terça-feira, 12 de junho de 2012

Inverno.

Fico aqui a ver jovens apaixonados, com musas tão diferentes, mas tão semelhantes. Gosto particularmente daquelas que trazem sempre consigo uma estação, que tem o dom de mudar tudo a seu redor, simplesmente com sua presença.
Ouvi dizer de uma garota que, por onde passasse, o verão estava com ela, um dia ensolarado e quente. Aquele que se apaixonou por ela sempre sentia o calor do amor dela, saíam juntos sempre, faziam de tudo, tudo mesmo, numa noite que chega a esquentar ainda mais que o dia veranil. 
E existe também uma mais meiga e afável, e junto dela vinha a primavera. Sempre a saltitar, por entre flores e pássaros, num clima primaveril, de alegria e inocência. 
Há também aquela, um pouco menos amorosa, menos colorida, como o Outono. Calma, sóbria e serena, quase melancólica, mas ainda sim vívida. Pode não ser a melhor das amantes, mas é uma companhia bem agradável e adorável, como um entardecer outonal. 

Mas a minha, não, é tão única e singular, não farei surpresa porque nem possível isso seria, é claro que com ela vem o inverno! E, não mentirei, quando estou com ela, é frio e chuvoso, mas não é algo ruim, pelo contrário, amigos. Podemos ficar abraçados o dia todo, a noite toda, a vida toda. Todos nossos beijos são beijos na chuva, e não há nada que podem fazer sobre isso. 
Longe de mim falar que ela é a melhor - mesmo ela sendo -, ou falar mal das outras, mas ficar abraçado no verão é ficar suado, e não dá pra se amar todo grudento. E na primavera, às vezes, podemos nos sentir obrigados a ir colher flores e fazer piqueniques, ao invés de ficar em casa, sem fazer nada tão útil assim, só ter um ao outro. E, bem, o Outono, depois do belo entardecer cinematográfico, estão recolhendo as folhas secas no quintal, então não comentarei.

Por mim, que o frio nunca vá embora, que a chuva ainda caia sobre nós, pois, estando contigo, o tempo sempre será o melhor de todos.

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