A morte, a morte não é um mistério, não há o que fazer, o que acontece depois da morte - ou da vida - vale discutir, mas não vejo muito sentido nisso, o pós-vida é tão incerto quanto o fim da vida é certo. O mistério capital é saber o que fazer entre o início e o fim da vida, viver é uma ótima opção, mas é vago. Vejo-me no direito de considerar a vida como um livro - pelo fato de escrever e também por estar morrendo -, e como um livro, tem inicio meio e fim, a intenção não é ensinar nada, passar nada a ninguém, é algo natural, os pássaros cantam porque cantam. Mas há a necessidade de ser interessante, o começo do livro muitas vezes é uma apresentação, às personagens, à trama, ao universo em que se passa. O meio é o principal, tem de mostrar a que veio tem de valer, o clímax os problemas, as melhores páginas de nossas vidas. Mas sem um final decente, o resto não vale de nada, um final bom compensa algumas falhas, um final ótimo é impossível, ou não seria o final. Então pensemos em nossas últimas palavras, pois não lugar para correções.
Infelizmente não sei se sou capaz de escrever um livro, e sei que se conseguir não será grande, mas acho que faz sentido, são os nossos tempos, é o meu tempo, e, apesar de tudo o que eu tenha feito, não deixarei de ser contemporâneo.
O fin.
30 de novembro de 2012
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