Os dias foram passando, e eu cuidei dela com muito, ela continuou a crescer, aos poucos, sorrindo vida, tudo isso era novo, para todos nós.
No ceifador e impiedoso outono, flôr por flôr caía, mas a nossa amiga azul perdurava exemplarmente, regada constantemente com afeto e atenção, estava mais forte do que nunca, dum cerúleo azul capaz de emocionar qualquer coração de pedra, de tornar bela qualquer paisagem, por mais triste que fosse.
O inverno, ríspido e severo, fez com que todos procurassem proteção, e a pobre flôr retraiu-se o máximo que pôde, apenas esperando por algo que lhe aquecesse, um abraço sincero que lhe daria razão para continuar, um sorriso escaldante que fizesse esquecer de todo o frio, de todo o sofrimento. Aqueceu-se o suficiente para aguentar até a próxima estação.
A doce primavera gentil chegou, e tudo que a Orquídea tanto esperou estava prestes a se realizar, ela poderia finalmente viver como nascera para ser, para ser plenamente bela, perfumar a cidade, atrair a todos com seu brilho de felicidade. Ela - ou eu? - esperou tanto tua volta, para poder continuar a crescer, para poder se reproduzir, e quando chegaste, ó, quando chegaste, estavas tão preocupado com tudo, com outras tarefas, com outras vidas, que a vida da Orquídea se esvaiu, toda a força de vontade vinha da esperança de servir, do sonho de florescer mais. Quando você se esqueceu dela, da primavera, das flores, ela murchou, murchou, murchamos.
É primavera, mas a Orquídea morreu.
Quando você se esqueceu dela, da primavera, das flores, ela murchou, murchou, murchamos.
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