"AAAAAAAAAAAAAAAH" gritávamos novamente, caíamos violentamente e tudo não passava de um borrão azul, ao nos aproximarmos da água, fechei os olhos, e pousamos suavemente. Acho que a solução aqui é simplesmente não se preocupar. Antes que eu perguntasse, Toby explicou-me "acho que consegui fazer funcionar o motor do bote, não do foguete, hehe, será uma viagem agradável, não concorda?" Fiz que sim com a cabeça, pensando onde havia me metido com esse macaquito que não percebia o perigo que corrêramos. "Pois bem" eu disse então, olhando para a bússola que não parava de girar, até que a mão da seta apontou para nossa direita, "estibordo, marujo!", Toby olhou para mim, sem dizer nada, e o encarei de volta, esperando uma reacção. "Estibordo é pra..." ele disse em voz baixa, olhando para seus dedos que se tocavam, "direita, Toby... estibordo é para a direita... você não é muito pirata, né?", "Um dia eu serei o maior" ele disse com tom decidido, cerrando os punhos e olhando para o horizonte. (e virando o barco para a direita quando parou com a atuação)
O sol começava a raiar, e a noite (dia) clareava (escurecia), já se passara um certo tempo desde que os coelhos guerreiros pediram minha ajuda, e eu apenas consegui um macaquito otimista e um bote defeituoso, realmente muito irresponsável, imagino que eles ficariam satisfeitos com isso. Navegávamos tranquilamente como o calmo mar que começava a refletir os primeiros raios laranja do sol. Eu não parava de pensar em quão grave deveria ser o problema dos coelhos, para pedirem ajuda a alguém de fora, ainda mais de mim. E pensava também em como ficaria o sabor de um chiclete de carne. Distraído notei o semblante de Toby, apesar de todo aquele otimismo, percebia que sua boca tinha traços de tristeza, gostaria de saber mais dele, o que o tornara tão otimista e por que parecia triste apesar da aventura. Grrrrrrr. Ou ele poderia apenas estar com fome.
Levantei-me "Que tal pescarmos um pouco?" falei enquanto tirava minha camiseta roxa. Toby, animado, disse "leu minha mente!, estou com tanta fome que poderia comer uma nuvem inteira!", e foi procurar por algo que pudéssemos usar como vara ou arpão ou rede de pesca ou seja lá o utensílio para pesca de sua preferência. Encontrou um imã gigante, um balaústre gótico e uma bola de praia, mas nada que pudéssemos fazer proveito, jogou o balaústre fora - o que nos fez ir mais rápido - e jogou a bola de praia em mim - o que nos fez pensar menos na fome e no tempo.
O Sol brilhava forte no céu, e depois de brincar com a bola por 3 horas consecutivas Toby perguntou "O que é aquilo?" apontando para frente (minha trás), virei e vi uma nuvem negra sobre uma região aleatória do mar "bom, Toby... é só chuva, sabe? as nuvens fazem isso, às vezes, eu acho" disse, mesmo tendo tanta certeza quanto ele. Coincidentemente ou não, a bússola apontava para lá, mais cedo ou mais tarde saberíamos o que era aquilo. Mais cedo foi. "É uma nuvem de carne.", disse alguém, estávamos tão encucados com a nuvem que mal notamos a aproximação dele. Era um pássaro, grande, magro, pardo e, aparentemente, surfista. Usava uma bermuda florida e um óculos escuro. "e aííí, tão perdidos bróders?" o pássaro falava lentamente, como se as próprias palavras surfassem em sua língua. Acenamos que sim com a cabeça, ainda sem entender muita coisa. "Você disse que é uma nuvem de carne? o que é isso? e quem é você?", eu falei atropelando as palavras. "Caaaalma, cara, um de cada vez: sim, uma nuvem de carne, oras, sabe, quando a carne evapora, vai pro céu, forma uma nuvem e depois chove bacon, tá ligado? Eu sou Johnny, a águia e vocês?", enquanto explicava ele fazia algumas manobras em sua prancha comprida e amarela. "Estamos perdidos..." eu disse desanimado "Mas que bom que você está aqui, Johnny, você é um surfista, deve conhecer esse mar, ajude-nos!" disse Toby animado. "éééé, pode ser, mas com uma condição:" e ergueu o dedo lá no alto antes de dizer "ajudarei, se não rirem de minha... careca" praticamente balbuciou a última palavra. Eu mal tinha reparado em sua calvície, mas tive de me segurar para não rir quando vi. Na verdade ele ainda tinha muito cabelo (penas), mas, de fato estavam meio ralas, porém o que mais me fez rir foi o fato de Johnny ser uma águia careca, o que não precisa de muita explicação... todos concordamos em não rir e prometemos entrelaçando os dedos menores.
Quando vimos, a nuvem já pairava sobre nossas cabeças, e, como prometido no título do capítulo, começou a chover bacon.
Fim da Segunda Parte.
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