncio, algumas estrelas sobrevoavam nossas cabeças, disparávamos palavras tolas ao acaso, sempre atingindo em cheio no peito. Beijos detonavam nossos corpos, nossa razão.
Alguns gritavam que a rainha estava morta, alguns rugiam que não queriam morrer. Sem causa, sem nação, atacavam uns aos outros, sem causa, sem razão, morriam pelas próprias mãos.
Falava baixo em meu ouvido que estava viva, confidenciava-me como queria viver. Eu era teu, tu era minha, nos atracávamos, com um motivo, a emoção, vivíamos em nossos braços.
Trincheiras eram feitas, estrategistas analisavam o terreno, tropas avançavam.
Desfazíamos defesas, descobríamos um ao outro, avançávamos.

Só ouvia tua respiração, os estalos de nossos beijos. Só sentia o prazer do teu corpo, a vida pulsando dentro de nós.
Só se ouviam gritos, perdiam a respiração, as explosões de minas. Só sentiam medo,  a vida saindo de seus corpos.
Te tinha toda em meus braços, tinha meu coração em seus lábios.
Perdiam membros no campo de batalha, até que o coração parasse.

Pude te amar verdadeiramente, de forma terna, de forma eterna.
Odiaram-se sinceramente, de maneira cruel, para sempre.

O mundo poderia acabar lá fora, pudesse morrer o presidente do mundo, cá dentro em nosso quarto, cá dentro, eu tinha toda a paz que precisava.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Apague as luzes.

Apague as luzes, ela disse se deitando na cama calmamente. Não por vergonha, não para deixar de ver, pelo contrário, queria enxergar tudo, queria lembrar de cada detalhe, Apague as luzes.

Desnudando todo o mistério, o segredo, o proibido. Arrancando a timidez, a vergonha, o medo.

Pôde vê-la por inteiro, de olhos fechados, senti-la, cada palmo de seu corpo, senti-la, a respiração que acelera, senti-la, o coração dispara, senti-la.

Reconhecê-lo, conhecê-lo, senti-lo, sentir.

Sentiram, um ao outro. Sentiram, uma noite deles. Sentiram, uma, duas, três vezes. Sentiram.

Ele podia vê-la, viu um sorriso de canto, viu o coração descontrolado, viu um sentimento confuso, viu. Sob luzes apagadas ele viu.

Prometia a si mesma que tudo isso não passaria de uma coisa única, prometia que não cairia nessa, prometia  não se apaixonar. Prometia promessas vazias.

Apague as luzes. Ele apagou. Apague as luzes. Ele acendeu, acendeu a brasa em seu peito. Ela queimava de paixão, suada, cada vez mais quente, ele a fazia arder. Tentava apagá-la, com beijos molhados, lábios húmidos na pele calorosa, em cada canto, minúcia. Apague-me.

Apagaram.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Te ver.

Pus minha cabeça no travesseiro
e fiquei incomodado,
seu colo é muito mais confortável.
Nenhum perfume me agrada mais,
prefiro aquele cheiro que fica em mim
quando passamos a tarde abraçados.

Me estranha cerrar a mão e não encontrar a tua
feita sob medida para mim.

Olhei para o céu e vi que hoje estava tão lindo,
com o sol brilhando lá no alto, e as nuvens caminhando
vagarosamente, vagarosamente.
A água refletia e duplicava toda essa beleza.
Mas eu trocava tudo por mais um sorriso teu.
Só um sorriso, pra mim.

Os pássaros estão cantando,
minha banda predileta toca no rádio,
E nada soa tão bem quanto tua voz a dizer qualquer besteira,
que nos faça rir, que nos faça pensar.

Penso e penso e penso e
deveria parar.
Pois tenho pensado em ti a cada segundo,

Vejo como essa cidade é cinzenta,
sem você aqui.
Vejo como essa cidade é solitária,
sem você aqui.

Você foi embora,
e eu fiquei, fiquei em casa.
Já não existe mais amor por essas bandas.

Se lar é onde o coração está,
eu faço minha trouxinha.
Deixo o medo por aqui, para os prédios e as ruas,
levo meu sorriso, meu coração,

e vou praí te ver.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Apocalipse

Como as folhas arrancadas do calendário, eles se livraram da timidez, da insegurança, do estranhamento. Com as mãos entrelaçadas observavam o céu sem estrelas, calados, ouvindo seus corações que batiam em uníssono.
Ele a olhou com ternura, ela retribuiu, os olhos dela, tão decididos, quase predadores, o fitavam carinhosamente. Lhe abriu um semi-sorriso, pequeno, tímido.
Os lábios dele se dobraram, beijou-a na testa brilhante. Abriu-os lentamente, com cuidado "Que bom que o mundo não acabou."
Lhe abriu um todo-sorriso, grande, alegre. Balançou a cabeça concordando.
As mãos inquietas, entrelaçadas, como se tivessem sido criadas uma para a outra, preenchendo-se perfeitamente. Entrelaçadas, inquietas, nunca soltas.
Os olhos dela se acalmavam, semi-cerravam-se, alegres, sempre a observá-lo, fugindo dos seus. Seus olhos, a admirá-la a cada fração de segundo, cada fragmento do seu ser, tão atento, não deixando nada lhe fugir, nem mesmo seus olhos.
Sua boca, ferida pelo amor incontrolável dele, manchada pelo amor impaciente dos dois, arqueada num sorriso constante, permaneceu quieta essa noite, movia-se apenas quando precisavam, quando precisava colocar para fora todo o sentimento.
A dele permanecia fechada para não deixar escapar tudo que estava lá dentro, um mundo inteiro de pensamentos que era melhor não pensar, um universo de sentimentos impossíveis de negar. O peito dele ardia, uma supernova incandescente prestes a explodir.
O Sol começava a raiar no horizonte, mas sua beleza não era páreo para a dela, ele não desviou o olhar por um segundo sequer, as mãos não paravam, se reconheciam, se conheciam, conheciam o outro por inteiro. Sem culpa, sem vergonha.
O amanhecer se aproxima mas eles não se importam, ainda é noite, sua noite, tão esperada noite. Sorriem, fecham os olhos, perdem-se num abraço, aproximam-se. Um universo dentro de cada um prestes a colidirem. Tudo, nada.


O Sol aparece, rubro, com uma camada de calor, de amor. O fim do mundo enfim chegou, apenas esperou pelos dois.
O mundo acabou, naquele beijo o mundo acabou.