Era uma vez, um rei. Um Rei. Um Rei rico e poderoso, que tinha um reino. Um Reino. Um Reino vasto e belo, que acabava depois do horizonte. O Reino desse Rei era composto por lindos campos e grandes cidades, onde quer que se olhasse, veríamos predominante beleza e alegria.
Todos respeitavam e amavam o Rei. Seus - poucos - inimigos o temiam e admiravam. Ele estabelecera aliança com praticamente todas as outras nações, que mesmo unidas, eram menores que seu Reino. Todas as mais belas e raras obras de arte do mundo pertenciam ao Rei. Todos os mais precioso tesouros estavam sob sua posse. Os maiores artistas do mundo dedicavam esculturas e epopeias ao nosso Rei. Os mais hábeis guerreiros dedicavam toda sua lealdade ao Rei. Todo e qualquer habitante do Reino daria sua vida pelo Rei.
O Rei, além de rico e poderoso, também era deveras belo e inteligente. O Rei não possuía apenas fortuna material, era abastado em virtude e sabedoria, tinha abundante cultura e conhecimento. Tudo que o Rei queria, ele tinha, tudo que o Rei desejava, ele recebia. Até mesmo os animais, até mesmo a natureza, obedecia ao Rei. Não existia uma coisa no mundo todo que ousasse desobedecer o Rei, exceto ele mesmo, mais especificamente, seu coração. Seu pequeno coração teimava em acelerar por uma mera camponesa que queria a outro. E o nobre Rei, com toda sua sabedoria estava ciente que seria loucura "ordenar" que ela o amasse, sabia que era tolice tentar comprar o coração da jovem com pedras preciosas, sabia que não importasse quem ele fosse, um Rei ou um escravo, ela amaria outro. E toda noite, nosso Rei se sentia a pessoa mais pobre desse mundo. Toda a fortuna que possuía nada era, se comparada à felicidade que ele saborearia ao lado dela. O Rei só pensava que, se pudesse, trocaria toda sua fortuna e poder, para poder sentir somente uma vez o sabor de seus lábios. Toda noite, ao som das fontes em forma de leão que jorravam água cristalina, o ruído da lágrima solitária que rolara até o chão ecoava em seu peito, e o Rei mais poderoso e rico do mundo não passava de mais um pobre apaixonado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário