Eu olho fundo para elas, delicadas, negras. Pequenas e redondas, elas me encaram de volta. Duas jaboticabas. Envolvidas em traços compridos, quase que lânguidos, que dão às frutas - teus olhos - ar obstinado, decidido. Linhas tênues que se encompridam na beleza da tua face, quase que afogando teus olhos, sufocando o brilho do olhar que me encara, me domina. E os teus traços da terra se alongam ainda mais, se esticam como a dama que se ergue na ponta do pé para um beijo de despedida; o brilho que vem lá de dentro, do fundo do teu olhar, que me reflete minha alma; minha paixão; meu amor. Brilha nessa imensidão negra dos teus olhos, estrelas que brilham à noite; mas diferentemente delas, não me mostram o passado já morto, uma fotografia do que se foi, mostra-me, ao invés disso, um futuro vívido, um amanhã melhor. E teu olhar brilha, teus olhos se esticam. Os admiro enquanto me respondem com um só movimento.
Teus lábios, róseos ou rubros, pintados ou nus, a tremular ou firmes, teus lábios. Simplesmente teus, que tem a medida certa para os meus. Nem grandes, nem pequenos, do meu tamanho. Do nosso tamanho, quando nossa boca se torna uma, quatro lábios e um beijo. Teus lábios, pintados, teus lábios, manchados. Vermelho, como o amor, roxos, como a dor. Teus lábios, que quero que sejam apenas meus. Teus lábios.
E o brilho do teu olhar, a beleza de teus olhos, por mais que brilhe, por mais belos que sejam, são ofuscados. Sinto em lhe dizer, há algo ainda mais belo que seu olhar. Que, junto dele, junto de ti, te faz a mais bela que meus olhos já pousaram, que completa esse quebra cabeça que é teu olhar, algo tão simples, que supera a genialidade, supera os mistérios, é pura beleza.
De longe eu logo vi, antes mesmo de te conhecer, estampado em tua face, aberto para o mundo. Como um coração aberto, uma felicidade exposta.
Como pérolas, gemas preciosas, de valor inestimável, a brilhar. Como um raio de sol, que ilumina meu dia, enche a sala de um calor afável. Como o destino, bem à minha frente. O sorriso mais belo que já vi.
Quando eu observava teus olhos, delicados. Que se esticaram.
Teus lábios, belos, desejados. Que se abriram, revelando-me.
O sorriso mais belo que já vi.
O sorriso que mais me alegrou.
Teus olhos a se esticar, compridos, parece que me sorriam também.
Tua boca, formada num grande sorriso, num sorriso verdadeiro, aquecendo meu peito.
Meu peito palpitava.
Abriu-me um sorriso, o brilho quase me cegou.
Um sorriso verdadeiro, que trazia consigo o mundo inteiro.
Abriu-me um sorriso,
e o mundo se abriu.