O pedido dela foi simples, ela pediu um pouco da minha arte. Minha fria arte. Sem música, sem côr. Minha fria arte. "Escreva sobre mim." Foi isso que ela pediu, sim. "Eu adoro quando faz isso." Completou. E o que eu poderia fazer? Negar-me? Negar-lhe? Não, não, eu não sou de negar, jamais. Dar alguma desculpa? Fingir que esqueci? Eu não posso, sou um escritor, escritores sempre dizem a verdade. E a verdade, meu amor, é: Quando me pedem para escrever sobre cães, escrevo sobre gatos; Se me pedem para escrever sobre o preto, é do branco o meu texto; Não faço isso de mau grado, não sou do contra, mas preciso mostrar o outro lado. Ser previsível nunca foi o meu forte, não surpreendo, só não faço o esperado.
Agora me diga, querida, se é sobre você que preciso escrever, qual seria o outro lado? Eu mesmo? Seria eu o teu oposto? O teu yang? Sou eu quem te completa? Eu não sei. Não sei se é possível saber. Nossos corações não são copos que podem se encher com a água, o seu limite somos nós quem decidimos. Um coração que se completa é um coração restrito. Você não me completa, porque contigo eu não tenho barreiras.
"Escreva sobre mim, adoro quando faz isso.". Um pedido simples, complicadamente simples.
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