terça-feira, 8 de junho de 2010

No vagão do trem.

"Deixe de pensar nisso, não há nada mais para fazer, agora é com ela, seu destino está nas mãos dela. Caso o desfecho seja desfavorável, e pode ter certeza que as chances disso acontecer são altas, você não precisa parar sua vida por isso. Não deve deixar sua felicidade depender de outrem, a felicidade é sua e só você pode se fazer feliz, sua felicidade não vem de outra pessoa e nem deve vir, fazer isso é só dar um peso que esse alguém não deveria carregar, você pode ser feliz com ou sem ela, com ou sem ela.".
Pensava e repensava, repetia e decorava, porém sabia que eram palavras vazias que colidiam com um coração cheio, e de nada adiantariam além de, por uns poucos segundos, lhe aliviar. Enquanto seu peito não começasse a rugir o nome de sua amada, enquanto em seu interior não voltasse a ecoar todos os sentimentos que por ela cultivava. E logo eles viriam, como uma tempestade que rasga um dia ensolarado sem avisar, para molhar os despreparados e deixar aquele cheiro de chuva de verão, que vem e passa rapidamente, mas não sem deixar algumas poças para avisar que ali esteve.
Voltaram, ao ver aquele casal que poderiam ser ele e ela, ao ler aquela frase que define muito bem sua relação, ao ouvir aquela canção que exprime minuciosamente seus sentimentos. -Tudo me leva a ela, é impossível não pensar em nós-, dizia a si mesmo, embora soubesse que seu coração que estava a moldar tudo, que estava a modificar e ludibriar, a enganar e dissimular. Não era tudo que o fazia pensar nela, era ele que fazia tudo lembrá-la, para assim não ter de a esquecer.
"Deixe de pensar nisso, não há nada mais para fazer, agora é com ela, seu destino está nas mã...", O trem já chegou a estação, e a página do livro não foi passada, nem a página da história dos dois, ela só foi lida e relida, interpretada e lembrada. O trem chegou a estação, e no vagão do trem ficou somente o pensamento de mais um jovem apaixonado.

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