segunda-feira, 23 de maio de 2011

bafo de bebida

Eu estava com um forte bafo de bebida, aquele cheiro que ela não gostava, mas eu não podia viver sem. eu estava com um forte bafo de bebida, mas o gosto de solidão continuava na minha boca, aquele gosto amargo que eu sempre senti até conhecê-la. o sabor estava mais forte que de costume, talvez pra compensar o tempo que estivemos separados.
"felipe, eu te amo, e você merece ser feliz, mas eu sinto que não sou eu quem te fará feliz, mas ainda podemos ser amigos, então, ainda podemos ser amigos?"
claro, claro, podemos ser amigos, eu ia sugerir isso mesmo. mal posso esperar pra você vir me contar do seu novo namoradinho e dos seus problemas de relacionamento que serão resolvidos com qualquer frase fofa que ele disser.


É claro que eu não tive as bolas pra dizer isso antes
"com certeza, antes de tudo nós somos amigos, e eu não quero perder uma pessoa tão importante quanto você" sim, essa é uma boa resposta para um covarde, alguém que não se importa em sofrer
mas agora eu tenho esse bafo de bebida, e parece que a coragem veio junto, agora eu poderia te dizer tudo, eu poderia dizer "não, eu não quero ser seu amiguinho, eu quero que você seja minha e só minha, eu quero te comer - com amor - não quero que você venha me dizer que outro fez isso contigo , entã ov ai se foder com sa amizade ,eu nã oqjuero nada disso ,eu qero você não é perdir muito, msa é impossíve, é impsiosvel pra voce sentir amor por algueom como eu, que tenho tanto amor pra te ofercer, mas sói iss. só amor, não sou lindo, nao sou descolado, nao sour ico, não sou rebeldo, só tenho amor;"
é... agora eu tenho coragem de te dizer tudo isso, ou melhor! te dizer isso, agora

"EU PRECISO TE DIZER UAM COSA"
"felipe, não com esse bafo de bebida"

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O pintor.

Uma pincelada suave aqui, outra mais energética acolá. Pintava de forma ritmada, seus traços tinham música. Mas também podia ser mais rígido, mais frívolo. Ele era um exímio pintor.
Pintava sempre numa mesma praça, não diariamente, mas tentava pintar sempre que tivesse tempo. Afinal, ele era estudante - e não de artes - e também trabalhava para ajudar em casa. Mas a pintura era sua paixão verdadeira.
No começo, poucos davam atenção para sua pintura, somente alguns poucos amigos o apoiavam. Verdade seja dita, ele pintava por gosto e nunca tivera nenhuma instrução, mas com o tempo pegou o jeito e agora já tinha uma técnica avançada para alguém tão jovem.
Mais e mais pessoas passaram a admirar sua arte. Sempre que se punha a pintar, dúzias de pessoas paravam para observá-lo, ver sua obra, sorrir, chorar, emocionar, chocar. Ele fazia de tudo, quadros lindos; lúdicos; serenos, que deixavam qualquer um alegre, quadros horrorosos; bizarros; ácidos, que chocavam e criticavam a sociedade, incomodavam todos.
Porém algo sempre o incomodava, mas ele não dizia nada a ninguém. Ele pintava, pintava, pintava. Quadros de amor, quadros de horror, quadros abstractos, críticos, sonhos e pesadelos. Pintava de tudo, tudo o que sentia, tudo o que as pessoas queriam dizer mas não conseguiam expressar. E quando viam algo que dizia o que sentiam, que era realmente belo, ou fazia pensar, reflectir, quando o quadro realmente mexia com pelo menos um de seus espectadores, eles não diziam nada. Nunca o elogiavam, criticavam, apoiavam ou reprovavam. Adoravam seus quadros, certamente, entretanto ele não recebia um comentário sequer, a não ser que ele pedisse suas opiniões.
Cansado disso tudo ele resolveu lhes dizer o que sentia, como ele sabia. Pintou um quadro, um autorretrato, era ele a pintar na mesma praça com os mesmo espectadores, a cena era a que podia ser vista quase que diariamente naquele lugar, com uma pequena diferença: as pessoas que viam seus quadros estavam amordaçados, e com uma metáfora simples finalmente teve uma resposta.
- Desculpe-nos - disse uma moça no meio da multidão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Corri.

Um sorriso no meu rosto.
O céu estava cinza, as nuvens prestes a chover.
Mas não, não era por isso.
Eu me sentia vivo, livre.
Meu coração palpitava.
Minhas pernas começavam a pesar.
Eu não tinha destino.
Não perseguia ninguém.
Nem era perseguido.
Não tinha ninguém me esperando.
Ou ao meu lado.
O vento batia no meu rosto.
Levantava meu cabelo.
Eu não queria, mas teria de parar.
Mais um pouco, eu conseguia.
Mais um pouco.
Eu continuava sorrindo.
Cansando.
Parando.
Estava feliz.

Corri.

domingo, 8 de maio de 2011

Como se dança?

Como se dança? Eu perguntei.
As respostas eram diretas, objetivas. Eu descobri que era muito fácil dançar. Com um pouco de prática eu estaria dançando bem, quem sabe muito bem, dentro de pouco.
E assim foi, pedi a uma amiga que praticasse comigo.
Ai, pisou no meu pé de novo. Ela dizia. Desculpe-me, mas a gente tava indo bem, admita. Até você pisar no meu pé, né.
Todos os dias, quando nos viamos e tinhamos tempo, dançávamos, valsavamos. Na escola, quando nossos horários batiam. Na casa dela, quando não tinhamos dever. Na estação do metrô, esperando pelo trem.
Você tá bom, hein, também, com uma parceira dessas. Haha, claro, você é a melhor, eu sou um pé de valsa simplesmente por isso mesmo, não porque tenho o sangue latino correndo em minhas veias.
E riamos, riamos, dançávamos e riamos. Mais riamos que dançávamos. Mas eu dançava bem, no fim. Estava preparado. Não faria feio.

