sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
No nosso quarto, durante a guerra.
Bombardeiros sobrevoavam prédios, despejando bombas. Metralhadoras disparavam para todos os lados, projéteis perfuravam a carne- a fraca, a forte. Explosivos detonavam grupos, despedaçavam vidas, corações. As explosões e tiros deixavam todos surdos.
O quarto estava repleto do nosso silêncio, algumas estrelas sobrevoavam nossas cabeças, disparávamos palavras tolas ao acaso, sempre atingindo em cheio no peito. Beijos detonavam nossos corpos, nossa razão.
Alguns gritavam que a rainha estava morta, alguns rugiam que não queriam morrer. Sem causa, sem nação, atacavam uns aos outros, sem causa, sem razão, morriam pelas próprias mãos.
Falava baixo em meu ouvido que estava viva, confidenciava-me como queria viver. Eu era teu, tu era minha, nos atracávamos, com um motivo, a emoção, vivíamos em nossos braços.
Trincheiras eram feitas, estrategistas analisavam o terreno, tropas avançavam.
Desfazíamos defesas, descobríamos um ao outro, avançávamos.
Só ouvia tua respiração, os estalos de nossos beijos. Só sentia o prazer do teu corpo, a vida pulsando dentro de nós.
Só se ouviam gritos, perdiam a respiração, as explosões de minas. Só sentiam medo, a vida saindo de seus corpos.
Te tinha toda em meus braços, tinha meu coração em seus lábios.
Perdiam membros no campo de batalha, até que o coração parasse.
Pude te amar verdadeiramente, de forma terna, de forma eterna.
Odiaram-se sinceramente, de maneira cruel, para sempre.
O mundo poderia acabar lá fora, pudesse morrer o presidente do mundo, cá dentro em nosso quarto, cá dentro, eu tinha toda a paz que precisava.
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