domingo, 15 de janeiro de 2012

Maço de cigarros.

Tragou o primeiro cigarro, odiava aquele sabor, aquele calor, a fumaça, o cheiro, tudo. Mas era isso que o fazia lembrar dela. Sempre aquelas saídas para fumar, os caminhos que ela pegava para aproveitar um cigarro a mais. Ele nunca gostou, naturalmente, mas ela era assim, e ele não pretendia esquecer nem um fragmento dela.
No sétimo cigarro, já estava se acostumar, a fumaça, o cheiro, o calor. Sentia-a com ele. No meio da fumaça via seu sorriso, sorriso que ele sempre adorou, mas nunca falou.
Já terminava o terceiro quarto do maço, já não queria mais continuar, decididamente não era de seu feitio, mas não era de largar da amizade, do sorriso, da felicidade e, acima de tudo, não dela. Acendeu o décimo sexto.
O décimo nono logo acabaria, a ponta crepitava, apagava aos poucos, sem vida, sem calor. Ele tinha medo de que isso acontecesse com eles, que fosse tão efêmero quanto o cigarro que morre após ser tragado, que acaba depois de dar prazer, que pouco dura, até ser substituído por outro igual mas diferente.
O vigésimo ele não tirou do maço, guardou junto com as lembranças dos dois, na esperança de que isso fosse manter seu coração aquecido por mais tempo que o cigarro o aquecia. O último ele guardou, como o último abraço que ela lhe deu, como o último sorriso que ela lhe tirou.

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