Chegou o famigerado dia. Eu estava confiante, estava pronto. Estava de terno, estava terno. Eu era apenas mais um para dançar, mas sentia que aquela era a minha noite, trabalhei duro, merecia brilhar.
O momento da valsa estava chegando. Meu coração já batia no compasso binário composto. Duas vezes para a esquerda, duas vezes para a direita. Eu estava pronto.
Era agora, precisava mostrar a todos porque estava lá. Eu iria dançar com outra garota, não era a minha amiga, mas haviamos praticado, ela não era ruim. Ela fazia tudo certo, não fazia nada de mais, mas não importava.
A música começou, eu coloquei minhas mãos em sua cintura. Sorri para mim mesmo. E parei. Parei!? Eu parei, senti que não conseguiria mais, senti que tudo que pratiquei foi para o ralo. Meu par era frio, era duro. Eu e ela não éramos para ser.
Como se dança!? Eu perguntei a ela.
Ela me disse os passos metodicamente, ela havia estudado. E foi aí que eu percebi.
Dançar é uma arte, não existem passos certos, não há fórmula, não é algo exato. Faltou-nos a paixão, o amor. E como toda arte sem sentimento, nossa dança foi vazia, mecânica.

Como se dança?
Com amor.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O pássaro.

Ouviu-se uma batida vindo da janela, assustado o rapaz foi verificar o que ocorrera. Ao abrir a janela, viu pequeno passarinho vermelho caído do lado de fora, o pássaro sangrava e estava sem muitas penas. O garoto então rapidamente socorreu a ave e tratou seus ferimentos. Com muito zelo, com muito carinho, ele cuidava do pequeno rubro passarinho.
Dia após dia, o jovem cuidava do pássaro como se fosse seu bebê, brincava com ele, dava-lhe atenção, alimentava-lhe. Pouco a pouco, a ave ficava melhor, fica mais forte, maior. Logo cedo ele começava a cantar de alegria, e ao ouvir a bela canção, o rapaz sorria. Ficava feliz em ver como seu filhote ficava cada vez melhor, tudo graças a ele. Sentia que não só o pássaro, mas também o seu próprio coração crescia cada vez mais, repleto de alegria e de amor.
Mas com o passar do tempo, o pássaro precisava menos de cuidados, menos desse mesmo amor. E o garoto percebia isso, percebia que deixava de ser essencial para a ave, somente não queria admitir isso, não queria acreditar nisso.
Ouviu-se uma cantoria histérica, assustado o rapaz foi verificar o que ocorrera. Ao abrir a gaiola, viu o grande pássaro vermelho inquieto do lado de dentro, o pássaro era belo e suas penas brilhavam. O garoto então lentamente pegou a ave e abriu a janela. Com muita dor, com muita tristeza, ele deixava seu pequeno rubro passarinho.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um pedido.

Ela me pediu apenas uma coisa. Não foi um anel de brilhantes ou um bouquet de rosas, não, não foi. Também não foi um beijo apaixonado ou um abraço quente, não, também não foi. Ela não me pediu jóias, carícias, serenatas, palavras de amor no pé do ouvido.
O pedido dela foi simples, ela pediu um pouco da minha arte. Minha fria arte. Sem música, sem côr. Minha fria arte. "Escreva sobre mim." Foi isso que ela pediu, sim. "Eu adoro quando faz isso." Completou. E o que eu poderia fazer? Negar-me? Negar-lhe? Não, não, eu não sou de negar, jamais. Dar alguma desculpa? Fingir que esqueci? Eu não posso, sou um escritor, escritores sempre dizem a verdade. E a verdade, meu amor, é: Quando me pedem para escrever sobre cães, escrevo sobre gatos; Se me pedem para escrever sobre o preto, é do branco o meu texto; Não faço isso de mau grado, não sou do contra, mas preciso mostrar o outro lado. Ser previsível nunca foi o meu forte, não surpreendo, só não faço o esperado.
Agora me diga, querida, se é sobre você que preciso escrever, qual seria o outro lado? Eu mesmo? Seria eu o teu oposto? O teu yang? Sou eu quem te completa? Eu não sei. Não sei se é possível saber. Nossos corações não são copos que podem se encher com a água, o seu limite somos nós quem decidimos. Um coração que se completa é um coração restrito. Você não me completa, porque contigo eu não tenho barreiras.
"Escreva sobre mim, adoro quando faz isso.". Um pedido simples, complicadamente simples.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Repetição.

Repetição. Repetição. Repetição.
Repetição, talvez o mundo seja apenas feito de repetições.
Repetição atrás de repetição.
Repetição, o seu maior problema é que será sempre igual. Não importa o que façamos, ou pensemos que estamos fazendo.
Repetição, sempre o mesmo fim.
Repetição, sempre o mesmo começo, por mais que não gostemos e evitemos.
Repetição no início meio e fim.
Repetição que não se repete mas é sempre igual.
Repetição, não adianta querer mudar, não adianta fazer diferente, no final, tudo é repetição.
Repetição.
Repetição.