VI
-Mas... - o garoto deu as costas ao príncipe e, do topo da vacilante e confusa montanha, postado como uma estátua de bronze que nunca descansa, disse ainda imóvel:
-Mas eu preciso... pensar. Eu estou confuso.
-Tudo bem, - disse o príncipe com um tom compreensivo - todos ficamos confusos, às vezes. É um bom sinal. É sinal de que estamos pensando n'algo que não tinhamos pensado. - seus sensuais lábios rosas dobraram-se n'um sorriso belo e perigoso, como uma rosa protegida pelos espinhos. - amanhã encontre-me aqui no entardecer, para me dizer o que decidistes. Mas não te preocupes, não sou como meu pai, se não quiseres, compreenderei. - finalizou com um sorriso aconchegante.
-Ce-certo. Até amanhã, então. - o rapaz disse sentindo um misto de alívio e de medo, ainda sem olhar para o príncipe.
-Até amanhã. - despediu-se o novo rei, cavalgando lentamente embora.
A garota apressou-se e perguntou ao rapaz.
-O que achas? Confias nele? Eu não sei que penso! Que desejas? Aceitarás? - as maçãs de seu rosto estavam como verdadeiras maçãs: vermelhas e brilhantes.
-Não sei... eu estou confuso. - o jovem confessou deitando-se no chão frio.
A menina deitou-se ao seu lado e cobriu o jovem de amor.
-Eu não vou. - afirmou rispidamente a mãe do garoto, com os olhos afogados.
-Por que não? Ele não tem culpa pelo que o pai dele fez! Ele está me dando uma chance. E eu quero aceitá-la... vamos, mamãe, venha conosco. - o jovem homem suplicava, quase ajoelhado ao lado da mulher que tomava seu chá verde.
-Por favor... ele, digo, nós só queremos o seu bem, e achamos que você ficará melhor conosco. - sua nora também pedia, mais recatada e à distância.
-Você quer isso mesmo? Ele eu entendo, ele sempre quis isso, sempre quis "uma vida melhor", mas você quer isso? Ou você quer o que ele quer? - A moça sentada perguntou como se atacasse a jovem com agulhas.
-Eu... claro que eu quero! Será melhor que viver aqui. Se meus pais... - seus olhos umedeciam, sua boca tremulava, sua face corava - se meus pais ainda estivessem conosco, eu gostaria que todos fossemos viver lá, para sermos felizes juntos! - terminou entrando eu seu quarto e pondo-se a chorar.
-Viu o que você fez? Por que tem que ser tão cabeça dura? É o melhor pra nós, e é o que eu quero! Seu filho, por que não quer o melhor para seu filho?! - O garoto exclamava levantando-se impacientemente.
-Se achas que é o melhor para vós, podeis ir. Eu ficarei aqui, na casa que teu pai construira para nós. - disse a experiente mulher retirando-se da sala principal.
No dia seguinte o rapaz aguardava o príncipe no topo da ansiosa montanha. O sol já se preparava para se pôr. "Onde ele está? Não me diga que ele mudou de ideia! Não acredito, não acredito que desperdiçarei minha oportunidade como meu pai fez. Droga, não pode ser!" pensava o garoto, enquanto andava em círculos para curar seu nervosismo. Até que ouviu o som dos cascos do alasão batendo com o duro chão e, com um sorriso brilhante e inocente disse:
-Me decidi!
-Maravilhoso, que bom que resolveu assumir, foi mais sensato aguardar um pouco para aceitar mesmo. - Disse o príncipe, enquanto descia graciosamente do cavalo.
-Aguardar? O que quer dizer? - Disse o rapaz com uma cara de quem não sabe mentir.
-Tu sabes, quando os homens dizem que estão confusos, eles já se decidiram. Admito que não sabia se aceitaria ou não, mas sabia que já tinha se decidido. - O príncipe falou, aproximando-se do quase-homem.
-Você... você é bom, eu realmente já tinha decidido, mas não soaria bem aceitar assim. Então resolvi esperar... - confessou o menino olhando para seus pés, como se confessasse seus sentimentos a uma amada.
-Tudo bem, o importante é que aceitastes, o importante é que o nosso futuro é promissor! - e, ao dizer isso, enrolou seu braço no ombro do jovem, como uma jiboia prende sua presa. - despeça-te dessa montanha, pois amanhã eu te levarei à sua nova casa, e não a verá novamente tão cedo. - e montou em seu cavalo e partiu.
O garoto olhou para o horizonte, olhou para os céus, olhou para a montanha, olhou em sua volta. Seus olhos brilhavam, seu sorriso brilhava, seu futuro brilhava.
