quinta-feira, 21 de março de 2013

O Pirata.


Nunca vira o mar,
a água salgada que conhecia era outra.
Jamais chegara perto de ouro e pedras preciosas,
os tesouros que roubava eram diferentes.

Num olho marejado,
que se afogava em tristeza,
lá estava ele.
Cruzava esse oceano de amargura com maestria.
A maestria de quem já fizera isso
muitas e muitas vezes.

Furtava o brilho tão precioso, 
a alegria, o sorriso, saqueava e deixava um baú vazio.
Inútil. Sem valor.

Pilhava todos os sentimentos bons,
e deixava lá o que lhe era vão,
a dor que já tinha demais
o rancor que lhe sobrava no navio.

Mais de sete mares conquistou,
nunca parou para contar,
nem as glórias, nem os tesouros.
Nunca parou, precisava continuar,
içava vela e partia para a próxima
próxima ilha, cidade
qualquer lugar que lhe fizesse sentido.

Tinha dois tapa-olhos,
para evitar olhar nos olhos de qualquer um.
Tilha dois ganchos nas mãos,
o que fazia que machucasse a todos,
por mais tenro que fosse.

Era um lobo do mar,
um solitário lobo do mar.

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