Apague as luzes, ela disse se deitando na cama calmamente. Não por vergonha, não para deixar de ver, pelo contrário, queria enxergar tudo, queria lembrar de cada detalhe, Apague as luzes.
Desnudando todo o mistério, o segredo, o proibido. Arrancando a timidez, a vergonha, o medo.
Pôde vê-la por inteiro, de olhos fechados, senti-la, cada palmo de seu corpo, senti-la, a respiração que acelera, senti-la, o coração dispara, senti-la.
Reconhecê-lo, conhecê-lo, senti-lo, sentir.
Sentiram, um ao outro. Sentiram, uma noite deles. Sentiram, uma, duas, três vezes. Sentiram.
Ele podia vê-la, viu um sorriso de canto, viu o coração descontrolado, viu um sentimento confuso, viu. Sob luzes apagadas ele viu.
Prometia a si mesma que tudo isso não passaria de uma coisa única, prometia que não cairia nessa, prometia não se apaixonar. Prometia promessas vazias.
Apague as luzes. Ele apagou. Apague as luzes. Ele acendeu, acendeu a brasa em seu peito. Ela queimava de paixão, suada, cada vez mais quente, ele a fazia arder. Tentava apagá-la, com beijos molhados, lábios húmidos na pele calorosa, em cada canto, minúcia. Apague-me.
Apagaram.
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