Dia desses enquanto eu voltava do trabalho eu olhei para o céu. E achei o que vi estranho.
Não devia sê-lo mas era, me era estranho. Era o céu, azul, com suas nuvens fofas e brancas. Ele brilhava intensamente e contrastava com o cinza da cidade.
Eu sei que aqui o céu pode não ser tão lindo ou azul como em outros lugares, mas esse é o céu mais belo que posso alcançar - por enquanto.
Eu o achei estranho e fiquei triste. Se me perguntassem se minha vida estava boa eu responderia no ato que "sim, está tudo certo", crendo nisso. E talvez meu erro fosse esse. Acordar - Ir trabalhar - Voltar - Conversar com as pessoas - Jogar algo - Dormir - Recomeçar. Por mais que não me parecesse, era uma rotina. Do trabalho até em casa e vice-versa eu seguia em frente sem olhar para cima. Meu caminho já estava traçado e só eu não sabia. Eu somente obedecia sem nem notar.
Não, meus amigos, eu não vou colocar fogo nas igrejas e quebrar televisões, não mandarei minha chefe se foder e largarei minha faculdade. Eu não me libertei, não sei se ainda é possível fazê-lo.
Minha rebelião está mais em cima, literalmente. Quem sabe um dia sejamos todos livres, quem sabe um dia ninguém saiba o que ser livre significa. Eu não sei. Mas até lá, podem crer que eu vou erguer minha cabeça, olharei para o céu, cinza, azul ou laranja. Sorrirei para as nuvens, ou para sua ausência.
O céu continuou lá esse tempo todo, mas eu esqueci de observá-lo.
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