quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Orquídea Azul

Era um verão quente e escaldante - podia até dizer árido -, mas ainda sim você fez algo brotar, apesar de todas as adversidades e obstáculos, eis que nasce uma orquídea azul em meu peito. Aparece tímida, fraca, mas com vida, com persistência.
Os dias foram passando, e eu cuidei dela com muito, ela continuou a crescer, aos poucos, sorrindo vida, tudo isso era novo, para todos nós. 

No ceifador e impiedoso outono, flôr por flôr caía, mas a nossa amiga azul perdurava exemplarmente, regada constantemente com afeto e atenção, estava mais forte do que nunca, dum cerúleo azul capaz de emocionar qualquer coração de pedra, de tornar bela qualquer paisagem, por mais triste que fosse.

O inverno, ríspido e severo, fez com que todos procurassem proteção, e a pobre flôr retraiu-se o máximo que pôde, apenas esperando por algo que lhe aquecesse, um abraço sincero que lhe daria razão para continuar, um sorriso escaldante que fizesse esquecer de todo o frio, de todo o sofrimento. Aqueceu-se o suficiente para aguentar até a próxima estação.

A doce primavera gentil chegou, e tudo que a Orquídea tanto esperou estava prestes  a se realizar, ela poderia finalmente viver como nascera para ser, para ser plenamente bela, perfumar a cidade, atrair a todos com seu brilho de felicidade. Ela - ou eu? - esperou tanto tua volta, para poder continuar a crescer, para poder se reproduzir, e quando chegaste, ó, quando chegaste, estavas tão preocupado com tudo, com outras tarefas, com outras vidas, que a vida da Orquídea se esvaiu, toda a força de vontade vinha da esperança de servir, do sonho de florescer mais. Quando você se esqueceu dela, da primavera, das flores, ela murchou, murchou, murchamos. 
É primavera, mas a Orquídea morreu.

Um comentário:

  1. Quando você se esqueceu dela, da primavera, das flores, ela murchou, murchou, murchamos.

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