-Adeus, eu vou para outro topo agora, o topo do mundo, ver o que está lá esperando por mim. - despediu-se do topo da solitária e triste montanha.
-Mas eu preciso... pensar. Eu estou confuso.
-Tudo bem, - disse o príncipe com um tom compreensivo - todos ficamos confusos, às vezes. É um bom sinal. É sinal de que estamos pensando n'algo que não tinhamos pensado. - seus sensuais lábios rosas dobraram-se n'um sorriso belo e perigoso, como uma rosa protegida pelos espinhos. - amanhã encontre-me aqui no entardecer, para me dizer o que decidistes. Mas não te preocupes, não sou como meu pai, se não quiseres, compreenderei. - finalizou com um sorriso aconchegante.
-Ce-certo. Até amanhã, então. - o rapaz disse sentindo um misto de alívio e de medo, ainda sem olhar para o príncipe.
-Até amanhã. - despediu-se o novo rei, cavalgando lentamente embora.
A garota apressou-se e perguntou ao rapaz.
-O que achas? Confias nele? Eu não sei que penso! Que desejas? Aceitarás? - as maçãs de seu rosto estavam como verdadeiras maçãs: vermelhas e brilhantes.
-Não sei... eu estou confuso. - o jovem confessou deitando-se no chão frio.
A menina deitou-se ao seu lado e cobriu o jovem de amor.
-Eu não vou. - afirmou rispidamente a mãe do garoto, com os olhos afogados.
-Por que não? Ele não tem culpa pelo que o pai dele fez! Ele está me dando uma chance. E eu quero aceitá-la... vamos, mamãe, venha conosco. - o jovem homem suplicava, quase ajoelhado ao lado da mulher que tomava seu chá verde.
-Por favor... ele, digo, nós só queremos o seu bem, e achamos que você ficará melhor conosco. - sua nora também pedia, mais recatada e à distância.
-Você quer isso mesmo? Ele eu entendo, ele sempre quis isso, sempre quis "uma vida melhor", mas você quer isso? Ou você quer o que ele quer? - A moça sentada perguntou como se atacasse a jovem com agulhas.
-Eu... claro que eu quero! Será melhor que viver aqui. Se meus pais... - seus olhos umedeciam, sua boca tremulava, sua face corava - se meus pais ainda estivessem conosco, eu gostaria que todos fossemos viver lá, para sermos felizes juntos! - terminou entrando eu seu quarto e pondo-se a chorar.
-Viu o que você fez? Por que tem que ser tão cabeça dura? É o melhor pra nós, e é o que eu quero! Seu filho, por que não quer o melhor para seu filho?! - O garoto exclamava levantando-se impacientemente.
-Se achas que é o melhor para vós, podeis ir. Eu ficarei aqui, na casa que teu pai construira para nós. - disse a experiente mulher retirando-se da sala principal.
No dia seguinte o rapaz aguardava o príncipe no topo da ansiosa montanha. O sol já se preparava para se pôr. "Onde ele está? Não me diga que ele mudou de ideia! Não acredito, não acredito que desperdiçarei minha oportunidade como meu pai fez. Droga, não pode ser!" pensava o garoto, enquanto andava em círculos para curar seu nervosismo. Até que ouviu o som dos cascos do alasão batendo com o duro chão e, com um sorriso brilhante e inocente disse:
-Me decidi!
-Maravilhoso, que bom que resolveu assumir, foi mais sensato aguardar um pouco para aceitar mesmo. - Disse o príncipe, enquanto descia graciosamente do cavalo.
-Aguardar? O que quer dizer? - Disse o rapaz com uma cara de quem não sabe mentir.
-Tu sabes, quando os homens dizem que estão confusos, eles já se decidiram. Admito que não sabia se aceitaria ou não, mas sabia que já tinha se decidido. - O príncipe falou, aproximando-se do quase-homem.
-Você... você é bom, eu realmente já tinha decidido, mas não soaria bem aceitar assim. Então resolvi esperar... - confessou o menino olhando para seus pés, como se confessasse seus sentimentos a uma amada.
-Tudo bem, o importante é que aceitastes, o importante é que o nosso futuro é promissor! - e, ao dizer isso, enrolou seu braço no ombro do jovem, como uma jiboia prende sua presa. - despeça-te dessa montanha, pois amanhã eu te levarei à sua nova casa, e não a verá novamente tão cedo. - e montou em seu cavalo e partiu.
O garoto olhou para o horizonte, olhou para os céus, olhou para a montanha, olhou em sua volta. Seus olhos brilhavam, seu sorriso brilhava, seu futuro brilhava.
-Adeus, eu vou para outro topo agora, o topo do mundo, ver o que está lá esperando por mim. - despediu-se do topo da solitária e triste montanha.
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